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O que é a batalha de Gogue e Magogue?

Estamos falando de uma profecia que indica pessoas reais, já que por trás das nações existem governantes.

Cris Beloni

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Foguetes são lançados da Faixa de Gaza
Foguetes são lançados em direção a Israel (Foto: Ariel Schalit/AP)

“Quando terminarem os mil anos, Satanás será solto da sua prisão e sairá para enganar as nações que estão nos quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, a fim de reuni-las para a batalha. Seu número é como a areia do mar.” (Apocalipse 20.7-8)

Significado de Gogue e Magogue

Magogue – historicamente falando, Magogue era filho de Jafé e neto de Noé.

“Estes foram os filhos de Jafé: Gômer, Magogue, Madai, Javã, Tubal, Meseque e Tirás.” (Gênesis 10.2)

Seus descendentes se estabeleceram no extremo norte e, depois disso, o nome “Magogue” se tornou o nome daquela terra. Então, Magogue deu origem a um ou mais povos.

Gogue – foi um príncipe rebelde da terra de Magogue, que liderou um exército para atacar o povo de Deus.

Mas, no livro de Ezequiel, Gogue e Magogue são nomes “simbólicos” dados às nações que se rebelam contra Deus e são hostis ao seu povo. Veja o que diz a profecia:

“Veio a mim esta palavra do SENHOR: Filho do homem, vire o rosto contra Gogue, da terra de Magogue, o príncipe maior de Meseque e de Tubal; profetize contra ele e diga: Assim diz o Soberano SENHOR: Estou contra você, ó Gogue, príncipe maior de Meseque e de Tubal.” (Ezequiel 38.1-3)

“Quando Gogue atacar Israel, será despertado o meu furor…” (Ezequiel 38.18)

Perceba que existe uma conexão entre as profecias apresentadas nos livros de Ezequiel e Apocalipse. Lembrando que Ezequiel foi escrito por volta de 590 a.C. e Apocalipse, aproximadamente, em 95 d.C. Na estrutura dos textos apresentados há uma referência a uma guerra contra o povo de Israel.

Veja ainda que no capítulo 39 do livro de Ezequiel, diz que o povo de Israel viveu arrasado e espalhado por muitas nações, mas que se recupera das guerras e é reunido novamente.

“Então eles saberão que eu sou o SENHOR, o seu Deus, pois, embora os tenha enviado para o exílio entre as nações, eu os reunirei em sua própria terra, sem deixar um único deles para trás.” (Ezequiel 39.28)

E o que vemos através da história? Que os judeus realmente estão retornando para Israel em número cada vez maior e por vários motivos: antissemitismo, crise econômica, ideologia religiosa ou sionismo. Mas, especificamente, em 2020, o processo de imigração acelerou por conta da COVID-19.

Essa informação vem do Parlamento israelense. Segundo dados oficiais, só em maio deste ano foram abertos cerca de 700 casos, contra 130 no mesmo mês de 2019. Isso porque qualquer judeu, assim como filhos ou netos, pode se beneficiar da “lei do retorno” e obter automaticamente a cidadania israelense. A nova ministra da Imigração, Pnina Tamano, prevê a chegada de 90 mil judeus em 2020.

E, no tempo em que Israel estiver vivendo em paz, segurança e prosperidade em seu próprio território, então, conforme a profecia bíblica, será atacado numa batalha que a Bíblia chama de Gogue e Magogue. Em seguida, haverá um grande terremoto e várias catástrofes naturais, acontecimentos vistos como “julgamentos de Deus”. O capítulo 39 de Ezequiel diz ainda que Israel sairá vencedor, que sua terra será purificada e que as nações verão a glória de Deus.

Conclusão sobre o termo “Gogue e Magogue”

Possivelmente, uma coalizão – união entre nações que têm o mesmo objetivo. Então estamos falando de uma profecia que indica pessoas reais, já que por trás das nações existem governantes. Logo, concluímos que não se trata apenas de um movimento espiritual maligno. No livro “Ezequiel – Introdução e Comentário” da Série Cultura Bíblica, página 218, o autor John Taylor comenta que “o nome é menos relevante do que aquilo que simboliza, a saber: o cabeça personificado das forças do mal que intentam a destruição do povo de Deus.

Na Bíblia de Estudo NVI, nos comentários da página 1432, diz que “a restauração futura de Israel como reino da casa de Davi, sofrerá resistência por parte de uma coligação maciça das potências mundiais, com o intuito de destruir o reino de Deus.” Mas esse intento vai terminar com o triste cenário de “cadáveres espalhados pelos campos da terra prometida”.

Também é possível que o nome Gogue tenha sido utilizado para indicar os povos descendentes de Jafé. Vale a pena observar que Meseque e Tubal, citados na profecia, também foram filhos de Jafé.

Entre a simbologia e a literalidade

“Nos montes de Israel você cairá, você e todas as suas tropas e as nações que estiverem com você. Eu darei você como comida a todo tipo de ave que come carniça e aos animais do campo.” (Ezequiel 39.4)

Quando a Bíblia diz que “aves comem cadáveres” possivelmente está se referindo a pessoas de carne e osso, já que as aves não devoram espíritos. Então, Gogue e Magogue pode mesmo ser uma guerra no mundo real.

“Naquele dia darei a Gogue um túmulo em Israel.” (Ezequiel 39.11)

Espíritos também não são enterrados. Então, a conclusão mais lógica é a de que não se trata apenas de criaturas espirituais. Mas, é claro, que por trás de todas essas nações haverá um líder espiritual, que é o próprio satanás.

Mas o povo de Deus sempre será protegido. Veja:

“Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não está no pecado; aquele que nasceu de Deus protege, e o Maligno não o atinge. Sabemos que somos de Deus e que o mundo todo está sob o poder do Maligno.” (1 João 5.18-19)

É possível identificar as nações que se reunirão contra Israel?

Todo cuidado é pouco na interpretação das profecias apocalípticas. O professor Luiz Sayão alerta sobre as dificuldades de interpretar textos que são proféticos e apocalípticos ao mesmo tempo. Embora o cenário aponte para uma batalha física, há uma série de simbolismos presentes.

Talvez não seja adequado buscar as nações da antiguidade na geografia do Oriente Médio atual. Aliás, conforme Sayão “os povos que habitam aquela região, em grande parte, não são os povos da antiguidade”. Ele cita como exemplo a Síria. “Os sírios de hoje são árabes, e os sírios de antigamente eram arameus”. O teólogo esclarece que as conexões geográficas não se encaixam nas profecias em questão, já que o cenário atual envolve povos diferenciados.

É possível identificar alguns lugares, mas não todos. Por exemplo, quando a Bíblia cita Elão é a região da antiga Pérsia, conhecida hoje por Irã. Assur que era a capital da Assíria, é o atual Iraque. Arã é Síria. Cuxe pode ser a terra da Etiópia, mas há outras alternativas dependendo do texto. Mizraim é Egito. Pute é a região da Líbia, mais ao lado ocidental. Gomer está na região da antiga Anatólia, mais para o lado do norte, e Magogue também. E Javã é uma expressão geral para a Grécia.

Mas perceba também que a Bíblia utiliza nomes de nações para representar a iniquidade e a corrupção humana de forma global. Egito, Babilônia e Império Romano, por exemplo, representam a mesma coisa. Esses nomes nem sempre são usados para falar das nações, especificamente, mas como modelo de impiedade.

Gogue pode ser uma referência ao anticristo?

Quando a profecia usa o termo “Gogue e Magogue” ela parece indicar um grupo de governantes, mas também parece falar diretamente com uma pessoa, no singular. Isso faz com que muitos estudiosos cheguem à conclusão de que pode se tratar do anticristo. Daí, alguns estudiosos deste século apontam para o Rússia ou o Irã, por exemplo, e passam a sugerir nomes de nações que estarão envolvidas no conflito.

O professor Luiz Sayão não aconselha esse tipo de interpretação e explica que Gogue e Magogue é uma referência às forças do mal que apoiam o anticristo. Então, apontar este ou aquele como a personificação do anticristo não é viável, nem mesmo tentar indicar quais nações farão parte do ataque. Além disso, nem todos os teólogos concordam que a batalha será literal.

Conclusão

O termo Gogue e Magogue é utilizado na Bíblia para indicar que haverá uma batalha contra Israel. Esse exército inimigo será muito numeroso. Sabemos disso porque a profecia diz, metaforicamente: “como a areia do mar”. Será formado por nações inimigas que estão espalhadas pelo mundo inteiro. Mas existe ainda uma pergunta bem difícil de responder: quando vai acontecer essa batalha? A profecia diz “quando terminarem os mil anos”.

Mas essa questão do milênio é, provavelmente, a que mais divide os teólogos em suas interpretações. “Mil anos” é um termo simbólico ou literal? Já está acontecendo ou é uma profecia para o futuro? O milênio vem antes ou depois da Grande Tribulação? Essas são perguntas que já estão na mira do Bíblia Investigada.

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Jornalista e pesquisadora apaixonada pela Bíblia. Desenvolveu um trabalho de "Jornalismo Investigativo Bíblico", é autora dos livros Derrubando Mitos e Apocalipse Investigado. Seus temas envolvem missões transculturais, Igreja Perseguida, teorias científicas, escatologia e análises de textos bíblicos.

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