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estudos bíblicos

O cristão pode beber vinho? É pecado?

Estudo bíblico sobre o mau uso do vinho pelos personagens bíblicos e o que a Bíblia diz sobre o pecado da embriaguez.

Tiago Rosas

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Pessoas segurando taças de vinho (Kelsey Knight / Unsplash)

A partir da punição dada por Deus a Nadabe e Abiú, veremos uma sucinta abordagem da questão da embriaguez x sobriedade na Bíblia sagrada e as lições que podemos extrair dos erros de vultos da fé ou lideranças religiosas no passado.

Certamente que Deus está nos chamando à adoração e ao serviço, mas Ele não deseja que façamos isso de qualquer jeito, senão que nos apresentemos a ele em completa santidade: no espírito, na alma e também no corpo (1Ts 5.23).

O vinho na história sagrada

O Antigo Testamento apresenta-nos algumas experiências vergonhosas que pessoas tiveram com o mau uso do vinho. Como a Bíblia não é um livro forjado para exaltar personalidades, mas um registro fiel dos fatos e da doutrina, então mesmo histórias de homens de Deus que pecaram pela falta de equilíbrio moral estão lá registradas para que aprendamos com os seus erros. Vejamos alguns deles.

Noé, o primeiro viticultor

Noé, o homem que “fez tudo exatamente como Deus lhe tinha ordenado” (Gn 6.22; 7.5, NVI) na construção da arca em que abrigaria sua família e muitos bichos do grande dilúvio, certamente já não estava na mesma sintonia com a vontade de Deus quando embebedou-se no vinho que ele mesmo produzira.

Pioneiro na plantação de vinhas (Gn 9.20), o viticultor Noé talvez empolgou-se demasiadamente com a colheita de uvas, deixou o mosto fermentar e bebeu-o em excesso. Temos então o primeiro registro de embriaguez na Bíblia e o resultado que ela provoca: Noé ficou tão fora de si que se despiu dentro de sua tenda, expondo-se vergonhosamente para os que ali entrassem (Gn 9.21). A bebida alcoólica tende a roubar do homem seu discernimento e jogá-lo à vergonha pública!

A nudez de Noé foi vista por seu filho Cam (predecessor dos canaanitas), que, ao que nos parece, fez galhofa ao ver o pai nu [1]. Se assim não fosse, a maldição lançada sobre ele pelo seu pai após ter acordado de sua embriaguez não teria sido justa. Hoje cometemos semelhante erro ao de Cam quando rimos de pessoas bêbadas nas ruas, quando deveríamos ter compaixão delas e repudiar o vício maldito que as escraviza!

Aliás, aqui está também, na reprovação da atitude de Cam, uma lição para nós: não temos o direito de tratar o outro com desdém pelo fato de ter errado ou de alimentar algum vício, nem espalhar para outros em tom de mexerico o erro cometido por alguém próximo a nós (quantos estão a mexericar nas redes sociais?!).

Noé errou ao embriagar-se; todavia maior punição houve para seu filho Cam que não soube respeitosamente guardar a privacidade de seu pai. Por que rir dos outros quando corremos o mesmo risco de cair?  “Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe não caia” (1Co 10.12).

Ló, e o vergonhoso caso de incesto

O sobrinho de Abraão foi um verdadeiro “homem das cavernas”, mas não no sentido pitoresco que estamos acostumados a ver em ilustrações de livros didáticos de ciência. É que, segundo dizem as Escrituras, fugindo da região de Zoar por medo do que os moradores dali poderiam fazer a ele e a suas duas filhas, Ló “habitou numa caverna” (Gn 9.30).

Embora sendo chamado pelo apóstolo Pedro de “o justo Ló” (2Pe 2.7), não se pode dizer que todas as ações deste homem refletiam a justiça, integridade e grandeza moral que Deus esperava dos homens. Veja-se, por exemplo as relações sexuais incestuosas que ele manteve com suas duas filhas, sob o efeito do vinho alcoólico e a partir das quais nasceram os predecessores dos povos moabitas (descendentes de Moabe – Gn 9.37) e amonitas (descendentes de Ben-Ami – Gn 9.38). Na história de Israel, esses dois povos foram verdadeiras pedras no sapato dos judeus!

Alguém poderia argumentar que Ló não sabia o que estava fazendo após embriagado, todavia Ló sabia que estava embriagando-se por beber vinho em excesso, e deveria ter parado aos primeiros sinais da embriaguez, enquanto ainda lhe restava algum discernimento. Mas, preferindo continuar a bebedeira, Ló se fez igualmente culpado às suas filhas, que maquinaram toda aquela situação por não confiarem em Deus e buscarem de si mesmas solução carnal – literalmente! – para a possível extinção da família naquela caverna.

Urias, o homem que foi embebedado, mas não caiu na armadilha

Todos sabemos a história do adultério do rei Davi com Bate-Seba, a esposa de Urias. Após tomar conhecimento de que a mulher estava grávida, Davi forjou muitas situações para livrar-se da responsabilidade da gravidez de Bate-Seba e da culpa do adultério, chegando inclusive a trazer Urias de volta das trincheiras na guerra para tentar insistir com ele que fosse para casa e ficasse com sua mulher.

Urias participou de um banquete real no qual foi incentivado a beber além da conta (2Sm 11.13). Todavia, mesmo com seu discernimento prejudicado pelo álcool, Urias não cedeu às artimanhas de Davi, e ao invés de descer à sua casa, permaneceu no palácio do rei junto aos demais servos de seu senhor. Vejamos que mui grandiosa lição extraímos daqui: mesmo embriagado Urias parecia mais sóbrio que o rei Davi! Suas atitudes revelavam maior nobreza que as do ungido do Senhor.

Mesmo embriagado, manteve sua posição, enquanto Davi, livre do vinho fermentado, rebaixou-se moralmente e cometeu contra a esposa de seu soldado e contra o próprio Urias terríveis pecados!

Embora Urias não estivesse obrigado a embriagar-se no vinho de Davi, podendo simplesmente rejeitá-lo para manter sã sua consciência, nesse fatídico episódio é sobre Davi que o texto bíblico faz repousar a culpa, já que todas as ações foram por ele orquestradas com vistas a se livrar de um grave pecado.

Resguardadas as devidas proporções, o erro de Davi pode ser assemelhado ao de um homem perverso que embebeda ou droga uma mulher para dela se aproveitar depois, quando em estado inconsciente. Não raro vemos nos telejornais notícias assim, envolvendo inclusive profissionais da medicina que usam seus próprios consultórios médicos para abusarem de seus(as) pacientes. É o uso consciente de bebidas ou drogas para entorpecer a mente alheia! Deus nos livre e guarde de tais atos imorais, criminosos e pecaminosos!

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Casado, bacharel em teologia (Livre), evangelista da igreja Assembleia de Deus em Campina Grande-PB, administrador da página EBD Inteligente no Facebook e autor de quatro livros.

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