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opinião

Racismo, um sabotador do plano de unidade de Deus para os homens!

“Pai santo, protege-os em teu nome, o nome que me deste, para que sejam um, assim como somos um” (João 17:11)

Filipe Santos

em

George Floyd com grupo cristão (Nijalon Dunn / Resurrection Houston)

A arte japonesa de remendar cerâmicas quebradas com resina de ouro, chamada de Kintsugi, faz com que as rachaduras e as fissuras sejam transformadas em uma teia de minúsculas veias douradas e brilhantes.

Os mapas de ouro espalham-se pelas paisagens das tigelas, vasos e esculturas. Mas não é só isso. Os reparos realizados pelos artesãos deixam visíveis as cicatrizes enquanto transformam a peça em uma obra de arte ainda mais valiosa do que era anteriormente.

Satanás e seus demônios tem investido por toda história em deformar, destruir, dividir e diminuir. Jesus já o denunciou em João 10.10. Mesmo em meio à pandemia de maior revés global, há más notícias que poderiam ser evitadas.

Na cidade de Minnesota nos Estados Unidos, morreu de forma fria e brutal o afro-americano George Floyd, e sua história ecoa a injustiça feita com a de muitos outros que viraram notícia no passado, ou que simplesmente não tiveram repercussão.

A estratagema das trevas consiste em separar o ser humano de Deus, separar marido de mulher, filhos de pais, irmãos, amigos e finalmente a civilização. A divisão da raça humana é um plano avançado de destruição e maldade.

O racismo pode se manifestar de diversas formas, mas destaco três: Primeiro, o racismo internalizado, devido ao efeito de uma ofensa, rejeição ou algo que fizeram contra a pessoa em questão.

Segundo, o racismo personalizado, ou individual, parte de atitudes, interesses e pensamentos pessoais, inclusive de estereótipos ou rótulos.

E o terceiro, o racismo institucionalizado, com derivações estruturais e culturais, sendo a manifestação de preconceito por parte de instituições públicas ou privadas, do Estado e das leis que, de forma indireta, promovem a exclusão ou o preconceito racial.

Podemos tomar como exemplo as formas de abordagem de policiais contra afrodescendentes, que tendem a ser mais agressivas.

Precisamos de mudança urgente e profunda, pois certos níveis de plenitude, só são alcançados com a unidade. Me refiro a unidade familiar, espiritual e também social. Quem não gosta de alguma etnia, terá dificuldade com três coisas.

Com o avivamento dos últimos dias, pois todas tribos, povos, nações e línguas confessarão, com o céu, pois haverá toda diversidade étnica lá e com Deus, pois somos imagem e semelhança Dele, quem odeia alguma etnia ou cor, odeia uma das características de Deus, pois Ele as distribuiu na beleza dos povos.

Em pleno século XXI, mesmo com muitos avanços da sociedade, muitos estão rotulando pessoas e amando marcas, quando deveriam fazer o contrário.

Pessoalmente, já tive situações desafiadoras, mas destaco uma clássica. Em 2008 na faculdade em Atlanta nos Estados Unidos, todos andavam em grupos, a maioria, de definição étnica. Eu era de pele escura para os brancos, mas marrom-claro para os de pele escura. Era ibero-americano para os latino-americanos, pois falava português como língua nativa e não espanhol. Para alguns brasileiros eu falava inglês fluente demais e tinha documentação legalizada.

Tive algumas semanas tristes, de exclusão, mas rapidamente formei meu “clã”, com grandes amigos que fiz, de pequenos países europeus, asiáticos, africanos e do oriente médio. Ao concluir minha formação em Negócios, havia praticamente dado a volta ao mundo, sem sair do campus, coisa que poucos dos que conviviam apenas em seus grupos “semelhantes” faziam. Considero essa experiência uma riqueza imensa em minha vida.

Estes grupos durante a história já foram chamados de núcleos, panelinhas, bolhas, mas eu escolhi viver na ótica do ecossistema. Quanto mais interagimos com pessoas “diferentes”, mais aprendemos e encontramos semelhanças, desde que isso não nos corrompa. Somos imagem e semelhança de Deus, e isso nos faz muito semelhantes uns aos outros também. Não coloque os outros na sua perspectiva, coloque-se na perspectiva dos outros.

Deus é o criador da família, da igreja, da unidade e da convergência. O ser humano se engana ao tentar ir pelo caminho da uniformidade, que é bem diferente da unidade que acolhe a diversidade. Precisamos atravessar a avenida da diferença, que acabou gerando indiferença. Deus não defende lados, ele é o Pai Celestial, nos convida para um vida do alto.

Veja isso em Josué 5.13-14:

“Estando Josué já perto de Jericó, olhou para cima e viu um homem de pé, empunhando uma espada. Aproximou-se dele e perguntou-lhe: ‘Você é por nós, ou por nossos inimigos?’ ‘Nem uma coisa nem outra’, respondeu ele. ‘Venho na qualidade de comandante do exército do Senhor'”.

Deus não trabalha com polarização, ele trabalha com revelação! Nossa vitória não vem por convencermos Deus a entrar para o nosso time, mas por entrarmos na família Dele!

Sempre será o tempo certo para integrar, interagir e impulsionar, mas nunca para inflamar, incitar e injuriar. O vandalismo reativo piora a situação. O ódio racial é crime, pecado, infernal e um retrocesso.

Por isso, faça algo a partir de sua realidade atual:

  1. Renomeie os grupos que você rotulou, criou estereótipos, xingamentos ou apelidos pejorativos.
  2. Resignifique seu passado, não pague o mal com o mal, não odeie por terem te odiado, ainda que tenha sido oprimido, não se torne um opressor.
  3. Reconheça a diversidade humana criada por Deus.
  4. Restaure relacionamentos, faça contato para pedir perdão a alguém que tenha ofendido e perdoe quem te ofendeu.
  5. Reinvente sua opinião, pedindo que Deus limpe tudo aquilo que é preconceituoso e não vem do céu.

O problema do racismo deve ser resolvido principalmente pelas pessoas que acham que não tem nada a ver com isso. Temos diversas prioridades, mas precisamos refletir hoje, que este assunto importa.

* Escrito por Filipe Santos – Publicitário, consultor digital e pastor da Igreja da Cidade São Paulo – SP

Pastor na Igreja da Cidade em São Paulo. É consultor de inovação. Atua com transformação digital, gestão ágil, aprendizagem corporativa em grandes empresas, desenvolvimento de startups e aceleração de ideias na nova economia para empreendedores.

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