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Opinião

Do sucesso do servo

Será que queremos mesmo servir a Deus?

José Brissos-Lino

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Ilustração de Moisés. (Foto: JW.org)

A figura de Moisés personifica o protótipo do servo de Deus bem-sucedido. Mas o sucesso do servo, segundo Deus, não é que aceitem a sua mensagem, mas sim que ouçam a sua voz, algo que Jonas nunca entendeu.

“De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens” (Filipenses 2:5-7).

A capacidade do servo vem sempre de Cima

Deus torna-se penhor do cumprimento da tarefa, por isso sabemos que somos capazes de cumprir a nossa missão: “E disse: Certamente eu serei contigo; e isto te será por sinal de que eu te enviei: Quando houveres tirado este povo do Egito, servireis a Deus neste monte (Êxodo 3:12b). O Monte Horebe ficaria na história do Antigo Israel como penhor do cumprimento divino, como testemunho da fidelidade de Deus.

Moisés era um homem inseguro por diversas razões. Viera fugido do Egipto, andava há quarenta anos no deserto do Sinai a guardar cabras e ovelhas e tinha uma ideia vaga do Deus dos antepassados, de tal forma que nem conhecia o seu nome (v 13).

Também tinha um defeito na fala e já não se lembraria do protocolo com que se devia apresentar-se num palácio, perante o faraó. Quando vemos e ouvimos alguns líderes cristãos actuais cheios de si mesmos, a disfarçar com uma falsa espiritualidade a sua presunção e auto-suficiência, não enxergamos neles a figura do servo. Não vemos Cristo. 

É Deus que torna o seu servo credível

“Então disse Moisés a Deus: Eis que quando eu for aos filhos de Israel, e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós; e eles me disserem: Qual é o seu nome? Que lhes direi? E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós(v. 13-14).

A credibilidade do servo não vem do reconhecimento público, da composição da imagem, nem da influência política. Não está nos cargos que se ocupam ou no tamanho do rebanho que se pastoreia, mas sim na fidelidade à missão recebida da parte de Deus. A nossa credibilidade vem sempre de Deus.

O servo desenvolve um discurso inspirado pelo Espírito Santo

O servo recebe de Deus uma mensagem de esperança, de fé, de liberdade e de futuro: “E Deus disse mais a Moisés: Assim dirás aos filhos de Israel: O Senhor Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó, me enviou a vós; este é meu nome eternamente, e este é meu memorial de geração em geração. Vai, e ajunta os anciãos de Israel e dize-lhes: O Senhor Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, me apareceu, dizendo: Certamente vos tenho visitado e visto o que vos é feito no Egito. Portanto eu disse: Far-vos-ei subir da aflição do Egito à terra do cananeu, do heteu, do amorreu, do perizeu, do heveu e do jebuseu, a uma terra que mana leite e mel” (v. 15-17).

Quem não fala da parte de Deus não traz bênção. Quem não remete para o Deus revelado quando fala ao seu povo, mas sim para outros interesses, sejam eles financeiros ou políticos, não deve ser ouvido. A credibilidade do servo não está na sua preparação escolar, eloquência ou aspecto elaborado, mas sim na mensagem que profere, inspirada pelo Espírito Santo, que só pode ser de esperança, fé, liberdade e futuro.

À partida o servo tem garantia de sucesso, havendo fidelidade

Sucesso é que ouçam a nossa voz, não que aceitem a mensagem, e isto foi algo que Jonas nunca entendeu (Livro de Jonas): “ouvirão a tua voz” (18a); “Eu sei, porém, que o rei do Egito não vos deixará ir” (19).

A maturidade do servo ensina-o a centrar-se na tarefa e não nos resultados. Moisés foi fiel à tarefa que Deus lhe entregou, passando o recado ao rei do Egipto.

Apesar disso o monarca não aceitou o desafio de libertar os hebreus. Mas logo depois Deus entrou em acção na história, enviou as pragas e a situação modificou-se radicalmente.

O povo de Abraão. Isaque e Jacob não só saiu do Egipto como ainda veio carregado de prata e ouro dos egípcios, que depois serviu para fundir e criar as alfaias religiosas que haveriam de ser utilizadas no culto ao Senhor no templo do deserto, o Tabernáculo.

Se queremos mesmo servir a Deus, receberemos capacidade sobrenatural e credibilidade; falaremos as palavras que o Espírito Santo põe na nossa boca; e seremos bem-sucedidos, do ponto de vista de Deus, isto é, cumpriremos fielmente a missão que nos foi confiada.

Será que queremos mesmo servir a Deus?

Nasceu em Lisboa (1954), é casado, tem dois filhos e um neto. Doutorado em Psicologia, Especialista em Ética e em Ciência das Religiões, é director do Mestrado em Ciência das Religiões na Universidade Lusófona, em Lisboa, coordenador do Instituto de Cristianismo Contemporâneo e investigador.

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