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Educação Financeira

O que a Bíblia diz sobre a vida financeira?

Um teologia para suas finanças.

Tiago Rosas

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Dinheiro e mudas de árvores. (Foto: Nattanan Kanchanaprat / Pixabay)

A Lição de hoje tem a ver com a mordomia dos bens. Numa nota de 0 a 10, como você avaliaria a sua própria mordomia dos bens financeiros que Deus tem lhe concedido? Não se esqueça da regra estabelecida por Cristo: “A quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confiado, muito mais será pedido” (Lc 12.48, NVI).

Creio que a verdade prática que consta em nossa Lição (CPAD) resume bem os ensinos que deveremos fixar em nosso coração ao final desse estudo. As finanças do crente devem ser administradas para ele:

  1. Garantir o sustento da família
  2. Contribuir na manutenção da igreja local (e acrescento: da obra missionária)
  3. Ajudar o próximo

Desenvolveremos estes pontos nos tópicos a seguir.

Um teologia para a vida financeira

A Bíblia não é um livro sobre empreendimentos, nem um manual para homens ou mulheres de negócios. Todavia, é fato que há muita orientação na Palavra de Deus, tanto no Antigo como no Novo Testamento para uma vida financeira equilibrada, seja em família, seja nos negócios.

O cristão que quiser desfrutar de moderação nas economias, deverá meditar com regularidade no livro de Provérbios especialmente, onde há instruções práticas sobre trabalhar, economizar, juntar, investir e partilhar.

Vida financeira equilibrada

É conhecida de todos a oração feita por Agur: “…Não me dês nem pobreza nem riqueza; dá-me apenas o alimento necessário” (Pv 30.8). Claro que por “alimento” devemos entender não só a comida para nutrição do corpo, mas todos os recursos necessários para uma vida modesta e sossegada, sem as aflições da escassez ou as inquietações dos excessos. São “as demais coisas” (o que comer, beber e vestir) de que Jesus falou, que nos são acrescentadas pelo nosso Pai (Mt 6.33).

A oração de Agur é a oração do contentamento. Jesus nos ensinou a orar pedindo “o pão nosso de cada dia” (Mt 6.11), e Paulo nos exorta a que estejamos contentes, satisfeitos em Deus, tendo o que comer e o que vestir (1Tm 6.8).

A vida financeira do cristão, portanto, não pode ser conforme a concupiscência da carne ou dos olhos, nem a soberba da vida deste mundo vil (1Jo 2.16). O homem que não busca em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça, visa apenas o ganho, o lucro, o aumento de patrimônio e acúmulo de riquezas em contas bancárias. O mundo pode considerá-lo bem-sucedido, mas para Deus tal homem é um louco! (Lc 12.16-21).

O leitor da Bíblia precisa ter cautela, pois há promessas no Antigo Testamento, por exemplo, voltadas ao povo de Israel, ao remanescente fiel, de riquezas e honras na terra (Conf. Dt 28.1-14), que não se aplicam exatamente em todos os seus específicos aos cristãos, já que eram promessas ligadas a um pacto anterior ao da cruz.

Todavia, também é verdade que Deus pode conceder riquezas aos homens, conforme sua soberana vontade.

Ele pode dar cinco talentos a um, dois talentos a outro, e um talento a outro; “a cada um segundo a sua capacidade” (Mt 25.15). Jó reconhecia que todos os bens que ele possuía, foi “o Senhor quem deu” (Jó 1.21). A uns ricos, o Senhor empobrece; a uns pobres, o Senhor enriquece (1Sm 2.7).

E quando a crise nos atinge?

A combinação desses texto de 1 Samuel com o de Jó deve levar-nos a refletir uma séria realidade: nem sempre haverá o tão pretendido “equilíbrio financeiro” em nossas vidas, pois pode ser que por alguma adversidade da vida, crise econômica nacional ou provação do Senhor, nós experimentemos perca de bens e crise financeira.

A mulher do fluxo de sangue viu suas economias se esvaírem por causa de sua doença que se prolongava havia 12 anos (Mc 5.26); não é esta a realidade de muitas pessoas doentes ou que têm um enfermo em casa, com uma doença que tem consumido todos os rendimentos da família?

Habacuque estava consciente de que em virtude da crise moral que Judá estava vivendo uma outra crise abalaria aquele povo: a crise financeira por ocasião da invasão babilônica; de tal modo que o profeta exclama: “ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado…” (Hc 3.17).

Não temos nós vivido em nossos dias no Brasil a mais severa crise econômica das últimas décadas, na qual já se somam mais de 13 milhões de desempregados? Quantos agricultores, empresários ou empreendedores cristãos têm sofrido duros prejuízos com esta crise, a ponto de decretarem a falência de seus negócios, perturbando assim o equilíbrio financeiro que outrora viviam em família!

Quando a Bíblia diz “sete vezes cairá o justo” (Pv 24.16) não é “cair no pecado”, mas cair em calamidades, afinal, o mesmo sucede ao justo e ao ímpio (Ec 9.2).

O apóstolo Paulo sabia que dado seu chamado para as missões transculturais, o conforto financeiro não seria seu aliado constante. Como um bom missionário, Paulo precisava estar preparado tanto para “ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade” (Fp 4.12).

Semana passada estudamos sobre planejamento familiar. Combinada com a Lição de hoje, poderíamos dizer seguramente que todo casal deve prover-se de economias para o futuro, reconhecendo a instabilidade econômica do mundo. Todavia, precisa também estar ciente de que a vida não é um “mar de rosas”.

Os cônjuges quando diante do juiz e das testemunhas prometem ser fiel um ao outro, “na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza” não o juram em vão! Que casal nunca foi provado nestas questões? Certamente ainda o será. Mas se forem fiéis um ao outro e a Deus acima de tudo, o Senhor sempre lhes dará o escape.

O importante para nós cristãos, porém, é saber que “a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui” (Lc 12.15), ou seja, a riqueza material de um homem não o define moral e espiritualmente.

O pecado não tem classe social, nem pode ser expurgado mediante oferecimento de alta soma de dinheiro (Sl 49.7,8; Sf 1.18: “Nem a sua prata nem o seu ouro poderão livrá-los no dia da ira do Senhor”)! Caráter e santidade não se compram.

A verdadeira prosperidade das finanças (que não deve se confundir com o enriquecimento), está baseada, creio, nesse tripé: TRABALHO, ECONOMIA E PARTILHA. Desenvolveremos melhor nos tópicos seguintes, mas já ressalvo que o equilíbrio que nos convém na vida financeira é: Nem cobiça, nem preguiça; nem ostentação, nem desleixo.

“Não rico, para não me desviar; nem pobre, para não roubar” – como assim?!

As palavras de Agur podem provocar incômodo no leitor pós-moderno, especialmente quando ele justifica seu pedido pelo básico da seguinte forma: “…Se não, tendo demais, eu te negaria e te deixaria, e diria: ‘Quem é o Senhor?’ Se eu ficasse pobre, poderia vir a roubar, desonrando assim o nome do meu Deus” (Pv 30.9).

É claro que não só precisamos remover os óculos do “politicamente correto” ao interpretar essa oração, como precisamos ainda avaliar que aí estão expressos os sentimentos pessoais daquele que ora. É óbvio que este texto bíblico não estabelece uma necessária relação direta entre “ter demais e negar a Deus” ou “ser pobre e vir a roubar”.

Há ricos que honram a Deus com suas fazendas ou a despeito delas. Lembra-se de Abraão, o patriarca a quem Deus fez enriquecer, ou de Jó, “o homem mais rico do oriente”? E das mulheres que auxiliavam Jesus em seu ministério? E de Lídia, a vendedora de púrpura? Ou José de Arimatéia? (Conf. Gn 13.2; Jó 1.1.3; Lc 8.1-3; At 16.14,15; Mt 27.57-60). É perfeitamente possível ser uma pessoa abastada financeiramente, provida de muitos bens, ser um empresário bem-sucedido, ou um profissional altamente qualificado e bem remunerado… e acima de tudo isso, ser um fiel servo do Senhor Jesus Cristo!

Por outro lado, também há pobres mui dignos a despeito de suas poucas provisões, que não veem na pobreza motivação alguma para o crime ou envolvimento com coisas ilícitas. Trabalham e confiam em Deus para prover todas as coisas, segundo as suas necessidades (1Pe 5.7). Por isso Salomão reconhece: “Melhor é o pobre que anda na sua integridade do que o perverso de lábios e tolo” (Pv 19.1).

O crime, como se vê na sociedade brasileira, não é praticado só por pessoas pobres. Na verdade, os maiores roubos feitos nesta nação, vieram justamente de pessoas ricas, poderosas e influentes, que não sofriam necessidade de pão, nem passavam fome, mas que tomados pela ganância e avareza, buscaram ilicitamente riquezas para si: entrando em acordos ilegais, corrupção política ou superfaturação de contratos.

Políticos e empresários, não os pobres, é que têm promovido um verdadeiro saque aos cofres públicos do nosso país!

Todavia, o pedido de Agur, acompanhado de sua justificativa, é compreensível porque, embora não haja uma relação necessária entre riqueza e incredulidade ou pobreza e criminalidade, é empiricamente perceptível que há sim pobres que cedem às ciladas para o roubo em razão da sua necessidade, enquanto há também ricos que se afastam de Deus colocando seus corações nas riquezas.

Agur que sabia a fragilidade de seu próprio coração, queria não correr o risco nem de um lado, nem de outro. Assim, pede a Deus apenas o básico para viver, nem o luxo nem a miséria.

Mas ninguém poderia condenar, em virtude desta oração particular de Agur, um homem ou mulher que pedisse a Deus riquezas para melhor servir sua família, servir a obra missionária ou investir em serviços sociais em prol dos menos favorecidos na sociedade. Deus é quem sonda as intenções de cada coração!

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Casado, bacharel em teologia (Livre), evangelista da igreja Assembleia de Deus em Campina Grande-PB, administrador da página EBD Inteligente no Facebook e autor de quatro livros.

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