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cosmovisão

A busca da Beleza

Relembramos firmemente que a Bíblia é nosso manual de fé e prática.

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Homem com a Bíblia na mão (Foto: Reprodução/Pexels)

“Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos. Seja a vossa moderação conhecida de todos os homens. Perto está o Senhor. Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus. Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento. O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso praticai; e o Deus da paz será convosco.” (Filipenses 4:4-9)

– Onde estás, oh Senhor, enquanto os ais
Atormentam os espíritos dos humanos
Que padecem lamúrias desiguais
Na penumbra cruel dos desenganos?

Vês as lágrimas que caem nos funerais
Afogando dos vivios tantos planos?
Te pergunto, Senhor, onde é que estás
Quando a dor se apresenta em mil arcanos?

– Eu estou lado a lado de quem chora,
Mas da noite trevosa faz aurora
Para um novo amanhã resplandecer,

Busca luz e palmilha outro caminho,
Junta os cacos da alma com carinho
E encontra motivos pra viver.

Jénerson Alves

O senhorio de Cristo

O que tem ocupado as nossas mentes? O que temos visto, ouvido, lido e contemplado é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, de boa fama, possui virtude e louvor? Constantemente ouvimos falar em cosmovisão cristã. Relembramos firmemente que a Bíblia é nosso manual de fé e prática. O cristão encontra na Palavra de Deus as respostas para perguntas sobre como o homem deve viver e como deve lidar com o mundo, com a criação de Deus. No entanto, ainda por influência do espírito iluminista do século XVIII, muitas vezes temos agido como se essa prática se restringisse a aspectos religiosos. Mantemos Deus distante de nossas decisões sobre educação, ciência, política e também arte.

Deus é Senhor absoluto de todas as áreas de nossa vida, sendo assim, por qual razão Deus não se importaria, ou não trataria da área da criatividade? Cristo nos resgatou para si e nos fez novas criaturas. “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (2 Coríntios 5:17).

O filósofo e teólogo holandês H. R. Rookmaaker assertivamente expõe em sua obra A arte não precisa de justificativa, que “ser novas pessoas significa que temos humanidade – a liberdade de trabalhar na criação de Deus e usar os talentos que ele deu a cada um de nós para a sua glória e para benefício do próximo. Assim, se tivermos talentos artísticos, eles devem ser usados”. Ademais, a maior e mais importante obra de arte é a nossa vida.

A beleza nas artes é Doxologia

Dentre as maiores obras de arte de todos os tempos, figuram autores cristãos. As pinturas de Rembrandt, a exemplo de O Retorno do Filho Pródigo, ou Tempestade no Mar da Galileia, ou ainda para nos referirmos às obras sem o cunho sacro, A Ronda Nocturna e os seus autorretratos. As músicas de Bach que incluem desde as cantatas de igreja, aos “Concertos de Brandenburgo”. O Messias, de Handel. Os poemas de John Donne, entre tantas outras. O que todas têm em comum: primavam por produzir beleza.

Em sua obra Filosofia e Estética, Rookmaaker define arte como meio do homem produzir beleza. Produzir arte nos aproxima de Deus e nos torna também criadores. Obviamente com sentidos diferentes. Deus é capaz, com sua palavra, de chamar à existência o que não existia. Já o homem, cria com esforço e técnica, a partir do que já existe, do que Deus criou.

Grandes epopeias e romances tais quais El ingenioso hidalgo Don Quijote de la Mancha, de Miguel de Cervantes e Os irmãos Karamázov, de Fiódor Dostoiévski abordam os comportamentos humanos, a fé, os conflitos, a fantasia e a realidade, a bondade e a perversidade que em um composto paradoxal preenchem nossas sociedades e nos aproximam ou afastam da vontade de Deus. Esses autores transmitem a importância da amizade, da lealdade, fidelidade, honradez, coragem e amor. Todos valores transmitidos ao homem por seu Criador. Tais aspectos também são percebidos nas obras de C. S. Lewis, As crônicas de Nárnia, R. R. Tolkien, O Senhor dos Anéis, entre outras.

As obras de arte devem glorificar a Deus, isso não significa que deva exclusivamente dedicar-se a passagens bíblicas ou à evangelização.

No mais, analisem os trechos das músicas a seguir:

Quão Grande És Tu

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Senhor meu Deus, Quando eu maravilhado,
Fico a pensar nas obras de Tuas mãos
O céu azul de estrelas pontilhado,
O seu poder mostrando a criação.

Então minh’alma canta a Ti, Senhor.
Quão Grande és Tu.

Carl Gustaf Boberg

A bela canção acima, traduzida para diversos idiomas, data de 1937. Suas estrofes são compostas por versos alexandrinos, com rimas alternadas. Além, obviamente, da beleza residente em sua poesia. Não há dúvidas de que atravessará mais e mais gerações.

Não basta ter uma temática religiosa, nem o precisar ser, o importante é que glorifique a Deus. Contrariamente à Quão Grande És Tu, a canção que segue não vencerá a barreira do tempo e logo será esquecida, uma vez que é um mero produto comercial, e por isso também, perde seu valor. No mais, sequer necessitamos fazer sua análise estilística para perceber sua pobreza. Leiam:

Oi, Jesus

Oi, Jesus
Oi, Jesus
Podes me ver?
Podes me ouvir?

Tô Te esperando no meu quarto
Pra Te contar os meus segredos
Pra Te lembrar o quanto eu
O quanto eu Te amo

Isadora Pompeo

Um famoso aforismo presente na obra O Idiota, de Dostoiévski, é-nos oportuno: “A beleza salvará o mundo”. Jesus é o Salvador, o Bom, o Justo, o Verdadeiro e o Belo. Na incessante tentativa de tornar-se o centro do universo e excluir Deus, ou mesmo torná-lo uma mera invenção humana, os homens também passaram a rejeitar a beleza. Até mesmo muitos cristãos ameaçados pela rejeição social e por medo do rótulo de militantes e/ou fundamentalistas limitaram seus relacionamentos com Deus aos muros do templo onde congregam. Contrariamente a essa mentalidade, a vida cristã é plena e Deus é Senhor de todas as áreas de nossa vida. Deus é o grande artista, a criação é um imenso palco para que o homem viva tudo o que Deus escreveu.

A degradação das artes e da sociedade

A arte tem a finalidade de nos conectar ao transcendente e elevar nossa alma, mas com avanço dos séculos e as mudanças de mentalidade, galgou a função de ser transgressora. Ao expulsar Deus da área criativa, o homem quebrou normas e se opôs ao belo. As artes esvaziaram-se de valores, perderam a qualidade estética, abdicaram das normas e padrões. Assim, não se possui mais um padrão capaz de produzir julgamentos, não se pode mais julgar. Arte e beleza são improváveis de serem tratadas sem que haja normas.

Não tardou para que tudo fosse considerado arte e qualquer um, ou mesmo um animal, pudesse ser chamado de artista, a exemplo de uma porca, a Pigcasso, que teve um de seus quadros abstracionista vendido por 20 mil libras, o equivalente a R$ 150 mil. Vemos nesses atos a nítida influência de pensadores como Jacques Derrida e suas teorias desconstrucionistas e de Michael Foucault, para quem a transgressão é que concede o valor artístico.

Destarte, qual a importância da arte e do artista para a sociedade? Para que aprender os acordes e treinar exaustivamente em busca de perfeição se até mesmo um gato passeando sobre um piano pode ser considerado música? Qual o valor atual de Ilíada, Odisseia, Os Lusíadas, ou mesmo de artistas populares como os cordelistas, que cantam a realidade que os circundam, se palavras recortadas de jornais dispostas aleatoriamente sobre um papel podem ser consideradas poesia?

Na tentativa desenfreada de retirar Deus, o homem tornou a razão o seu deus, e por ser uma criação humana, ela irracionalizou-se, tornou-se uma fé irracional, uma fé que acredita no nada. A arte sem a finalidade de glorificar a Deus e de produzir o belo volveu-se em uma religião sem transcendência e o culto passou a ser à feiura e a quebra de leis morais.

A realidade é que a crise nas artes “revela uma crise ainda mais profunda, de natureza espiritual e que afeta todos os aspectos da sociedade, incluindo a economia, a tecnologia e a moralidade” (ROOKMAAKER, 2010, p. 20). Destacou Ângelo Monteiro, poeta e crítico literário recifense, que “a arte pode não se reduzir à moral, porém, a moral constitui uma das motivações fundamentais de toda a arte. Daí ser inconcebível uma arte destituída de apelo ético e, de igual modo, uma ética incapaz de inspirar gestos de beleza”.

Ainda a esse respeito, Rookmaaker (2018) corrobora que “o aspecto estético é normativo, isso quer dizer que Deus instituiu este aspecto na ordem do mundo, em que as normas são instituídas, em princípio. Nada pode ser belo se não satisfaz essas normas”. A Bíblia nos revela que Deus estabeleceu regras à criação “[…] até aqui virás e não mais adiante, e aqui se quebrará o orgulho das tuas ondas?” (Jó 38:11).

A arte transgressora é subordinada aos desejos do homem. Relembrem que “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá? (Jeremias 17:9). O homem caído, agora sem padrões, esvaído de qualquer valor transcendente busca a felicidade na satisfação de todos os seus desejos carnais. O mandamento é evitar qualquer aflição e usufruir de todas as possibilidades de satisfação. Não por acaso, o apelo sexual em propagandas, filmes, músicas, poesias, etc.

O homem quer, conscientemente, entregar-se à escravidão do pecado em troca de uma satisfação natural, carnal, o que lhe é sinônimo de felicidade. Isso é hedonismo e eudemonismo, o primeiro a busca imediata do prazer, o segundo a busca pela felicidade como um propósito de vida.  A complexidade reside no fato de que, assim como escreveu Calvino, o homem conhece o mundo à medida que conhece a si mesmo, e que conhece a si mesmo à medida que conhece a Deus, de modo que, se o homem se afasta de Deus sequer será capaz de compreender que o vazio que o atormenta não será preenchido pela satisfação de seus desejos. Aqui recorremos a mais uma frase de Dostoiévski: há no homem um vazio do tamanho de Deus.

O homem transgressor e entregue aos seus impulsos, sobretudo os sensuais, conduz-se a um estado animalesco, e nesse estágio é incapaz de intuir e contemplar a beleza. Seu coração está tomado por engano e ele é inábil para compreender que luxúria e desejo conduzem à feiura, ao grotesco, à mentira, ao que é mau e para distante de Deus. Roger Scruton (2015) enfatiza que a beleza nos “convida a renunciar ao nosso narcisismo e a contemplar com reverência o mundo”. Apenas o Senhor, que esquadrinha o coração e prova os pensamentos (Jeremias 17:10) poderá libertar o homem da prisão e chama-lo à contemplação do belo e isso ocorre mediante o conhecimento de Deus.

Uma nova reforma

Não defendo que a fé cristã se reduz em produzir arte. A igreja não é um clubinho social, o culto não deve sofrer transformações litúrgicas para abraçar exclusivamente as manifestações artísticas. Cabe-nos compreender 1 Coríntios 10:31 “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus”. O Senhor Jesus é Senhor completo e todas as áreas da vida humana devem ser consagradas a Deus. Os cristãos não podem ficar alienados quanto às produções artísticas, ou ter a concepção de que não é importante, ou de que Deus não se importa com a produção artística. Deus gosta do que é belo, Deus estabeleceu padrões de beleza. Os padrões de beleza existem sim e são importantes. O fato é que não há ausência de padrões. O que o haverá são padrões que primam pela beleza, pelo bom e verdadeiro, ou padrões que ovacionam o feio, o mau e o que é enganoso.

Os cristãos não precisam, de igual modo, limitar-se a uma arte meramente propagandista do evangelho. O cristão deve glorificar a Deus! Essa é nossa maior missão. O profeta Isaias (43.21) explica porque estamos aqui; “Esse povo que formei para mim, para que me desse louvor”. Um artista plástico glorifica a Deus quando produz uma obra que reproduz a criação; um músico glorifica a Deus quando relata sobre uma amizade desinteressada; um fotógrafo glorifica a Deus quando registra as marcas de sabedoria e paz que se reflete no rosto de um idoso; quando um cineasta produz um filme que valoriza e a história de um pai que percorre uma grande distância e supera obstáculos para ficar próximo de seus filhos e esposa, etc.

É necessário aos que vivem verdadeiramente o cristianismo, voltar a influenciar as produções artísticas. Os que não produzem, sejam consumidores de boa arte. E para além de tudo isso, busquemos a beleza em nosso dia a dia. Desejemo-la ardentemente. Schaeffer diz em a Arte e a Bíblia “[…] Nenhuma obra de arte é mais importante que a própria vida do cristão e todo cristão deve se preocupar em ser um artista nesse sentido. […] a vida do cristão deve ser uma obra de arte. A vida do cristão deve ser algo verdadeiro e belo em meio a um mundo perdido e desesperado”. Tragam a memória a parábola dos talentos narrada no evangelho segundo Mateus. Nossos talentos devem ser usados para o crescimento do Reino de Deus.

No mais, “Ao único Deus, nosso Salvador, mediante Jesus Cristo, Senhor nosso, glória, majestade, império e soberania, antes de todas as eras, e agora, e por todos os séculos. Amém! (Judas 1:25)

Leiam essa bela oração escrita pelo cordelista Jénerson Alves. Que Deus nos abenoe

Oração do nordestino

Pai Nosso, que estás no Céu, 

E em meu coração também, 

Santificado é Teu nome 

No Reino que de Ti vem. 

Quero, Pai, Te agradecer 

Pela graça de viver 

No meu Nordeste feliz, 

Que eu digo, ou até grito: 

O pedaço mais bonito 

Que existe neste país!

 

Te agradeço pela graça 

Da tela que se emoldura, 

Pois a chuva, quando passa, 

Passa trazendo fartura. 

O campônio, bem contente, 

Cava o chão, bota a semente 

Que morre sem ser ferida, 

Novo rumo a vida trilha: 

Nasce a planta, como filha 

Na terra que engravida.

 

Te agradeço nesta estrada 

O palácio da palhoça, 

Por ter a mão calejada 

Da rude lida na roça. 

Acordar sentindo o cheiro 

Do café no fogareiro 

Feito por minha mulata, 

Ver o Sol raiar a luz 

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Comendo sopa, cuscuz, 

Queijo de coalho ou batata…

 

Eu sou grato pelas farras 

Dos pássaros nos arvoredos,

Pelas canções das cigarras 

Que são cheias de segredos, 

Pela graça do Evangelho 

Que faz novo o homem velho 

Num espetáculo divino 

Que Cristo dá por troféu: 

Me fez cidadão do céu 

Me mantendo nordestino.

 

Te agradeço, mas te peço 

Com o coração contrito: 

Que me livre do insucesso, 

De briga, foice e atrito; 

Que me livre do mau homem 

Com valores que se somem 

Como poeira nos pés, 

E me livre do falso dote 

E do peso do chicote 

Dos modernos coronéis.

 

Proteja minha família 

Onde meus filhos despontam 

Contra os papéis Brasília 

Que a toda família afrontam. 

Me livre da triste sina 

De mudar minha rotina 

Do campo para a cidade; 

Ver a família mudada: 

Minha filha viciada 

E meu filho por trás da grade… 

 

Me livra do desafeto 

De perder a minha flor

Que ela é sob meu teto 

Um pedestal do amor, 

Que as lições da novela 

Não façam a cabeça dela 

E ela mude de consórcio 

Dizendo que é mais moderno 

Jogar o amor eterno 

Na fogueira do divórcio…

 

Me livra, Senhor, também, 

De encontrar bala perdida, 

De perder o meu vintém 

Pro ladrão que tira a vida, 

De faca, foice, peixeira, 

Riso de mulher faceira, 

Conversa besta de seita, 

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Pra não me acordar na lama 

De um quarto em que a cama 

Foi pelo Inimigo feita.

 

Envia, Senhor, Teus anjos 

Dos mais bonitos corais 

Pra me envolver em arranjos 

De coros celestiais! 

Me dê o pão do amor 

Pra todo canto que eu for 

Lavrar sementes do bem 

E dar pão a quem tem fome. 

Glorificando o Teu nome 

Pra século sem fim. Amém.

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Serva do Cristo Vivo, é casada com Diógenes Rocha e mãe de Luiza, Adonai e Maria Júlia. Amante da literatura, é escritora. Formada em Letras, pós-graduada em Linguística. Servidora pública como professora do Estado de Pernambuco.

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