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cosmovisão

O batismo com o Espírito Santo mal interpretado

Quando o Espírito Santo vem a nós, passa a habitar o nosso coração

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Espírito Santo
Espírito Santo (Foto: Michel Kwan/Pixabay)

Paz, amados leitores do Gospel Prime. Se existe um assunto que tem sido mal interpretado por décadas é o batismo com o Espírito Santo. Mas afinal de contas, o que a Bíblia diz de fato sobre isso?

Quando o Espírito Santo vem a nós, passando a habitar o nosso coração, se apossando do nosso corpo como seu templo (1Co 6:19-20), ele inicia o seu trabalho de santificação. Assim, a obra do Espírito se dá em duas etapas: a primeira é a inclusão da pessoa na família de Deus, e a segunda, a obra de moldar a nova criatura à imagem de Jesus de em fé, de glória em glória. O ministério do Espírito Santo envolve tanto em revelar-nos Jesus como em formar Jesus em nós, de maneira que cresçamos firmemente em nosso conhecimento de Jesus e em nossa semelhança com ele (Ef 1:17; Gl 4:19; 2Co 3:18).

Quanto à diferença entre batismo e plenitude do Espírito Santo, o que aconteceu em Pentecoste foi que Jesus “derramou” o Espírito do céu e, assim, “batizou” com o Espírito, primeiro os 120 e depois aos 3 mil. A consequência deste batismo do Espírito foi que “todos ficaram cheios do Espírito Santo” (At 2:4). Assim, a plenitude do Espírito foi o resultado do batismo do Espírito. O batismo é o que Jesus fez (ao derramar seu Espírito do céu); a plenitude foi o que eles receberam. O batismo foi uma experiência inicial e única; a plenitude, em contrapartida, Deus queria que fosse contínua, o resultado permanente, a norma. Como acontecimento inicial, o batismo não pode ser repetido e, no mínimo, precisa ser mantido. Se a plenitude não for mantida, ela se perde. Se for perdida, pode ser recuperada.

A plenitude do Espírito, uma vez considerada em seus devido contexto, também desmistifica a alegação de alguns em prol da defesa da “segunda benção” como sendo um segundo batismo rumo não ao arrependimento, mas sim, à infusão de poder no cristão. Pois o enchimento do Espírito Santo foi a força motriz que capacitou João Batista para o seu ministério (Lc 1:15-17). Da mesma força, as palavras de Ananias a Saulo de Tarso, de que ele seria “cheio do Espírito Santo”, parecem referir-se à sua indicação como apóstolo (At 9:17). Às vezes, esse enchimento não concede necessariamente um cargo vitalício, mas sim, uma capacitação para uma tarefa imediata, a exemplo do que aconteceu à Isabel – esposa de Zacarias (Lc 1:5-8, 41, 67).

A respeito da confusão entre o batismo nas águas e o batismo com o Espírito Santo é preciso deixar claro que o texto de Ef 4:5 refere-se ao batismo do Espírito Santo que teve início em Pentecoste e que a expressão do apóstolo Paulo “há um só batismo” pressupõe a inferência de que há um só batismo “espiritual”. Nesse texto o apóstolo fala sobre um fenômeno realmente sobrenatural e poderoso que nos insere para sempre em Jesus e nos identifica com a sua experiência de crucificação, morte e sepultamento; Paulo não está falando de um símbolo ritualístico incapaz de realizar transformação interior. Na era judaica, até os dias em que João Batista realizava batismos, o batismo nas águas era meramente um ritual de purificação que acontecia pelo ato de alguém lavar, aspergir o outro com água. Desse modo, pode-se dizer que João Batista “purificou cerimonialmente” as pessoas por meio do batismo. E no evento do batismo de Jesus, João tão somente consagrou Jesus para o seu ministério. No entanto, não há base bíblica para sustentar a tese de que apenas porque o batismo nas águas não é o assunto abordado em textos chave sobre o batismo (Rm 6:3-4; Cl 2:12; Gl 3:27; Ef 4:5), o ritual do batismo das águas deva ser erradicado, uma vez que esta era também uma prática da igreja primitiva e uma ordenança deixada por Jesus (Mt 18:19-20). Em suma, é seguro dizer que o batismo nas águas é uma prefiguração externa daquilo que acontece internamente no batismo com o Espírito Santo.

Confundir o entendimento sobre o conceito do batismo com o Espírito Santo tem gerado trágicas consequências ao povo de Deus, porque a falta de solidez bíblica no assunto abre precedente para uma “verdadeira salada mista de definições aleatórias e espiritualizadas”. Por não terem um referencial concreto sobre o significado e implicações do batismo com o Espírito Santo, muitos vivem acreditando terem experimentado uma benção inaudita; e o que é pior, passam a se sentirem mais espirituais e especiais que outros cristãos que não tiveram “o mesmo privilégio”. Portanto, entre outras coisas, a confusão sobre o que é o batismo com o Espírito Santo afrouxa os laços da união dos cristãos com Jesus. Alguns, inclusive não entendem o papel da “xenoglossia” – fenômeno que ocorreu em Pentecoste e buscam reproduzí-lo como a evidência última de um novo nascimento ainda hoje. Uma tese que não encontra base bíblica sustentável.

É importante entender que o batismo com o Espírito Santo é um fenômeno que tem início em Pentecoste e irá expirar no evento do arrebatamento da igreja; não existe nenhuma evidência de que o batismo com o Espírito Santo tenha ocorrido no Antigo Testamento – tempo em o Espírito Santo vinha a alguns temporariamente par revesti-los para tarefas especiais, nunca para habitá-los e incluí-los na família de Deus e iniciar um processo de santificação, como acontece na Aliança da Graça.

Em relação à entrega do Espírito Santo aos samaritanos (At 8:14-17), o melhor entendimento é que a fé que eles professaram antes que os apóstolos João e Pedro os impusessem as mãos, foi apenas uma fé intelectual, ou, ainda que tivesse sido genuína, eles precisaram receber o batismo do Espírito Santo pelas mãos dos apóstolos. Pois este foi o meio instituído por Deus através do qual os primeiros gentios do início da igreja primitiva seriam incluídas no corpo de Cristo, já que a igreja foi edificada (inaugurada) sobre o fundamento dos apóstolos, sobre o qual Jesus é a pedra angular (Ef 2:20).

Quando Deus manda Pedro ao encontro de Cornélio com uma visão libertadora, a visão revela a extensão do Evangelho também para os gentios. A partir daí, fica claro que o evangelho deve ser pregado “até os confins da terra” e que os apóstolos deveriam transmitir a oportunidade do batismo com o Espírito Santo com os seus mistérios de habitação, regeneração e plenitude, da mesma forma que experimentaram os judeus convertidos.

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Bacharel em teologia pela Faculdade Teológica e Apologética Dr. Walter Martin e mestrando em teologia ministerial pela Carolina University - Winston-Salem/NC/EUA. Pastor sênior da Igreja Batista Candelária em Candeias, PE, desde 2016. Escritor - autor do livro: Endireita-te com Deus - 7 Passos para uma Vida Emocional e Espiritual Plena. Casado com Shirley Costa, e pai do João Gabriel.

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