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Opinião

Onde está o gênio da lâmpada?

Quem prometeu riquezas em troca de adoração foi o satanás!

José Brissos-Lino

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Aladdin e o Gênio da Lâmpada. (Foto: Divulgação)

O salmo 37:3-4 diz-nos: “Confia no Senhor e faze o bem; habitarás na terra, e verdadeiramente serás alimentado. Deleita-te também no Senhor, e te concederá os desejos do teu coração.

O conto de Aladino é um dos mais famosos da colectânea árabe “As Mil e Uma Noites”. É a estória dum adolescente imaturo que se recusa a aprender o ofício do pai, alfaiate. Mesmo depois da morte do pai, quando tinha quinze anos, ele prefere brincar a trabalhar e leva a vida despreocupadamente.

Um dia encontra um mágico que o convence a resgatar uma lamparina que contém lá dentro um génio capaz de realizar todo e qualquer desejo que lhe peçam, o que daria muito mais poderes ao mágico. Mas a lamparina estava guardada numa gruta dum jardim encantado, com joias e moedas de ouro. A ideia era Aladino trazer a lamparina ao mágico e em troca ele pagava-lhe uma fortuna.

Quando Aladino vem já com a lamparina, esfrega-a sem querer. O génio sai e pergunta quais são os seus três desejos. Aladino diz que era tornar-se príncipe, casar com a princesa, filha do sultão, e passar a ser o governador do reino. Lá conseguiu, com muitas peripécias pelo meio.

Mas se observarmos bem, concluímos que alguns usam a Bíblia como se fosse a lâmpada mágica de Aladino. “Esfregam” a Bíblia em vez da lâmpada, à espera de verem Deus transformado no génio dos desejos, que está aos eu serviço e sai lá de dentro para satisfazer caprichos pessoais.

Apesar de tudo, podemos dizer que a lamparina (lâmpada) do cristão é a Palavra de Deus, e o “génio” é o próprio Deus. Mas não precisamos de “esfregar” a Bíblia, nem de esperar que dela saia um “génio mágico”, apesar de alguns tenderem a transformar a fé cristã numa espécie de mágica… 

De facto a Bíblia fala que Deus quer conceder-nos os desejos do nosso coração: Confia no Senhor e faze o bem; habitarás na terra, e verdadeiramente serás alimentado. Deleita-te também no Senhor, e te concederá os desejos do teu coração(Salmo 37:3-4).

Mas a mesma Bíblia também diz que semeamos o que colhemos: “Mas o meu povo não quis ouvir a minha voz, e Israel não me quis. Portanto eu os entreguei aos desejos dos seus corações, e andaram nos seus próprios conselhos” (Salmos 81:11-12). A lei espiritual da sementeira e da colheita funciona: “Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gálatas 6:7).

A Palavra de Deus acrescenta que estamos sujeitos a passar por aflições nesta vida: “Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (João 16:33). Mas conjuga esse alerta com uma palavra de esperança. Assim como Ele venceu o mundo, no seu nome e na sua força também nós o venceremos.

As Escrituras dizem ainda que somos o que somos pela Graça de Deus: “Mas pela graça de Deus sou o que sou” (1 Coríntios 15:10). Isto é, as nossas características de personalidade e a nossa posição social, assim como muitos outros parâmetros do que nos define não são impedimento para Deus trabalhar em nós, nos aperfeiçoar, equipar para as tarefas que nos entrega e até mudar.

Sobretudo ficamos a saber que a sua graça nos basta: “E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo” (2 Coríntios 12:9). Portanto, as nossas fragilidades não são apenas produto da nossa natureza mas até podem ser nossas aliadas, de modo a que Deus tenha as mãos livres para manifestar o seu poder nas pessoas fracas que somos. A humildade abre caminho à operação divina em nós, mas o orgulho fecha-o.

De facto não há nenhum génio da lâmpada, o que há e uma coisa chamada Graça de Deus. 

Não cremos na chamada Teologia da Prosperidade, mas cremos que Deus nos que fazer prosperar e tem planos de paz e bênção para nós. Não cremos na teoria da restituição, mas que Deus quer-nos dar sempre o melhor que podemos receber.

Quem prometeu riquezas em troca de adoração foi o satanás! A promessa de Deus é muitíssimo superior: salvação e vida eterna. 

Entretanto, a Sua Graça nos basta!

Nasceu em Lisboa (1954), é casado, tem dois filhos e um neto. Doutorado em Psicologia, Especialista em Ética e em Ciência das Religiões, é director do Mestrado em Ciência das Religiões na Universidade Lusófona, em Lisboa, coordenador do Instituto de Cristianismo Contemporâneo e investigador.

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