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devocional

Faxina emocional para a conquista plena de Canaã

Existem limpezas que só cabem a mim e a você pôr as mãos, não temos como delegar.

Larissa Amaral

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Mulher triste com cartaz de sorriso (Sydney Sims / Unsplash)

Há alguns dias eu percebi que o Pai está liberando umas chaves que têm me destravado rumo a uma maturidade reservada a um povo. Ela aciona uma porta baseada numa mente regada de pensamentos novos, aptos a desfrutar da totalidade que a “terra prometida” teria a oferecer. Deus ministrava que eu não poderia tomar posse de Canaã – uma terra conhecida por manar leite e mel – sem antes entendê-la.

A Bíblia nos conta a história do povo de Israel que, apesar de ter passado o Jordão debaixo da ordem de Deus e sob o comando do líder Josué, teve que enfrentar uma batalha para conquistar Jericó. Essa cidade acolhia muitos desafios, e um deles era a existência de habitantes gigantes. Isso não poderia ser problema para nenhum escolhido, que deveria ser forte e corajoso suficiente para cumprir a missão a qual foi designado (Josué 1).

É sabido que o triunfo não foi imediato – pós travessia. Mesmo habitando a terra, os Israelitas tiveram um tempo de estratégia e preparação antes da conquista final. Esse período encobriu renúncias, limpezas, decisões, respeitos (também às leis de Deus), obediência e acima de tudo, certezas daquilo que queriam levar como espólio mental.

A primícia de Deus nesse processo, foi a circuncisão dos filhos de Israel (Josué 5:9) como forma de ultimar a vergonha deles terem sido escravos no Egito. O Pai removeu a capa de escravo através do “ritual” e começou a deixar a marca de honra sobre eles. Em seguida, o maná cessou (Josué 5:12) e talvez isso foi algo preocupante para o povo, que imagino eu ter murmurado se Deus havia esquecido de alimentá-los.

O que eles talvez não compreenderam, foi que o maná era um artifício do deserto, e que agora, o Eterno estava liberando um novo tempo. Aos poucos, eles deveriam aprender a comer das novidades das campinas, plantar e colher os trigos de Jericó, posto que lá seria estabelecido e regado suas raízes.

Para aquisição da terra prometida, a presença de Deus foi destaque – representada pela arca da aliança do Senhor e os sete sacerdotes com trombetas (Josué 6:6). Isso nos destrava a ter o Pai sempre a frente das decisões e não somente como socorro bem presente na hora das aflições que a gente mesmo se meteu.

O povo tinha uma orientação divina e seguiam à risca as ordens do líder. Nós não temos um Josué, nós somos esses “Josués”, que devemos ouvir e obedecer a fim de encurtar processos e garantir a nossa vitória no “grito” e marchando em volta dos muros. Ouça-o e os problemas e obstáculos que nos impedem de atravessar as muralhas de Jericó, ruirão para que conquistemos esse sítio.

O meu ensinamento se assemelha. Certamente, a terra que mana leite e mel para mim é o Brasil (cheio de desafios e gigantes). Primeiro, eu tive que atravessar o oceano obedecendo uma ordem divina. Após, desceu a receita da verdadeira unção (ver nosso post referente) onde eu pude compreender que não há maturidade sem ela.

Logo, o Pai conversou e me orientou que eu não poderia entrar em Canaã com mente de escrava. O fato de eu ter saído do Egito e atravessado o deserto deveria ser captado como o “fim de um período”. Eu não estava mais ali e por isso, o maná não desceria. A hora era eu desfrutar das novidades que me sobreveio (OAB foi uma delas). Eu deveria me vestir de força e de coragem para o triunfo, pois a unção já havia descido sobre a minha vida. Essa mesma unção, me fez entender que eu já estava em Gilgal (Josué 5:9).

Ele continuou me orientando que em Canaã eu deveria entrar para governar, plantar, colher, usufruir e viver na terra que havia sido prometida a meus antepassados. Nesse lugar, só entrou as pessoas que venceram o deserto e se aqui estou, eu fiz parte do remanescente. Do Egito, saímos. O deserto, atravessamos. Em Canaã, o verbo é outro: adentrar. Tome posse, mas antes se prepare.

O que mais Deus vem trabalhando em mim são algumas certezas que me impulsionam a fazer uma faxina emocional. Ele me deu conceitos e chaves que me “empurra” para glória de Jericó mais rapidamente. Começou me dando uma firme definição sobre minha identidade. Removeu frustrações e dores antes nunca superadas.

Hoje, quase nada me ofende porque eu sei quem sou nEle. Posteriormente, me fez entender o motivo de eu ter sido levada a Suíça. Lá eu fui preparada com muita mirra e cássia no protótipo “Rainha Ester” e mesmo apesar da aparência bela da terra, ela sempre foi meu deserto do Sinai. Depois, Ele me fez entender o meu status de preciosa e de filha do Rei – título que sempre carreguei mas que vivia jogando minhas pérolas aos porcos.

Tem me mostrado que dizer “não” me faz ganhar e me protege. E revela que, ser transparente, ajustar coisas e pessoas em seus devidos lugares faz parte da oportunidade de reconstruir muros antes em ruínas.

E o mais interessante, nos últimos dias, o Pai me permitiu sofrer uma afronta acerca do meu estado civil. A pessoa que assim agiu, acredita que esse estado momentâneo é um problema para mim. Seria (e já foi) se eu não tivesse recebido o significado real dessa palavra. Ser solteiro é ser integral – sou inteira/Solteira – e se assim não estiveres, sugiro o altar para absolver e desenvolver esse ensinamento. (Vide culto online “as Marias”, Abba Pai Church. Youtube, 2020).

Às vezes, temos um problema em vivermos as nossas fases com excelência. Uma das melhores estações é a infância. A nossa única preocupação é se nossos pais vão nos deixar sair com nossos amiguinhos a fim de brincarmos. A meta é “desaparecer” no esconde-esconde ou se esquivar da bola no “queimado”. Mesmo assim, atropelamos com namoradinhos, ou pior, nos roubam com abusos.

Quando crescemos, somos inseridos numa meta social que nos escraviza se não atingirmos. Ser casado e ter filhos é uma das perguntas que não se calam no dia a dia de muitos solteiros. Mas o que a maioria não consegue compreender (e hoje eu venho entregar essa chave a muitos) é que amigos e namorados não podem somar. Eles devem existir para contribuir com as alegrias e plenitude que já possuímos por nós mesmos, não para ser essas emoções. Ser solteiro é precioso, pois serve para nos conhecermos e amarmos nossa companhia. Estamos sendo preparados para um novo tempo em que só a morte nos separará.

Fui ensinada que deveria se casar para fazer o outro feliz. Mas não podia oferecer essa alegria porque eu nem a tinha – não era absoluta. Agora eu entendo que nos casamos para diminuirmos. A matemática de Deus diverge da nossa – um mais um para o Senhor é um (deixar pai e mãe e tornar-se-ão uma só carne).

Estão prontos? Isso só me leva entender que o problema de muitos relacionamentos quebrados pode ser porque as pessoas se casam sem entender a essência desse princípio e depositam no outro a expectativa que serão “integrais” quando na verdade se unem a “desnatados” (ou são esses). Ninguém tem a capacidade de fazer o outro feliz e sim dar suporte. Onde está a coerência em fazer alguém plena se não formos? É para isso que serve a estação “solteira”, porque com a inteireza estabelecida, renunciar “eus” se torna menos complicado.

Para concluir, vocês hão de concordar que o melhor de uma faxina são os resultados. O cheiro da limpeza e dos lençóis trocados é uma sensação ímpar. É árduo, quando somos nós que a fazemos. E na maioria das vezes, precisamos repetir o trabalho quando pagamos um profissional que não deixou o ambiente como gostaríamos. Existem limpezas que só cabem a mim e a você pôr as mãos, não temos como delegar.

E quando essa faxina nos leva a lugares de excelência e conquistas em Deus, nada mais prazeroso para o processo. Estamos chegando a Jericó, mas já instalados em suas campinas. Sejam guerreiros e conquiste-a. Fiquemos atentos com o estágio.

Algumas situações são ordenado por Deus e a gente só obedece; outras serão atuação única dEle; e as mais importantes, quando heranças deverão ser renunciada exclusivamente pelos novos habitantes dessa terra, ou seja, eu e vocês. Não te mandei eu? Esforça-te e tendes bom ânimo porque o Senhor teu Deus é contigo por onde quer que andares (Josué 1:9).

Larissa Fabiana do Amaral Pereira é advogada, membro da igreja Bola de Neve em Mossoró (RN). Uma das idealizadoras do ministério Preciosas e ex-aluna do Instituo Teológico Detrás das letras, na Suíça.

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