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Estudos Bíblicos

Deus abandonou Jesus na cruz?

Será que Jesus foi realmente abandonado por Deus naquele momento tão difícil?

Cris Beloni

em

Jesus na Cruz em "The Bible" (Divulgação)

“E houve trevas sobre toda a terra, do meio dia às três horas da tarde. Por volta das três horas da tarde, Jesus bradou em alta voz: Eloí, Eloí, lamá sabactâni? que significa: Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste?” (Mateus 27.45-46)

Em algumas versões diz: Por que me desamparaste?

Será que Jesus foi realmente abandonado por Deus naquele momento tão difícil?

Na cruz, todos os pecados da humanidade estavam sobre Jesus, e sabemos que Ele morreu em nosso lugar. Ali naquela cruz Ele enfrentou o juízo divino. Logo, a sensação de abandono representava a separação entre o ser humano e Deus.

Mas Jesus não estava ali apenas expressando seus sentimentos, Ele estava cumprindo sua missão. Suas palavras são as mesmas do Salmo 22, que é conhecido como o “Salmo da cruz”, escrito por Davi por volta de 993 a.C.. O salmo davídico apresenta conexões com a experiência de Jesus na cruz.

O teólogo Luiz Sayão explica que os textos dos Salmos 22 e 69 são aplicados “messianicamente”, apresentando paralelos entre uma queixa individual de Davi, feita a Deus quando ele estava sendo perseguido pelos seus inimigos e o sofrimento de Jesus na cruz, como forma de profecia.

Sayão diz que os textos do passado foram escritos sem que o autor soubesse que estava escrevendo algo que ia além do sentido original do que ele estava vivendo. Muitos estudiosos chamam esse fato de “sensus plenior”.

Essa expressão vem do latim e quer dizer “sentido mais pleno” ou ainda “um sentido mais profundo do texto”. Quer dizer que a intenção de Deus aparece no texto, além do que disse o autor humano. Vamos analisar alguns trechos do Salmo 22:

“Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste? Por que estás tão longe de salvar-me, tão longe dos meus gritos de angústia? Meu Deus! Eu clamo de dia, mas não respondes; de noite, e não recebo alívio!” (Salmos 22.1-2)

“Como água me derramei, e todos os meus ossos estão desconjuntados. Meu coração se tornou como cera; derreteu-se no meu íntimo. Meu vigor secou-se como um caco de barro, e a minha língua gruda no céu da boca; deixaste-me no pó, à beira da morte. Cães me rodearam! Um bando de homens maus me cercou! Perfuraram minhas mãos e meus pés. Posso contar todos os meus ossos, mas eles me encaram com desprezo. Dividiram as minhas roupas entre si, e tiraram sortes pelas minhas vestes. Tu, porém, Senhor, não fiques distante! Ó minha força, vem logo em meu socorro!” (Salmos 22.14-19)

O Salmo apresenta detalhes importantes sobre o sofrimento de Cristo e foi escrito praticamente mil anos antes de seu nascimento.

Perceba que no mesmo Salmo, Davi diz que Deus não menosprezou o seu sofrimento:

“Louvem-no, vocês que temem o Senhor! Glorifiquem-no, todos vocês, descendentes de Jacó! Tremam diante dele, todos vocês, descendentes de Israel! Pois não menosprezou nem repudiou o sofrimento do aflito; não escondeu dele o rosto, mas ouviu o seu grito de socorro.”(Salmos 22.23-24)

E o Salmo 22 tem um desfecho vitorioso:

“Todos os confins da terra se lembrarão e se voltarão para o Senhor, e todas as famílias das nações se prostrarão diante dele, pois do Senhor é o reino; ele governa as nações.” (Salmos 22.27-28)

Ao dizer: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” Jesus estava recitando só um pedacinho do Salmo 22, que apresenta um texto profético. Então, Jesus estava mostrando que a profecia estava se cumprindo Nele. Perceba que o Salmo é finalizado com uma grande promessa:

“A posteridade o servirá; gerações futuras ouvirão falar do Senhor, e a um povo que ainda não nasceu proclamarão seus feitos de justiça, pois ele agiu poderosamente.” (Salmos 22.30–31)

Veja que interessante, nós somos esse povo e essa palavra serve para cada um de nós. Para finalizar, veja aqui alguns textos relacionados:

“Certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades e sobre si levou as nossas doenças, contudo nós o consideramos castigado por Deus, por ele atingido e afligido.” (Isaías 53.4)

“Contudo foi da vontade do Senhor esmagá-lo e fazê-lo sofrer, e, embora o Senhor faça da vida dele uma oferta pela culpa, ele verá sua prole e prolongará seus dias, e a vontade do Senhor prosperará em sua mão.” (Isaías 53.10)

Então, a resposta sobre essa dúvida é que Jesus estava citando as Escrituras, como costumava fazer quando alguma profecia era cumprida Nele.

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Jornalista e pesquisadora apaixonada pela Bíblia. Desenvolveu um trabalho de "Jornalismo Investigativo Bíblico", é autora dos livros Derrubando Mitos e Apocalipse Investigado. Seus temas envolvem missões transculturais, Igreja Perseguida, teorias científicas, escatologia e análises de textos bíblicos.

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