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opinião

Amor-próprio também tem a ver com o tipo de amor que você aceita receber

Ninguém deve abrir mão de sua dignidade.

Abner Ferreira

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Amor. (Photo by Tim Marshall on Unsplash)

Algumas pessoas confundem o amor com uma metáfora vazia. Não entendem que não se trata apenas de sentimento, mas de comportamento, gestos de respeito, carinho, cuidado, comprometimento e atenção.

E no amor não existe uma “cláusula” que obrigue qualquer pessoa a abrir mão de sua dignidade. É preciso certa dose de amor-próprio, de respeito a si mesmo, reconhecimento do seu valor.

Não há nenhuma contradição em um líder cristão estar orientando tal cuidado, já que a Bíblia diz que devemos “amar ao próximo como a si mesmo” (Mateus 22.39), o que exige alguns critérios para manter o amor-próprio no devido lugar.

No entanto, o que estou salientando aqui é que o amor-próprio também tem a ver com o tipo de amor que você aceita receber. Isso é aplicável a todas as relações interpessoais. Ter certo cuidado consigo é saudável.

Recebo frequentemente em meu gabinete de aconselhamento pastoral pessoas que estão sofrendo por aceitarem um falso amor. Elas nos procuram, a mim e minha esposa Marvi, completamente destroçadas.

“Ter cuidado de si mesmo” é um conselho bíblico eficaz para todas as áreas de nossas vidas (1 Timóteo 4.16). Isso quer dizer que se o amor que você tem aceitado te traz sofrimento, frustração, tristeza e baixa autoestima, então existe algo errado.

Sem falar naqueles relacionamentos abusivos, onde há humilhação, ofensas verbais, pressão psicológica e até violência física – algo inaceitável. Muitas pessoas se mantem presas a este tipo de relacionamento.

A meu ver, pessoas que aceitam comportamentos negativos como sendo amorosos não têm amor-próprio, já que estão se desvalorizando ao permitir que outras pessoas as tratem com indiferença.

Lembre-se que o amor vai além do sentimento, fala da maneira como tratamos e somos tratados. Amar a si mesmo nos obriga a aprender a dizer não para aquilo que está causando desonra.

Apesar de a palavra amor ter sido banalizada em nossos dias, ela representa o melhor que alguém pode oferecer. Veja o que diz a Bíblia sobre o amor em 1 Coríntios 13 e versículo 4 a 8:

O amor é paciente, o amor é bondoso.
Não inveja, não se vangloria, não se orgulha.
Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor.
O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade.
Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
O amor durará para sempre.

Não aceite receber qualquer tipo de amor. Aprenda a se valorizar como alguém que faz parte da família de Deus. Fomos criados a imagem e semelhança do Senhor. A ordem das coisas é muito simples:

Ame a Deus em primeiro lugar. É isso o que a Bíblia orienta em diversas ocasiões, quando afirma que devemos “amar o Senhor de todo o coração” (Marcos 12.28-30; Deuteronômio 6.5).

O segundo maior mandamento é: “Ame o seu próximo como a si mesmo” (Marcos 12.31; Levítico 19.18).

Mas a Bíblia também orienta a autoestima, embora não haja nenhum mandamento do tipo: “Ame a si mesmo”. Mas ela diz que precisamos amar o próximo como a nós mesmo, o que subentende certo cuidado e respeito para consigo mesmo.

Vamos nos amar um pouco mais. Nos alimentar melhor. Praticar exercícios físicos. Estudar e pensar no futuro. Buscar a realização dos nossos sonhos. E vamos aprender a nos relacionar da maneira correta, não aceitando menos do que merecemos.

Cristão, advogado, esposo, escritor, discípulo e Presidente da Assembleia de Deus em Madureira.

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