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opinião

O Cristianismo bíblico como única solução

Alguns conservadores ainda defendem a utilidade social dos valores cristãos.

Filipe Samuel Nunes

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Cúpula da igreja desaba
Cúpula de igreja desaba em Santiago (Reprodução/YouTube)

A maneira mais rápida de sermos classificados de “bobos” é admitir que temos uma crença religiosa, especialmente uma crença Cristã. O anti-cristianismo costumava ser o antissemitismo dos intelectuais; agora os Cristãos não recebem atenção especial a não ser para serem chacinados. Todos os Cristãos são considerados estúpidos, excêntricos ou malévolos. Alguns conservadores ainda defendem a utilidade social dos valores Cristãos. O conservador sensato pergunta: se a sociedade prosperou com estas tradições e costumes, será realmente sábio deixar tudo isso? Mas, ninguém o escuta.

É precisamente isso que o Ocidente em geral está fazendo, especialmente o Ocidente anglófono. A Grã-Bretanha e os Estados Unidos, anteriormente tementes a Deus, estão a tornar-se sociedades ateístas. A tendência de declínio radical da crença Cristã é inegável e assustadora. Historicamente este é um dado novo. Tem havido períodos de prática religiosa muito baixa na Europa – em meados do século XVIII, por exemplo – e noutras sociedades ocidentais. Todavia, nunca houve uma situação de crença ateia generalizada (o ateísmo é uma fé como qualquer outra, apenas menos razoável). Curiosamente o Cristianismo está pegando fogo na Ásia – é a única força social que o partido comunista Chinês não consegue controlar – e na África e até certo ponto na América Latina. É também a religião mais perseguida. Do Paquistão ao Médio Oriente, os Cristãos levam o seu compromisso com Cristo tão a sério que aceitam a morte em vez de renunciar a sua fé. Na União Europeia, por contraste, a opinião liberal moderna não só é hostil ao Cristianismo, como também se envergonha de qualquer ligação com ele. Se a UE despreza as partes boas da sua história europeia, então não é de estranhar que as pessoas estejam a perder a fé na UE.

Duas situações explicam este estado de coisas. A explicação teológica dá conta duma desilusão extrema com a fé Bíblica, desde a ênfase renovada na humanidade durante o Renascimento, passando pelos desafios filosóficos, até às guerras em nome da religião. A desassociação da fé e da razão no Iluminismo que fertilizaram uma deconfiança na autoridade da Bíblia, não ajudaram e os escândalos dentro das Igrejas Evangélicas (e não só) deram o golpe de misericórdia. Depois há a explicação social. Até ao final da década de 1950, o Ocidente em geral ainda observava uma praxis religiosa. A revolução sexual, a extrema desorientação provocada pela rápida disseminação das tecnologias da informação, a pornografia omnipresente e a sexualização precoce dos jovens, passando pelos progressismos de identidade de género, raça e sexo, criaram uma sociedade exageradamente narcisista e intolerante levando o Cristianismo ao colapso de hoje. 

O prestígio do Ocidente tem diminuído à medida que a sua crença no Cristianismo tem diminuído. O mundo está cheio de sociedades e movimentos vigorosos – nacionalismo Chinês e Russo, islamismo em todas as suas formas, dinamismo económico da Ásia Oriental – que já não pensam que o Ocidente tenha muito a contribuir para este mundo. E aqui surge uma connclusão desconcertante: O Ocidente só sobrevirá com uma crença firme no Cristianismo. A ideia de que podemos viver do capital moral do Cristianismo, da sua ética e tradições, sem acreditarmos nele, apela naturalmente aos conservadores. Mas não se consegue inspirar os jovens com uma visão que alegremente se admite surgir de crenças que são uma superstição a necessitarem de actualização. Tipo versão que precisa de up-date!  O Cristianismo Bíblico ou é verdade, ou é inútil.

Daí que seja essencial afirmar e reiterar a Verdade do Cristianismo Bíblicamente fundamentado. A crença na Verdade Bíblica e num Cristianismo baseado na Bíblia, vai muito além duma ausência de ateísmo. Esta crença em Deus está em conformidade com a nossa intuição, e com a esmagadora história da experiência humana. Deus é um Deus de relacionamentos. E a longa experiência humana de se relacionar com Deus, é um testemunho persuasivo de que Ele está lá e existe e que o que a Bíblia diz sobre Ele é real. A herança que o Cristianismo Bíblico legou a este mundo em turbilhão, é imensa. 

Vejamos: A questão feminina.  A afirmação mais radical a favor da dignidade humana (e da mulher) no mundo antigo vem no Livro do Génesis – os seres humanos são criados à semelhança e imagem de Deus. Esta verdade revolucionou a forma como as mulheres passaram a ser consideradas. Na realidade, passaram a ser consideradas em vez de ignoradas. Cada mulher, como cada homem, possuía uma alma imortal e estava envolvida numa relação pessoal com o Deus vivo. Parece simples. Mas, foi revolucionária. (veja-se a este propósito a forma como os Puritanos tinham a mulher em grande consideração). Uma das principais razões porque o Cristianismo se espalhou tão rapidamente nos anos após a morte de Cristo foi o seu tratamento das mulheres. As famílias cristãs não matavam meninas, por isso tinham muito mais filhas. Como resultado, elas eram mais felizes. As filhas cristãs converteram então os homens pagãos com quem casaram.

A liberdade de consciência também cresceu directa e organicamente a partir do Cristianismo. Tertuliano, no século III declarou: “Todos devem ser livres de adorar de acordo com as suas próprias convicções”. Bento, no século VI estabeleceu as primeiras comunidades democráticas e igualitárias – os mosteiros beneditinos – que combinavam trabalho árduo, bem-estar social, estudo Bíblico e uma vida de oração. A igreja lutou para afastar o conceito de pecado do conceito de crime. Ou seja, as chamadas liberdades cívicas são herança directa do Cristianismo e norteiam a nossa sociedade hoje. 

Naturalmente, que a adesão formal ao Cristianismo não absolve ninguém da condição humana com todas as suas fragilidades. Mas o Cristianismo chama sempre os seus seguidores de volta aos princípios e valores dos Evangelhos. Podemos ler os Evangelhos, ou Santo Agostinho no século IV, ou Tomás de Aquino no século XIII, ou John Wesley ou William Wilberforce no século XVIII, e reconhecer que todos habitamos o mesmo universo moral, a mesma cultura. E isso é algo de espantoso.

Ora, a sociedade libertária de hoje, rejeita as suas raízes cristãs, isolando-se de uma tradição viva. Está a percorrer o caminho cada vez mais febril da política de identidade, rejeitando o universalismo Cristão do qual nasceu. Enfatiza que o homem é tóxico criando abismos desnecessários entre os sexos, e fomenta um modelo de relacionamentos na base da raça, prejudicando a harmonia entre os povos.  

Por isso é essencial elevar bem alto a eficácia do Cristianismo Bíblico. Ele é o “poder de Deus para salvação de todo o que crê”. Esta é uma verdade incontornável. Em tempos de fontes envenenadas, esta água é boa e faz bem.

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Formou-se em Teologia na Inglaterra, exerceu trabalho pastoral durante 25 anos em Portugal e vive há 12 anos no Brasil onde ensina Inglês como segunda língua.

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