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Liberdade Cristã: Uma postura Bíblica

No essencial, unidade; no periférico, liberdade; em tudo, bondade.

Filipe Samuel Nunes

em

Liberdade
Liberdade (Foto: Reprodução/Pixabay)

Como lidar com uma Igreja Evangélica com a qual não mais nos identificamos? Se nem tudo é preto nem branco, como lidar com as áreas cinzentas? Como lidar com as nossas próprias incoerências ao mesmo tempo desejando ser melhores representantes de Cristo? Como harmonizar ética privada com um espírito público? Como fazer escolhas sobre assuntos que não são comandados nem proibidos pelas Escrituras? Perguntas incisivas num mundo de antagonismos irreparáveis.

Será que um Cristão pode ser comunista? Podem os Cristãos serem a favor do aborto? Ou votar em alguém que defende o aborto (como o próximo Presidente dos Estados Unidos)? Um crente pode beber cerveja? Pode um crente concordar com uniões homossexuais?

Algumas destas escolhas seriam o que alguns teólogos chamariam de adiaphora – coisas que não são ordenadas nem proibidas nas Escrituras. Adiaphora é o plural da palavra grega adiaphoron, que se refere a uma coisa que existe fora das categorias morais, algo que por si só não é aprovado nem condenado. Adiaphora significa literalmente “coisas indiferentes”. Os exemplos de “coisas indiferentes” abundam na vida do Cristão: a cor do tapete da sala, Coca-Cola ou Pepsi (nenhum dos dois, sempre Guaraná Antárctica!!!), a marca da geladeira, passar férias na montanha ou na praia, etc. Não há nada de errado em qualquer uma destas escolhas nestas áreas; há liberdade para fazer o que quisermos. Até aqui está fácil!

Mas é então que surgem outras questões de ordem mais ético-espiritual. Embora alguns crentes gostassem, não há leis Levíticas específicas contra o consumo de cerveja (nem contra os refrigerantes). A ausência de tais leis nas Escrituras significa que Deus nos concedeu liberdade para decidirmos se devemos ou não beber cerveja, ou se devemos ou não beber refrigerantes com elevada concentração de açucar que é caso da Coca-Cola e do Guaraná. Nesse sentido, beber é espiritualmente neutro, ainda que possa ser dietariamente questionável. Mas escolher entrarmos numa relação homosexual é contra a lei moral de Deus. É claramente condenado nas Escrituras que acreditamos ser autoridade máxima nas nossas vidas. E apoiar um político que seja a favor do aborto, por exemplo, será abrir espaço para matar a imago dei. Portanto, contrário à vontade revelada de Deus.

A magnitude da consciência

Naturalmente que aqui a consciência de cada um é a âncora espiritual que nos mantêm dentro da “boa e agradável vontade de Deus”. Não é de bom tom amarrar outros Cristãos em assuntos relacionados com adiaphora. Porque aí mesmo o próprio Deus garantiu a liberdade. Por exemplo, se a consciência de um determinado crente diz que ele nunca deve beber álcool em circunstância alguma, outros crentes não devem encorajar essa pessoa a ir contra a sua consciência. Mas, ao mesmo tempo, o abstémio não deve condenar os crentes que apreciam o copo de vinho ocasional. O mesmo se aplica àqueles que são vegetarianos convictos ou que estão convencidos de que devemos celebrar uma determinada festa religiosa num determinado dia. Paulo coloca a questão desta forma no capítulo 14 de Romanos: “Uma pessoa acredita que pode comer qualquer coisa, enquanto que a pessoa fraca come apenas vegetais. Que aquele que come não despreze aquele que se abstém, e que aquele que se abstém não julgue aquele que come, pois Deus acolheu-o”.

Paulo vai mais longe e diz que fazemos isto para alcançar a paz e a edificação mútua. Ao reconhecermos que certas coisas são em si mesmas adiaphora, evitamos discutir ou ofender por meras opiniões, brigando sobre assuntos em que em última análise não temos de concordar porque não são essenciais, nem para a salvação, nem para a nossa santificação. Também vale a pena dizer que, num sentido, nada do que fazemos é espiritualmente neutro, porque tudo o que fazemos pode – e deve – ser feito para a glória de Deus. Paulo diz em 1 Coríntios capítulo 10 que “quer comamos ou bebamos, quer façamos o que fizermos, façamos tudo para a glória de Deus”.

A atitude do coração

Isto significa, claro, que podemos escolher um tapete para a nossa sala, escolher deixar crescer a barba, ou beber uma bebida dolorosamente adocicada – tudo para a glória de Deus. Ou podemos fazer todas essas coisas sem o fazer para a glória de Deus. Assim, embora as possamos considerar adiaphora, espiritualmente neutras em si mesmas, todas estas coisas, na prática, ou estão a honrar a Deus ou a desonrar a Deus – dependendo se as fazemos ou não para a Sua Glória. O que importa é a atitude dos nossos corações.

E isto não nos deve surpreender. Mesmo as acções que normalmente seriam consideradas moralmente boas podem tornar-se moralmente más quando são feitas de uma certa forma. Pense, por exemplo, no capítulo 1 de Isaías, onde Deus condena pessoas que estão a fazer coisas muito religiosas – porque as estão a fazer hipocritamente. A atitude do coração para com Deus é essencial. Portanto, como crentes, devemos estar unidos no nosso desejo de obedecer às leis de Deus. E devemos sentir-nos livres para exercer a liberdade em assuntos não necessários à salvação. Mas ao exercermos essa liberdade, devemos estar atentos aos nossos irmãos e irmãs em Cristo.

No essencial, unidade; no periférico, liberdade; em tudo, bondade.

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Formou-se em Teologia na Inglaterra, exerceu trabalho pastoral durante 25 anos em Portugal e vive há 12 anos no Brasil onde ensina Inglês como segunda língua.

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