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Opinião

Eu denuncio!

A “teologia da experiência” não é pentecostal

Alex Esteves

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EU DENUNCIO uma tentativa de sequestro da fé pentecostal que está em curso em nossos dias, e que deve ser considerada uma ameaça real, perigosíssima e deletéria quanto às convicções fundamentais da fé cristã.

EU DENUNCIO os agentes dessa tentativa de sequestro como sujeitos que, a partir de uma visão de mundo progressista, promovem uma “teologia da experiência” como se fosse teologia pentecostal, e empregam o método histórico-crítico de interpretação das Escrituras associado a um método pós-moderno travestido de “hermenêutica pentecostal”, razão pela qual podem ser chamados de “pós-liberais”.

EU DENUNCIO o esquerdismo teológico no meio pentecostal como uma mistura de revisionismo histórico do Movimento Pentecostal, pós-liberalismo teológico e reformulação da cosmovisão pentecostal.

EU DENUNCIO o revisionismo histórico do Movimento Pentecostal na atitude de quem enxerga o Movimento Pentecostal como um movimento social de resistência formado por negros, pobres, mulheres, migrantes, oprimidos e marginalizados; Frida Vingren como uma feminista e insubordinada; e a teologia protestante tradicional como mero fruto de etnocentrismo europeu e “estadunidense”.

EU DENUNCIO o pós-liberalismo teológico no meio pentecostal como a aplicação, à teologia pentecostal – especialmente no campo da hermenêutica -, de pressupostos e métodos pós-modernistas, que fazem ver a Bíblia como um livro que pode ser estudado e interpretado à luz (ou às sombras…) de teorias literárias de desconstrução do texto.

EU DENUNCIO a tal “hermenêutica pentecostal” dos pós-liberais como uma manipulação desabrida e um ataque severo ao método histórico-gramatical, como se este fosse filho do Modernismo, e não estivesse amparado nas Escrituras, na História da Igreja e na própria história particular do Movimento Pentecostal.

EU DENUNCIO a teologia da experiência como uma proposta teológica pseudopentecostal porque subjetivista e existencialista, em que a experiência não é um conceito pneumatológico, mas, sim, existencial; como uma bandeira da esquerda teológica porque baseada na premissa de que o credo e a prática do crente pentecostal estariam subordinadas a condicionamentos sociais, econômicos, educacionais e culturais; e como uma heresia porque considera a Bíblia como mero registro de experiências com a revelação divina, e não como a própria Palavra divinamente inspirada.

EU DENUNCIO e classifico como “seita experiencialista” o tipo de pentecostalismo que esses homens têm promovido, o que passa pela desconsideração da doutrina da inspiração divina das Escrituras, dos concílios eclesiásticos, dos sistemas teológicos, das declarações de fé e da instituição de doutrinas oficiais.

EU DENUNCIO a reformulação progressista da cosmovisão pentecostal como mais um capítulo da trajetória universal do ressentimento, agora tentando contrapor a visão de mundo pentecostal à visão de mundo protestante, como se o crente pentecostal estivesse amparado em um tipo de racionalidade diferente da Razão, sendo esta racionalidade alternativa algo mais subjetivo, afetivo e intuitivo.

EU DENUNCIO a pretensão de ineditismo e a contradição dos próceres dessa tentativa de sequestro da fé pentecostal, pois, ao mesmo tempo em que se dizem defensores da teologia pentecostal, desprezam-na porque supostamente limitada à pneumatologia e caudatária da herança protestante, da qual buscam se afastar.

EU DENUNCIO a desonestidade intelectual de quem, em lugar de reunir argumentos em favor de suas ideias, fabrica a tese segundo a qual seriam “calvinistas” os críticos da teologia da experiência, do pós-liberalismo e da “hermenêutica pentecostal” pós-moderna.

EU DENUNCIO a postura desses sequestradores da fé pentecostal como fruto de uma “tempestade perfeita”, constituída por reação ao interesse de muitos pentecostais pela fé reformada, disputa pelo mercado editorial pentecostal-carismático, estratégia política contra o “conservadorismo” pentecostal, aumento do interesse acadêmico-ideológico pela atmosfera pentecostal clássica e sedução intelectual de pentecostais desejosos de obter formação teológica aprovada pelo Ministério da Educação, além da falta de adesão firme aos fundamentos da fé cristã, doença que acomete grande parcela da igreja evangélica brasileira.

EU DENUNCIO o comportamento atrofiado de quem, conquanto muito “atento” a questões doutrinário-teológicas de soteriologia, pneumatologia e escatologia, não consegue perceber ataques frontais a temas caríssimos às bases da fé cristã, os quais se acham relacionados ao caráter da Bíblia como a Palavra de Deus inspirada, inerrante, infalível, autoritativa, suficiente, absoluta e eterna.

EU DENUNCIO na condição de cabeças aqueles que têm elaborado e ensinado os erros que se abrigam na tentativa de sequestro ora explicitada; na condição de cúmplices aqueles que, devidamente alertados do perigo, se postam como seus porta-vozes e militantes; e na condição de omissos aqueles que nada fazem contra o atentado à fé, embora o devessem fazer.

Arrolo como provas a Bíblia Sagrada, artigos, livros, palestras disponíveis ao público, e tudo o que à defesa da fé se tem como legítimo, aguardando-se do Justo Juiz o Seu elevado veredito.

Ministro do Evangelho (ofício de evangelista), da Assembleia de Deus em Salvador/BA. Foi membro do Conselho de Educação e Cultura da Convenção Fraternal dos Ministros das Igrejas Evangélicas Assembleia de Deus no Estado da Bahia, antes de se filiar à CEADEB (Convenção Estadual das Assembleias de Deus na Bahia). Bacharel em Direito.

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