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opinião

Igreja não é Capitania Hereditária

Um nepotismo nefasto e descarado.

Armando Taranto Neto

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Pastorzão no escritório
Pastorzão no escritório (Foto: Reprodução/Gratisoraphy)

Em I Samuel 8.1-6 está escrito:

“E sucedeu que, tendo Samuel envelhecido, constituiu a seus filhos por juízes sobre Israel. E o nome do seu filho primogênito era Joel, e o nome do seu segundo, Abia; e foram juízes em Berseba. Porém seus filhos não andaram pelos caminhos dele, antes se inclinaram à avareza, e aceitaram suborno, e perverteram o direito.
Então todos os anciãos de Israel se congregaram, e vieram a Samuel, a Ramá,
E disseram-lhe: Eis que já estás velho, e teus filhos não andam pelos teus caminhos; constitui-nos, pois, agora um rei sobre nós, para que ele nos julgue, como o têm todas as nações. Porém esta palavra pareceu mal aos olhos de Samuel, quando disseram: Dá-nos um rei, para que nos julgue. E Samuel orou ao Senhor.”

As Capitanias Hereditárias foram um sistema administrativo implementado pela Coroa Portuguesa no Brasil em 1534.

“Basicamente eram formadas por faixas de terra que partiam do litoral para o interior, comandadas por donatários e cuja posse era passada de forma hereditária. O “Capitão Donatário” era a autoridade máxima em sua Capitania. Ele governava, fazia justiça e cobrava impostos. Devia também defender, povoar e cultivar suas terras.” (todamateria.com.br)

O papel do Donatário era explorar ao máximo sua posse, usar e abusar.

O território do Brasil, pertencente a Portugal, foi dividido em faixas de terras e concedidas aos nobres de confiança do rei D. João III (1502-1557). Essas poderiam ser passadas de pai pra filho e por isso, foram chamadas de hereditárias.

O texto de referência nos informa que Samuel, o Juiz e Profeta estabelecido pelo Senhor para governar sobre Israel, já havia envelhecido e, ato contínuo, estabeleceu seus dois filhos para ajudá-lo e, posteriormente, substituí-lo nesta árdua missão. Entretanto Joel e Abias não desfrutavam do mesmo caráter do pai, eram corruptos e “pervertiam o juízo” (Prevaricavam – faltavam ao cumprimento do dever por interesse ou má-, cometiam abuso de poder, eram moralmente reprováveis, provocavam injustiças e causavam prejuízos a outrem). Não sendo aceitos pelo povo foram denunciados.

Não quero me ater ao episódio da rejeição de Israel a Samuel, mas colocar uma luz sobre o fato de o velho profeta ter constituído seus próprios filhos a substituí-lo no sacro ofício.

É interessante que nos juízes anteriores percebe-se a intervenção direta ou indireta do Senhor na escolha ou separação dos regentes. Mas Samuel resolve inovar, ele mesmo providencia os substitutos, seus próprios filhos. Resultado, a tragédia.

É lamentável como a história humana se replica. Vide a situação de muitos igrejas em nossos dias.

Grandes ministérios se transformaram em verdadeiras “Capitanias Hereditárias” espirituais. Líderes “Capitães Donatários” poderosos, com suas vidas regaladas, provenientes das gordas prebendas, negociatas e sabe-se lá mais o que,  não cumprem mais a recomendação Bíblica de Efésios 4.11:

“E ele deu uns como apóstolos, e outros como profetas, e outros como evangelistas, e outros como pastores e mestres…” (ARA)  ; observe que o texto é claro no original grego “Ele mesmo deu” (καὶ αὐτὸς ἔδωκεν) (GNT 1904 Nestle), ou seja, os apóstolos, profetas, evangelistas os pastores e mestres “SÃO PRESENTES DE DEUS”, dádivas de Deus para a Noiva de Cristo, pois é Ele o Dono da Igreja.

Com raríssimas exceções, hoje os filhos, genros, irmãos, netos, sobrinhos, etc, é que são “presenteados” com uma Igreja pelo “Donatário da Capitania”. Um nepotismo nefasto e descarado.

É muito melhor deixar o controle do “Sistema Hereditário” com  “Ofni, Finéias. Abias e Joel” de casa do que correr o risco de ser substituído e denunciado por um homem de Deus que venha descobrir toda desgraça na qual transformaram a Casa de oração.

A história do Sumo Sacerdote Eli reflete bem estes tais. O velho profeta cego e obeso de tanto se empanturrar das “carnes que não lhe convinham” morreu inerte testemunhando o fim de seus dois filhos abomináveis e o abandono da glória do Senhor de sobre a nação.

É bem verdade que existem filhos de pastores que sim, foram chamados para a liderança, e alguns atualmente dirigem um ministério maior ainda que o de seus próprios pais, conhecemos vários deles, mas este fato é uma exceção e não regra. O problema é que alguns arraiais já deixaram a muito tempo de ser uma igreja, e se transformaram em uma empresa em que seus liderados tem, inclusive, “metas financeiras” a cumprir.

A história de Samuel teve um amargo final, não por sua culpa, mas pela corrupção de seus filhos e também o ardente desejo de Israel em trocar o governo de Jeová por um rei como as demais nações.

A lição que fica para todos nós, líderes e liderados, é que a Igreja não é uma “Capitania Hereditária” de escritura passada a quem quer que seja, Ela tem um dono, e este não é o pastor, mas Cristo.

Sempre haverá o desejo por parte de alguns de serem governados por um rei como as outras nações, mas graças a Deus que o amoroso Pai sempre nos presenteará com um Pastor segundo o Seu coração.

A Santa Igreja de Cristo será sempre cuidada como uma Noiva, mas a igreja “Capitania Hereditária do Donatário” será incansavelmente explorada, usada, abusada e descartada como uma pobre prostituta.

Que Deus nos abençoe e nos guarde dos tais.

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Graduado em Teologia. Pós-graduado em Teologia Bíblica. Mestre em Sociologia da Religião. Doutorando em Teologia.

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