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opinião

Teologia da Prosperidade

É uma corrente doutrinária que defende que os cristãos foram criados por Deus para prosperar em todas as áreas da vida.

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Homem exibindo dinheiro
Homem exibindo dinheiro (Foto: Direitos Reservados/Deposiphotos)

A Teologia da Prosperidade é polêmica. Uns defendem e outros criticam, mas poucos sabem sobre a história e as características do movimento neopentecostal.

O que é a Teologia da Prosperidade

É uma corrente doutrinária que defende que os cristãos foram criados por Deus para prosperar em todas as áreas da vida. Todo sofrimento é visto como falta de fé e falta de determinar a vitória. O crente bem sucedido é aquele que tem fé e tem saúde plena (física, espiritual e emocional). Ficar doente indica falta de fé em Deus. A teologia também prega a riqueza material. A pobreza não faz parte dos planos divinos para os cristãos.

A origem e os adeptos

No mundo, a Teologia da Prosperidade surgir na década de 1940. Somente se constituiu como movimento doutrinário no decorrer dos anos de 1970 sob a liderança de Kenneth Hagin que se inspirou nas ideias de Essek Willian Kenyon. No Brasil, o movimento da prosperidade iniciou a trajetória em 1970 penetrando em ministérios paraeclesiásticos como, por exemplo, a Associação de Homens de Negócio do Evangelho Pleno (ADHONEP) e ainda em muitas igrejas evangélicas. São vários os adeptos como a Igreja Universal do Reino de Deus, do bispo Edir Macedo; a Igreja Apostólica Renascer em Cristo, do bispo Estevam Hernandes Filho e da bispa Sônia Hernandes; a Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra, do bispo Robson Rodovalho; a Igreja Nacional do Senhor Jesus Cristo, de Valnice Milhomens Coelho; a Igreja Internacional da Graça de Deus, do bispo Romildo Ribeiro Soares, conhecido como RR Soares. Esses são nomes expressivos e famosos no meio neopentecostal, mas existem diversas igrejas pouco conhecidas que também são adeptas das ideias da prosperidade.

As características da Teologia da Prosperidade

O neopentecostalismo não tem linha teológica própria. Muitas doutrinas que defende são parecidas com as do pentecostalismo da primeira e da segunda onda.

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Pouco ou nada se ministra nas igrejas neopentecostais sobre temas como justificação pela fé, predestinação ou escatologia. Esses temas são sempre estudados nas denominações históricas.

O neopentecostalismo agrega várias doutrinas e correntes teológicas, justamente porque não tem uma teologia bem definida. É um movimento fragmentado, onde cada líder (pastor ou bispo) desenvolve o seu ministério de forma autônoma, independente. Cada grupo (igreja) escolhe como será a sua liturgia. Umas igrejas pregam mais sobre cura. Outras enfatizam a libertação dos demônios (exorcismo). Outras escolhem trabalhar a batalha espiritual.

Todas pregam que o cristão não deve ser pobre, ficar doente ou passar por sofrimento. Isso significa falta de fé.

O neopentecostalismo não tem uma agenda de evangelização dos pobres. Com a visão de dinheiro e de riqueza, o discurso é dirigido às classes mais altas da sociedade. Não defendem o oprimido. Não lutam contra as injustiças sociais para mudá-las e proporcionar a melhora na vida das pessoas.

O foco é ministrar a riqueza na vida terrena. Prega-se mais sobre ser bem sucedido no presente do que no futuro.

Defendem a confissão positiva. Isso significa que o crente deve decretar a sua bênção. É literalmente trazer á existência o que se declara verbalmente. A pessoa cumpre a sua parte de ser fiel dando dízimo e Deus cumpre a parte dEle abençoando o fiel e cumprindo o seu desejo. Pode-se reivindicar de Deus as bênçãos desejadas.

Entendem que as doenças não são resultado dos problemas naturais da vida humana. As doenças não têm relação com problemas hereditários, com condições do meio ambiente (como a atual pandemia da Covid-19), com o contexto geográfico ou social (como uma população viver em uma cidade sem infraestrutura sanitária, por exemplo). As doenças são provocadas por agentes espirituais. Ficar doente é falta de fé em Deus.

Afirmam que é necessário combater as forças do mal. Muitas igrejas da prosperidade investem em projetos de batalha espiritual, de cura interior. Em algumas igrejas, como a Universal do Reino de Deus, os demônios são apresentados e entrevistados nos cultos que são transmitidos pela televisão e pela internet. Investem em quebra de maldição hereditária.

Há pouca ênfase no estudo histórico e teológico. Os cultos são baseados no aspecto emocional. As emoções exercem forte papel nas reuniões. Buscam as experiências em detrimento do conhecimento (estudos) da Bíblia.

Como não focam no estudo e na hermenêutica, os neopentecostais praticam a livre compreensão dos textos bíblicos o que leva a uma interpretação alegórica.

Dão ênfase aos textos do Antigo Testamento. Inclusive muitos rituais do judaísmo são praticados nos cultos cristãos. Isso significa sincretismo religioso uma vez que a doutrina de ambas as religiões são distintas. Além da prática judaica, também têm rituais que se assemelham às religiões de matriz africana (como o candomblé) e ao catolicismo romano como a prática de unção de objetos acreditando que os mesmos trarão bênçãos. Por exemplo, a venda de óleo ungido, de rosa vermelha, entre outros objetos.

Sensacionalismo é outro traço nos cultos. Um exemplo é quando, em algumas igrejas, as pessoas endemoniadas são entrevistadas.

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Grande ênfase nos testemunhos. Muitos fiéis dão testemunhos de cura de bênção material recebida durante os cultos. Nenhum depoimento de fracasso é mostrado.

O líder (pastor) é carismático e o centro das atenções. Dá-se pouco espaço para outros pastores convidados pregarem nas igrejas.

O dinheiro é sempre pedido de forma exagerada nas reuniões. Grande parte do culto é para pedir dinheiro dando a garantia de que Deus retribuirá cada doador.

Os dons espirituais são manifestados, mas pouco ou nenhum espaço é dado para a prática do dom da profecia.

O culto tem sempre música.

Investem nos meios de comunicação de massa como forma de ampliar as ideias da prosperidade. Usam rádio, televisão, jornais, revistas e internet amplamente. Os neopentecostais monopolizam a mídia.

A igreja ganha o aspecto de empresa. Há a profissionalização do pastorado. O fiel tornou-se cliente. A mensagem é vendida por meio de produtos como a rosa vermelha que é um ponto de contato para as pessoas receberam as bênçãos.

Incentivam as pessoas a serem patrocinadoras doando dinheiro ao ministério.

Não tem rol de membro. As pessoas não têm proximidade com o pastor. Entram e saem do templo sem conhecer uns aos outros, sem criar relacionamentos. Esse é um aspecto que facilita o trânsito religioso.

A diaconia é pouco realizada (o serviço de ajuda de uma pessoa à outra) porque os fiéis mal se conhecem dentro dos templos. Só participam das reuniões e vão para casa. Mas algumas igrejas neopentecostais estão organizando pequenos grupos para melhorar o relacionamento e aproximar mais as pessoas.

Há um favorecimento da crise doutrinária. O povo não é ensinado, não faz estudos bíblicos profundos. Pode até ter boas intenções, mas muitos líderes são biblicamente mal formados. Inclusive os bispos não incentivam e criticam o estudo teológico. O púlpito mostra, assim, a crise de conhecimento que as pessoas atravessam hoje.

A liturgia

Como as pessoas ganham a vitória? Por meio da participação nas campanhas e da compra de objetos ungidos. Isso é pregado diariamente. As igrejas neopentecostais fazem diversas campanhas como a “Seção do descarrego”, “Culto de Libertação”, “Campanha da Vitória”, “Campanha dos 318 pastores”, “Ano de Calebe”, “Jejum de Gideão”, “Campanha das dez bênçãos de Abraão”, entre outras atividades. Ficou muito famosa a cena de colocar um copo de água em cima da televisão. Depois que o pastor orar, a pessoa toma o copo d’água para ser abençoada.

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A diferença entre ideias pentecostais e neopentecostais

Antigamente, nas pregações das igrejas pentecostais, ministrava-se que o cristão poderia sofrer neste mundo, mas teria garantida a vida eterna no céu. Dizia-se que não se deveria ajuntar riqueza material na Terra, mas no céu. Era a ideia do “porvir”, uma ideia de recompensa que Deus daria aos Seus filhos na glória. Pregava-se que a dor, a morte a pobreza passariam quando a vida eterna no céu se estabelecesse. Existia uma pregação que privilegiava a riqueza da vida espiritual e não a material. Essa pregação mudou. Os neopentecostais não querem mais ter vida boa somente no céu. Querem desfrutar de riqueza aqui no mundo mesmo.

Diante das mudanças na sociedade e das novas demandas do mercado religioso, as lideranças neopentecostais ajustaram o discurso e criaram nova mensagem. Agora, os crentes participam e ajudam a Deus a cumprir as Suas promessas. O crente dá o dízimo, decreta verbalmente a sua vitória e Deus assim cumprirá a vontade do fiel. Atualmente, o sectarismo (segregação/separação) e o ascetismo (crença que a dor física e emocional hoje será recompensada pelo céu) cederam lugar à acomodação ao mundo. A parte do segmento evangélico adepto da Teologia da Prosperidade busca sucesso, fama, dinheiro, saúde, enfim, prosperidade nesta vida mesmo.

As decepções

Muitas pessoas estão abandonando as igrejas neopentecostais e tornando-se povo sem igreja quando não alcançam as bênçãos prometidas nos cultos. Dão dízimos e ofertas cumprindo as suas partes no acordo com Deus, mas não recebem o que desejam. Essas pessoas são as decepcionadas e isso tem gerado um movimento de evangélicos sem igreja (os desigrejados) ou ainda ajudado no grande trânsito religioso que é quando as pessoas vivem de igreja em igreja, não se tornam membros de nenhuma, não criam vínculos, não participam das atividades e não ajudam no crescimento de um grupo específico, contribuindo, assim, para o crescimento do Reino de Deus. São os evangélicos nômades ou autônomos. E outro problema que está acontecendo é de muitas pessoas, decepcionadas com as mensagens da prosperidade, tornarem-se desviadas, abandonando de vez a fé cristã.

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Jornalista, teóloga e professora. É doutoranda em Teologia pela Escola Superior de Teologia, no Rio Grande do Sul. Tem mestrado em Teologia pela Escola Superior de Teologia. Pós-graduação em MBA Gestão da Comunicação nas Organizações pela Universidade Católica de Brasília. Bacharelado em Comunicação Social, Jornalismo, pelo Centro de Ensino Unificado de Brasília. Licenciatura plena em História pelo Centro de Ensino Unificado de Brasília. Bacharelado em Teologia pela Faculdade Evangélica de Brasília

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