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Estudos Bíblicos

Ceia do Senhor sem reunião presencial da igreja é jantar

Há coisas que vamos sentir falta e que devemos sentir falta.

Filipe Samuel Nunes

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Fiéis participando da Ceia do Senhor (Nico Smit / Unsplash)

Durante este tempo de distanciamento e isolamento físico, alguns têm perguntado sobre ter comunhão durante o serviço de live-stream. Já que vivemos o canto e o sermão, por que não viver o serviço de comunhão e permitir que cada família o observe em sua própria casa? Isso parece razoável, mas nossa eclesiologia do Novo Testamento não nos permitirá fazer isso.

Em primeiro lugar, há um princípio geral que temos estado a aplicar, e é este: o que está a ser transmitido ao vivo e participado através da Internet não é verdadeiramente a igreja, ou a eclesiologia. Para que a assembleia (eclesia) seja a assembléia, a assembleia é necessária. Certo?

Esta assembleia não pode ser uma assembleia virtual, ela deve ser presencial, uma assembleia física. Em nossa marcante era digital, sentimos falta de algo quando pensamos que podemos duplicar as coisas eletronicamente. Não podemos.

Não podemos reproduzir a igreja virtualmente mais do que a encarnação do Filho de Deus poderia ter sido uma encarnação virtual. Carne e sangue, exige carne e sangue (João 1:14; Heb. 2:14).

Assim, embora sejamos gratos pela tecnologia que nos permite cantar o louvor de Deus em nossos lares, ouvir a Palavra de Deus em nossos lares, e nos conecta de forma indireta, o que estamos fazendo não é o que o Novo Testamento chama de reunião. Se isso é verdade, então definitivamente não poderíamos participar virtualmente da verdadeira koinonia ao redor do pão e do cálice.

O pão e o cálice são uma das razões pelas quais a igreja se reúne. Não podemos perder isso, especialmente na carta de Paulo aos Coríntios. Lucas já havia enfatizado a natureza corporativa da igreja no livro de Atos (Atos 1:6; 2:6; 20:7). Há uma ênfase na reunião da igreja em um só lugar. Paulo enfatiza isso em 1º Cor. 11:17, 18, 20, 33-34.

A Ceia do Senhor é uma celebração do corpo de Cristo, pelo corpo de Cristo, dentro do corpo de Cristo reunido. Ray Van Neste comenta, “descrever a Ceia do Senhor como uma ordenança da igreja é afirmar que este rito foi dado à igreja para praticar e não simplesmente a cristãos individuais”.

John L. Dagg argumenta da mesma forma, “o rito foi concebido para ser social… [ele] requer que seja celebrado por uma companhia de pessoas… O rito deve ser celebrado pela igreja, em assembleia pública”.

A Ceia do Senhor é uma ordenança que Jesus deu à igreja que ressalta não apenas o seu sacrifício pelos nossos pecados, mas a unidade da igreja uns com os outros. Paulo enfatiza isso em 1º Cor. 10:16-17: o único pão representa a unidade do corpo.

Bobby Jamieson faz este ponto: “A Ceia do Senhor opera a unidade da igreja. Ela consome a unidade da igreja. Reúne os muitos que participam dos mesmos elementos juntos, no mesmo lugar, e os faz um só.

Assim, transformar a Ceia do Senhor em algo diferente de uma refeição de toda a igreja, sentados juntos na mesma sala, é torná-la algo diferente da Ceia do Senhor.

Portanto, não é o caso de uma Janta do Senhor, virtualmente mediada, fisicamente dispersa, ser menos do que ideal: simplesmente não é a Ceia do Senhor”.

Nossa eclesiologia, a doutrina e a prática da igreja, exige que pensemos corporalmente (o que é contrário à nossa cultura individualista). Nossa eclesiologia exige que pensemos sobre a natureza da Ceia e as particularidades de sua observância. O que o Novo Testamento ensina e nossos antepassados confirmam é que a Ceia nunca é uma ordenança para indivíduos ou famílias. É para a igreja local reunida.

Por mais triste que seja, a Ceia do Senhor é uma das áreas críticas da vida da igreja que simplesmente vamos sentir falta.

É nossa oração que realmente sentiremos falta dela, sua ausência dolorosamente sentida. Mas aqui está algo a ser aplicado ao seu próprio coração: se você não tem o hábito de estar presente na Mesa do Senhor em circunstâncias normais, então seu coração não vai desejar por isso sob essas circunstâncias incomuns.

Não perder a Ceia é um reflexo indiscutível de que as palavras: “Fazei isto em memória de mim”, não agarraram o vosso coração nem a vossa consciência.

Durante este tempo de Covid-19, há coisas que vamos sentir falta e que devemos sentir falta.

Devemos sentir saudades de nos vermos face a face, de nos cumprimentarmos calorosamente, de ouvir a Palavra juntos, de cantar juntos, de orar juntos. Faremos o nosso melhor usando os meios que temos para que a Palavra ainda saia, para que as canções ainda sejam cantadas. Mas todos nós sabemos que não é a mesma coisa.

Mas há outros aspectos da vida em conjunto que não podem e não devem ser feitos usando qualquer meio possível, e a Ceia do Senhor é uma dessas coisas.

Portanto, deixe o seu coração ansiar por ela, olhar para ela com ansiedade e deixar que a sua ausência sentida o leve a uma maior apreciação por ela.

Que na próxima vez que você segurar o pão e o cálice, ao lado dos crentes sentados de cada lado de você, possa comer e beber com lágrimas de alegria para um Salvador maravilhoso que o reuniu à sua família ao redor da sua mesa.

Formou-se em Teologia na Inglaterra, exerceu trabalho pastoral durante 25 anos em Portugal e vive há 12 anos no Brasil onde ensina Inglês como segunda língua.

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