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Opinião

Subsídios para o perfil do servo de Deus

Se queremos mesmo servir a Deus, nunca nos esqueçamos que somos resposta à oração de alguém

José Brissos-Lino

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Ilustração de Moisés. (Foto: JW.org)

A chamada de Moisés diante da sarça ardente, no Monte Horebe descrita no Livro de Êxodo, capítulo 3, ajuda-nos a entender o perfil do servo de Deus.

Um servo de Deus é aquele que se torna resposta à necessidade de alguém

Deus não precisa de servos de carne e osso que o sirvam a Si mesmo. Tem miríades de anjos para tal. Mas precisa, chama, prepara e envia aqueles que se dispõem a servi-Lo, servindo o irmão e o próximo.

Só podemos servir a Deus servindo os outros, não há outra forma. Aqueles que dizem: “Eu não sirvo a homens, eu sirvo a Deus!”, de facto não servem ninguém… E servir alguém é trabalhar para responder à sua necessidade, que pode ser espiritual, física, emocional ou pastoral.

Deus chamou Moisés para responder às aflições do povo hebreu: “E disse o Senhor: Tenho visto atentamente a aflição do meu povo, que está no Egito, e tenho ouvido o seu clamor por causa dos seus exatores, porque conheci as suas dores. Portanto desci para livrá-lo da mão dos egípcios, e para fazê-lo subir daquela terra, a uma terra boa e larga, a uma terra que mana leite e mel; ao lugar do cananeu, e do heteu, e do amorreu, e do perizeu, e do heveu, e do jebuseu. E agora, eis que o clamor dos filhos de Israel é vindo a mim, e também tenho visto a opressão com que os egípcios os oprimem” (Êxodo 3:7-9).

Um servo de Deus é sempre mandatado para uma missão

O Senhor entrega a cada um dos seus servos uma determinada missão para cumprir. É por isso que lhe chamamos Senhor, e não para que ele se limite a satisfazer os nossos desejos ou a carimbar a sua aprovação nos nossos planos pessoais, à revelia da sua vontade.

A fidelidade e a entrega à missão que nos é proposta é que define o nosso desempenho enquanto servos. O Deus do Antigo Israel não se fez presente no arbusto ardente no Monte Horebe apenas para conversar ou ter comunhão com Moisés, mas sobretudo para lhe entregar uma missão: “Vem agora, pois, e eu te enviarei a Faraó para que tires o meu povo (os filhos de Israel) do Egito” (v. 10).

Até aí Moisés não era um servo do Deus de seus pais, apenas alguém que tinha recebido alguma informação das origens do seu povo, desde o patriarca Abraão, por transmissão oral, mas em cujo imaginário o conceito de Deus estava demasiado esbatido, a ponto de nem saber como havia de apresentar ao seu povo o Deus que agora falava consigo: “Então disse Moisés a Deus: Eis que quando eu for aos filhos de Israel, e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós; e eles me disserem: Qual é o seu nome? Que lhes direi?” (v. 13).

Se alguém se diz servo de Deus e não tem consciência da sua missão, estará apenas a marcar passo e a ser inconsequente.

Um servo de Deus conhece a sua identidade

A primeira objecção de Moisés à sua chamada, no diálogo com Deus, foi reconhecer que nem sequer sabia quem era: “Então Moisés disse a Deus: Quem sou eu, que vá a Faraó e tire do Egito os filhos de Israel?” (v. 11).

Depois do seu nascimento atribulado, da sua salvação das águas, dos anos de crescimento e educação no palácio do faraó, da morte do egípcio e da fuga para longe, e sobretudo depois de quarenta anos de actividade pastorícia no deserto do Sinai, é normal que não soubesse bem quem era. Um nómada, um pastor, um foragido, um hebreu, o neto adoptivo do rei do Egipto?

O servo precisa de aprender quem é. Quem somos nós em Cristo? Se o servo não estiver convicto da sua identidade nunca poderá ser fiel nem levar a missão até ao fim.

O servo de Deus trabalha sempre em parceria com Ele

Deus passa a caminhar connosco e deixamos de andar sozinhos: “E disse: Certamente eu serei contigo; e isto te será por sinal de que eu te enviei: Quando houveres tirado este povo do Egito, servireis a Deus neste monte” (v. 12).

No reino de Deus ninguém trabalha sozinho, é sempre parceiro de Deus.

Paulo e Barnabé, numa das suas viagens missionárias, apresentaram o Evangelho na sinagoga dos judeus em Antioquia da Pisídia. Em consequência disso foram perseguidos e expulsos da cidade.

Partiram então para a cidade de Icónio, mais iam alegres e cheios do Espírito Santo, tal como os demais discípulos: “Sacudindo, porém, contra eles o pó dos seus pés, partiram para Icónio. E os discípulos estavam cheios de alegria e do Espírito Santo” (Actos 13:51,52). Isto é, tinham uma parceria com o Espírito Santo.

Se queremos mesmo servir a Deus, nunca nos esqueçamos que somos resposta à oração de alguém; somos mandatados para uma missão; descobrimos a nossa identidade e tornamo-nos parceiros de Deus.

Nasceu em Lisboa (1954), é casado, tem dois filhos e um neto. Doutorado em Psicologia, Especialista em Ética e em Ciência das Religiões, é director do Mestrado em Ciência das Religiões na Universidade Lusófona, em Lisboa, coordenador do Instituto de Cristianismo Contemporâneo e investigador.

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