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Testemunhas de Jeová: Abusos sexuais, heresias e controle social

“Foi como um castelo de cartas que desmoronou”, diz ex-ancião da seita.

Michael Caceres

em

António Madaleno com o livro Apóstata

Ao longo de 40 anos da sua vida, António Madaleno, nascido em Portugal, fez parte das Testemunhas de Jeová, definida por ele como uma “seita destrutiva”. Ele tinha apenas um ano de idade quando sua mãe passou a frequentar o Salão do Reino, como são chamados os locais de culto da seita.

Depois de chegar ao topo da hierarquia das Testemunhas de Jeová, tornando-se um ancião, Madaleno se viu em uma situação em que passou a confrontar as heresias compartilhadas por eles, através da gravidez da sua esposa, em 2003.

“Como é habitual nestes casos, a primeira preocupação de uma Testemunha de Jeová é a questão da necessidade de uma eventual transfusão de sangue”, conta com exclusividade ao Gospel Prime.

António Madaleno conta que isso o levou a pesquisar, estudar a Bíblia e questionar os ensinos das Testemunhas de Jeová. Pela primeira vez estava usando sua mente e consciência para buscar a verdade sobre o que havia aprendido no Salão do Reino, mesmo considerando-se um exímio conhecedor das doutrinas das Testemunhas.

Sua pesquisa o levou ao que define como “um castelo de cartas que desmoronou”, pois afirma que “resultou em muitas outras pesquisas e indagações”. “O que vim a descobrir levou a que a organização Torre de Vigia perdesse toda a credibilidade e confiança para mim”, conta.

O ex-ancião passou a ser o que eles definem como um “apóstata”, afastando-se do convívio com os membros da seita e passando a denunciar o que acontece por lá, incluindo crimes acobertados pela liderança. Em entrevista exclusiva, António Madaleno fala sobre sua experiência.

Leia na íntegra:

Como você se tornou parte das Testemunhas de Jeová?

As Testemunhas de Jeová entraram na minha vida através do seu habitual trabalho de proselitismo de casa em casa. A minha mãe recebeu-as à porta numa fase da vida em que estava bastante deprimida e com ideias suicidas, tinha eu cerca de um ano de idade.

Através destas visitas, ela começou a estudar um livro azul, chamado “A Verdade que Conduz à Vida Eterna”, chamado por muitos de “bomba azul”. Nos anos 70, muitas pessoas entraram nas Testemunhas de Jeová através deste livro, que supostamente desmascarava a chamada “cristandade” e apresentava a religião das Testemunhas de Jeová como a religião verdadeira – a restauração do verdadeiro cristianismo.

Na época, Portugal acabava de sofrer a revolução do 25 de Abril e isso veio permitir que as Testemunhas de Jeová finalmente pudessem exercer livremente a sua religião, sem medo de represálias e perseguição. Isso contribuiu para o aumento dos seus membros nos anos posteriores.

Quando começou a questionar os métodos de ensino distorcidos desta seita?

Foi após a minha esposa ficar grávida em 2003. Como é habitual nestes casos, a primeira preocupação de uma Testemunha de Jeová é a questão da necessidade de uma eventual transfusão de sangue. Logo quanto possível, apresentamos essa questão ao obstetra, explicando que em caso de necessidade recusaríamos uma transfusão.

Acreditávamos firmemente na doutrina do sangue, conforme explicada pela organização. Destaco que na altura eu já era ancião na congregação, o equivalente a pastor na igreja evangélica. Por isso, eu conhecia bem o assunto. Mas já algo incomodava a minha mente e consciência, que tinha a ver com o uso de fracções do sangue permitidas pela organização.

Após a conversa com o médico, resolvi pesquisar o assunto a fundo de vários ângulos: científico e bíblico. É claro que esta pesquisa me levou a perceber como as Testemunhas de Jeová estão erradas na sua interpretação doutrinal com respeito a este assunto. Foi como um castelo de cartas que desmoronou, pois esta pesquisa resultou em muitas outras pesquisas e indagações. O que vim a descobrir levou a que a organização Torre de Vigia perdesse toda a credibilidade e confiança para mim.

O senhor costuma chamar a Testemunhas de Jeová de uma “seita destrutiva”. Por que é tão enfático neste sentido?

Quando se conhece as características de uma Seita Destrutiva ou Grupo de Alto Controle e se compara com as práticas exercidas pelos líderes das Testemunhas de Jeová, torna-se evidente que a sua organização religiosa é uma Seita Destrutiva.

Uma das principais características de uma Seita Destrutiva é a obediência cega ao líder ou líderes. Tudo o que ele ensina ou manda fazer é lei. É inquestionável! Esta obediência cega é promovida através de uma doutrinação intensiva e semanal, com uma rotina que deixa pouca margem para o indivíduo. As Testemunhas de Jeová são doutrinadas de tal modo que pouco uso dão à sua consciência individual.

As regras e leis dentro do grupo são inúmeras e os membros vivem uma vida robotizada e programada dentro do grupo: para além das horas que têm que dedicar à pregação, têm que preparar reuniões, fazer estudo em família e a interessados, assistir a assembleias e congressos. Pouco tempo têm para desenvolver seus próprios interesses e praticamente tudo o que podem ou não fazer é ditado pela organização, através da sua liderança — o corpo governante. É um controle praticamente absoluto. E ai de quem desobedecer ou criticar os líderes!

O senhor diz que a seita destrutiva promove um controle dos indivíduos. Como esse controle acontece?

O controle é visto na forma como o grupo apresenta as suas doutrinas como sendo orientações divinas, que têm tanto peso ou mais do que a própria Bíblia. Em outros grupos, o líder é visto como um avatar ou um ser iluminado que tem contato com o divino. Quando as pessoas seguem estes líderes, elas obedecem, sem dúvidas ou questionamentos.

As Testemunhas de Jeová são doutrinadas a seguir lealmente o Corpo Governante, os líderes máximos na organização, mesmo que não entendam o ensino. A obediência dentro do grupo tem de ser absoluta e inequívoca. E isso faz com que as pessoas sejam avaliadas por essa obediência e a sua espiritualidade é medida exatamente na mesma proporção da sua dedicação e lealdade aos líderes.

Por exemplo, TUDO o que uma Testemunha de Jeová faz é passível de avaliação pelos líderes e pode conduzir a ser bem-vista ou mal-vista dentro do grupo. Em último caso, pode resultar na sua expulsão com a consequente ostracização ou morte social, onde nem um ‘oi’ pode ser dado ao passar pelo ‘desassociado’ na rua e deve-se evitar qualquer outro contato.

Os líderes promovem um clima de delação, onde as pessoas acabam-se vigiando umas às outras e qualquer passo em falso pode levar a pessoa a ser chamada perante os anciãos. Imagine o medo que cada Testemunha de Jeová sente de vir a perder, de um dia para o outro, o convívio social e até mesmo familiar por ser expulsa do grupo!

Até mesmo quem passa a discordar de algum ensino ou interpretação tem que silenciar a sua voz, pois sabe que se der a conhecer a sua discordância será taxado de “apóstata”, com a consequente expulsão humilhante do grupo.

Na sua opinião, quais os ensinos mais controversos das Testemunhas de Jeová?

Para mim, a questão do sangue é uma das doutrinas mais controversas, pois implica em decisões de vida ou morte e tem resultado ao longo de décadas em milhares de mortes que poderiam ter sido salvas pelo recurso aos componentes do sangue proibidos pela organização. Até mesmo componentes do sangue que hoje já são permitidos pelos líderes, como a albumina, hemoglobina e outros, já foram proibidos no passado. Alguns calcularam que pelo menos umas 50.000 pessoas já poderão ter morrido devido a esta interpretação extremista e incoerente, em todo o mundo.

Outro ensino que poucas pessoas conhecem– até mesmo dentro do grupo – é que a organização religiosa ensina que Jesus não é o mediador de todos os cristãos. Segundo os líderes, apenas os cristãos “ungidos” têm a Jesus como mediador.

Explicando melhor: no ensino oficial das Testemunhas de Jeová, os cristãos estão separados em dois grupos: os que irão viver no paraíso terrestre (Grande Multidão) e um pequeno número de cristãos que têm a chamada celestial – os 144.000. Apenas este último grupo tem a Jesus como mediador e apenas estes podem ser chamados de “Filhos de Deus”.

Para mim, este ensino está frontalmente contra aquilo que é ensinado no Novo Testamento, onde todos os cristãos têm a Jesus como seu mediador e implica diretamente na salvação do indivíduo.

As Testemunhas de Jeová podem ser classificadas como cristãs?

É uma boa questão. Tenho algumas reservas em afirmar que elas não são cristãs em sentido absoluto. Elas olham para Jesus como o modelo a seguir e acreditam em Jesus como o “Filho de Deus”, que deu a sua vida por nós. Mas que têm uma visão distorcida de Jesus lá isso têm. Visto que olham para Jesus através das lentes da organização, não possuem uma relação pessoal com ele. Na verdade, é a organização Torre de Vigia, por meio de seus líderes que media a relação de cada Testemunha de Jeová com Deus.

Jesus acaba por ser um meio para atingir um fim, pois é ensinado que Jesus deu à Sociedade Torre de Vigia a sua aprovação para ser sua representante na terra. Até mesmo é dito que os líderes da organização substituem a Cristo, conforme a Tradução do Novo Mundo de 2º Coríntios 5:20.

O senhor acredita que existam cristãos sinceros entre eles sendo enganados pelos ensinos das Testemunhas de Jeová?

Sim acredito! Quando alguém passa a estudar com as Testemunhas de Jeová e se converte ao grupo, acredita genuinamente que encontrou a verdade bíblica e que elas possuem a forma de adoração correta que agrada a Deus. Só que essa é depois canalizada para uma forma de idolatria organizacional, onde a pessoa tem que provar ser merecedora da salvação, praticando as obras que a Torre de Vigia exige para ela. É um processo gradual e a pessoa nem se apercebe.

Qual a principal característica que diferencia as Testemunhas de Jeová das denominações cristãs tradicionais?

Penso que existem várias características a nível doutrinal, tais como a rejeição do ensino da Trindade, imortalidade da alma, Inferno de Fogo, o ensino de que Jesus foi entronizado rei nos céus em 1914, entre outros ensinos. Penso que é difícil destacar apenas uma característica.

A seita tem sua “bíblia” em tradução própria, com muitas distorções em comparação com o texto original. Os integrantes percebem isso? Qual a explicação para essas distorções?

As Testemunhas de Jeová têm ensinos muito próprios, como todos bem sabem. Durante décadas elas usaram traduções que não apoiavam tais ensinos e com o tempo, os líderes sentiram necessidade de uma tradução que se encaixasse na sua visão teológica. Não vou ao ponto de dizer que elas fizeram muitas distorções, mas fizeram as necessárias em textos-chave que não estavam em harmonia com o seu entendimento doutrinal, especialmente com respeito à divindade de Jesus, à inserção do nome divino no Novo Testamento e ao uso da expressão “estaca de tortura” em vez de ‘cruz’.

Em cada caso desses a organização explica as razões para a tradução e porque acredita ser a forma mais correcta. Na maioria dos casos, do ponto de vista puramente gramatical tais traduções não estão incorrectas. Mas divergem profundamente da forma ortodoxa de tradução, que também está embasada na teologia dominante. No fundo, é quase sempre a teologia do tradutor que se vê refletida na tradução – seja ela qual for.

Do ponto de vista espiritual é grave distorcer textos bíblicos para adequar sua visão doutrinária. Pode citar um exemplo deste tipo de mudança no textos usado pelas Testemunhas de Jeová?

Um dos textos mais conhecidos e polémicos é o de João 1:1, onde no texto grego é declarado que o Verbo é Deus e na Tradução do Novo Mundo é acrescentado o artigo indefinido [um], ficando do seguinte modo:

“No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus, e a Palavra era um deus.”

Este é talvez dos textos mais polémicos e debatidos a nível doutrinal e teológico contra as Testemunhas de Jeová.

Como funciona a hierarquia das Testemunhas de Jeová? O que é preciso para ser um ancião?

A organização das Testemunhas de Jeová tem uma hierarquia muito clara e marcada, embora a organização apregoe aos sete ventos que não existe separação entre clérigos e leigos, como na ‘cristandade’.

No topo da pirâmide da hierarquia temos o Corpo Governante, que é uma forma de ‘papado coletivo’. São eles que detêm o poder efetivo sobre a comunidade religiosa e consideram-se guardiães da doutrina. São olhados como representantes de Cristo na terra.

Depois, a nível nacional temos as filiais ou congéneres da sede mundial que está nos EUA. Estas supervisionam todas as congregações do seu país, controlando tudo o que diz respeito à nomeação de anciãos e servos ministeriais (diáconos), questões jurídicas ou legais, etc.

Representantes destas filiais visitam anualmente cada congregação, em todo o país, para fazerem uma radiografia do estado da congregação: suas necessidades espirituais, a promoção da lealdade à organização e o cumprimento de objetivos que ela propõe. São chamados de ‘superintendentes de circuito’.

Depois temos os anciãos congregacionais, que são nomeados por estes representantes, a convite do corpo de anciãos que já exerce o poder na congregação. Para se chegar a ancião deve-se ter a ‘ficha limpa’, por assim dizer: não pode ter mau testemunho, deve ser um exemplo na congregação, ter uma boa média de horas, ser bom orador e ter qualidade de ensino.

Depois temos os servos ministeriais, o equivalente a diácono, que prestam serviços mais práticos na congregação em apoio dos anciãos, que apenas se devotam ao ensino e ao pastoreio espiritual.

Sabe-se que a organização religiosa das Testemunhas de Jeová tem tido problemas legais por causa de casos de encobrimento de abuso sexual de crianças. É assim tão grave?

Sim, de fato! A organização Torre de Vigia, tanto nos EUA, como em vários países ao redor do mundo, tem estado a braços com sucessivos escândalos a este nível. Devido às suas políticas internas, milhares de casos de abuso sexual foram, ao longo de décadas, “varridos para debaixo do tapete”, no esforço de esconder das autoridades tais abusos.

Desde exigirem duas testemunhas à vítima para que um alegado abusador fosse punido internamente, passando por exigirem que a vítima confrontasse o abusador diante de anciãos da congregação, os líderes das Testemunhas de Jeová tudo têm feito para que as vítimas não denunciassem tais casos às autoridades.

A Comissão Real Australiana trouxe isso a público, durante um inquérito realizado em 2015, onde depuseram vários representantes da Sociedade Torre de Vigia e até mesmo um membro do Corpo Governante, Geoffrey Jackson. Ficou mais que provado que a organização religiosa não zelou corretamente pela segurança das crianças nas congregações durante mais de 50 anos, ao permitir que os abusadores não fossem denunciados às autoridades e ao intimidar as vítimas por meio de suas políticas internas.

E não foram assim tão poucos os abusadores descobertos pela Comissão Real Australiana. Ao todo, descobriram 1006 abusadores nos ficheiros secretos da filial australiana. Sim, porque nas Testemunhas de Jeová existem registos secretos de tais casos, tanto nas congregações como na filial.

O mesmo se tem passado no Brasil, onde existem suspeitas e denúncias de tais casos escondidos por décadas!

O senhor participou nesta exposição de casos de abuso sexual de crianças aqui no Brasil, correto?

Correto! Após me chegarem às mãos documentos internos comprometedores que revelavam que a filial brasileira da Torre de Vigia tinha conhecimento deste tipo de crimes sexuais, contactei a Vana Lopes, vítima de Roger Abdelmassih e líder do grupo ‘Vítimas Unidas’ e expus-lhe a situação.

Através dela fiquei conhecendo o projecto AVARC, fundado pela promotora de justiça, Celeste Leite dos Santos e fiz a denúncia junto com outras ex-Testemunhas de Jeová, incluindo várias mulheres que foram vítimas de abuso sexual quando crianças ou adolescentes dentro do grupo.

Isto conduziu a que fosse aberto um processo de investigação que ainda dura, pelo que sei.

Segundo soube, a própria filial brasileira foi alvo de buscas e apreensão de material, na tentativa de encontrar evidências dos encobrimentos de abuso sexual, conforme noticiado posteriormente nos media brasileiros.

O senhor tem um livro que trata sobre as Testemunhas de Jeová. Qual o objetivo do livro?

É verdade. O livro “Apóstata! – Porque abandonei as Testemunhas de Jeová” foi escrito a convite de uma prestigiada editora internacional (Penguin Random House em Portugal), após ter dado algumas entrevistas nos media portugueses, a propósito da minha experiência enquanto dissidente das Testemunhas de Jeová.

O livro é uma autobiografia e conta a minha história de vida dentro deste grupo religioso, do qual fiz parte quase 40 anos de vida. É um testemunho e uma experiência pessoal que procura expor o que é ser educado como Testemunha de Jeová e toda a vivência que se tem no grupo ao longo de anos. Não é um ataque odioso à religião, mas expõe o que considero errado nela, além de muitas coisas que até mesmo são desconhecidas da maioria das Testemunhas de Jeová e do público em geral.

Tem recebido fantásticas críticas do público português e até do público brasileiro que já o leu. Como é uma edição portuguesa apenas está disponível como e-book para o público brasileiro, através da Amazon Brasil e Google ou encomendando o livro físico através da WOOK.pt.

Tenho procurado que uma editora brasileira se interesse em editar o livro no Brasil, de modo a que o livro também possa ser lido no vosso país. Há muitas pessoas interessadas em ter o livro em suas mãos e acredito que também teria muita procura.

Acredita que através da sua experiência pode ajudar outras pessoas a não serem enganadas por seitas destrutivas?

Sem dúvida que sim. Só quem passa pela experiência de pertencer a um grupo destes consegue dar valor e perceber os mecanismos e processos usados nestes grupos, desde o recrutamento à doutrinação, passando pela chamada ‘lavagem cerebral’ e a adoção de uma personalidade à imagem do líder e grupo.

Ao longo dos anos tenho usado a minha experiência no sentido de ajudar muitas pessoas que têm recorrido a mim em busca de opiniões, conselhos e ajuda prática. No fundo, a minha autobiografia foi o culminar desse processo que dura desde 2006 quando comecei, de modo anónimo, a expor online as Testemunhas de Jeová e a questão do sangue.

Já foi comparado a um Davi lutando contra um Golias. O senhor se vê desta forma?

Não sou propriamente pequeno, pois meço 1,86 metros (risos). Mas sim, qualquer pessoa que decida expor uma multinacional religiosa como são as Testemunhas de Jeová, com um vasto império imobiliário e financeiro torna-se um Davi em sentido figurativo.

Mas o meu objectivo não é ‘matar’ ninguém! O meu objetivo é expor o que sei, partilhando informações que acredito serem vitais para que uma pessoa tenha uma visão clara sobre as coisas e aja com ‘consentimento informado’, por assim dizer.

Não tenho nada contra as Testemunhas de Jeová enquanto indivíduos e abomino qualquer perseguição religiosa. As pessoas têm o direito de praticarem a sua fé e de pertencerem a um grupo religioso. Mas acredito que do mesmo modo que têm esse direito, eu e outros que pertenceram a esta organização religiosa por décadas e que sabemos tudo sobre ela, também temos o direito de expor o que acreditamos estar errado e que pode inclusivamente afetar de modo adverso a vida de pessoas e famílias.

Por isso, acredito que qualquer pessoa ANTES de se tornar uma Testemunha de Jeová deve pesquisar muito bem sobre o grupo, não apenas lendo as informações que os líderes das Testemunhas de Jeová querem que elas leiam, mas pesquisando o que ex-membros têm a dizer sobre o assunto. Isso aplica-se a qualquer grupo, não apenas às Testemunhas de Jeová. Acredito que o meu livro, nesse aspecto, poderá ser de ajuda!

O senhor possui um curso sobre seitas destrutivas. Trata apenas das Testemunhas de Jeová?

O curso que iniciei recentemente e que está numa plataforma brasileira bem conhecida, a Hotmart.com, chama-se ‘Seitas Destrutivas’ e pode ser visto em www.seitasdestrutivas.com.

Ele visa expor informação exata e clara sobre este tipo de grupos. Não é sobre as Testemunhas de Jeová e nem se foca em nenhum grupo de alto controlo em particular. O curso é transversal a todas as Seitas Destrutivas e Grupos de Alto Controlo que existem.

A informação passada no curso, em formato de vídeo-aula, é baseada em matéria de especialistas nestes grupos e procura transmitir de modo simples, mas abalizado, o que se sabe sobre o assunto: quais as características e forma de atuar destes grupos, os mecanismos psicológicos usados pelos líderes, a dinâmica de grupo que existe neles e muito mais.

Infelizmente, a maioria das pessoas não sabem nada sobre o assunto ou então têm noções distorcidas sobre o assunto. O curso não se centra em discutir doutrinas religiosas ou teológicas. Toda a matéria que passo para o aluno baseia-se em material académico e de especialistas reputados internacionalmente, tais como Steven Hassan, Janja Lalich e outros.

Quais as características das seitas destrutiva?

Existem várias características, mas uma das principais e que já mencionei anteriormente é que numa Seita Destrutiva tudo gira em torno do líder. Este detém um poder absoluto e inquestionável dentro do grupo e exige uma obediência cega às suas regras e leis.

São normalmente pessoas narcisistas, e megalómanas. Algumas sofrem de transtornos mentais como delírio de grandeza, outras é provável que sofram do Síndrome do Messias, acreditando que foram incumbidos por Deus para executarem o Seu plano divino de algum modo. Outros são verdadeiros charlatães que usam a sua personalidade magnética em proveito próprio e se servem das pessoas apenas para atingirem interesses pessoais e materiais.

Os líderes de tais grupos usam 3 ferramentas, digamos assim, para manipular os membros: liderança autoritária, engano e controlo mental. No meu curso explico isso em detalhe. Acredite que é muito interessante e ajuda-nos a perceber como, muitas vezes, pessoas inteligentes acabam por aderir a estes grupos, acabando por perder a sua individualidade e capacidade crítica. Tornam-se totalmente dependentes do líder e do grupo, regredindo para uma espécie de infância mental, onde até mesmo para fazerem simples decisões têm que consultar o líder ou grupo.

É um assunto que merece pesquisa e investigação, pois todos os anos milhares de pessoas são atraídas a este tipo de grupos. O meu curso visa exatamente expor o assunto para que as pessoas não sejam enganadas. Acredito que psicólogos, psiquiatras e terapeutas de saúde mental em geral seriam bastante beneficiados em fazer o curso, pois assim poderiam ajudar melhor as pessoas que passaram por tais experiências.

Até mesmo líderes religiosos deveriam conhecer este assunto, pois muitas das vezes concentram-se em questões doutrinais e teológicas e esquecem-se que estes grupos têm formas de persuadir as pessoas que vão além de questões doutrinais. É um verdadeiro jogo psicológico!

Qual sua relação com a fé depois de uma experiência negativa em uma seita destrutiva?

Apesar de ter ficado desiludido com a religião organizada, considero-me cristão e não perdi a fé. Simplesmente passei a valorizar mais a minha relação pessoal com Deus, por meio de Cristo, sem sentir necessidade de intermediários humanos, que muitas das vezes apenas servem para abusar da fé individual e que acabam por conduzi-la para uma idolatria organizacional.

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