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Tsedacá: Existe um tempo pra ser solidário?

Saiba como a cultura judaica observa o costume de ajudar o próximo.

Alexandre Kaman

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Judeu dando presentes
Judeu dando presentes (Foto: RODNAE/Pexels)

Logo que chega dezembro no ocidente,  em comemorações como o Natal no fim do ano do calendário gregoriano, um espírito solidário se instala em nosso meio, fazendo com que muitos manifestem alguma forma de caridade. Existem várias campanhas chamadas: “Natal solidário”, ou “Natal sem fome” e outras mais. Mas a pergunta é: Por que ajudar o próximo?

Por que nesta época os corações estão mais sensíveis, generosos e com a necessidade de suprir a falta do semelhante? Ou seria pela a necessidade de se sentir mais útil? Na cultura judaica este princípio de ajudar o próximo recebe o nome de Tsedacá, um ato de justiça e bondade.

É comum que erroneamente a palavra “tsedacá”, seja traduzida como ‘caridade’, mas a palavra correta que provém de tsêdek é “justiça”. Ela difere da caridade, pois esta é definida como “um ato de generosidade ou de auxílio a um pobre”. A tradição diz que; A Tsedacá não é meramente um ato de caridade: toda vez que alguém proporciona satisfação a outros – mesmo aos ricos – com dinheiro, comida ou palavras reconfortantes, ele cumpre este mandamento!

O judaísmo ensina que o homem é o único ser que possui livre arbítrio e que pode, de forma consciente, beneficiar seus semelhantes praticando “Atos de Bondade”. A Torá junto aos sábios ensina que a bondade, a generosidade, a ética e a responsabilidade coletiva constituem parte integral dos mandamentos Divinos transmitidos para o povo de Israel no Sinai. O mandamento de “Atos de Justiça e Bondade” vai além da prática da tsedacá e inclui qualquer ato de bondade que é feito ao próximo. Mais especificamente, inclui emprestar dinheiro, objetos, ser hospitaleiro, visitar e confortar os doentes, dar roupas a quem necessita, auxiliar e se alegrar com noivas e noivos, enterrar os mortos, consolar os enlutados e promover a paz entre as pessoas. Um simples sorriso, uma palavra bondosa e um ouvido atento em um momento de aflição são também atos de bondade. Cada vez que estendemos a mão a alguém que precisa de ajuda estamos cumprindo esse mandamento.

Nem sempre a bondade e justiça que precisamos manifestar será comida e bebida, o apóstolo Paulo deixou em sua carta aos romanos que o Reino de Deus não se limitava a estas necessidades da vida humana. Mas sim que o Reino é: Justiça, paz e alegria.

Quem passa necessidade não goza da plenitude da alegria, e as suas necessidades geram constantemente a falta de Paz. Tudo resultado de estarem distantes da Justiça deste Reino Celestial.

Entretanto este princípio não está restrito à uma época do ano, e sim uma conduta constante em querer alcançar a elevação espiritual no repartir e se desprender.

Em um dos capítulos do meu livro: Manifestando a Vida de Deus, faço uma reflexão  sobre a prática do amor ao próximo; quando o Messias está sendo interrogado no capítulo 12 do Evangelho de Marcos sobre qual mandamento seria mais importante, Ele menciona exatamente os valores já declarados no Shemá, texto da Torá que define algumas bases do Judaísmo: amor a Deus, estudo da Torá, o princípio da divina recompensa e punição e o êxodo do Egito. O Messias dá ênfase ao amor vertical e horizontal, que são: “Amarás, pois, ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. “(Marcos 12:30,31)

Um escriba faz uma pergunta-chave, comparando o mandamento aos holocaustos e sacrifícios da Antiga Aliança. A resposta do Mestre é reveladora. Ele declara que o escriba não estava longe do Reino de Deus, entendendo o quanto significava o cumprimento do mesmo. Talvez um dos grandes problemas que enfrentamos em nosso meio hoje não seja a valorização de holocaustos e sacrifícios, mas sim a compreensão de que eles não são mais valiosos do que o amor ao Pai sobre todas as coisas e ao nosso próximo como a nós mesmos. Na Antiga Aliança, o holocausto era a maior expressão de adoração a Deus. Eram estes atos sacrificiais que aproximavam o homem do Criador. Entretanto, o Messias nos trouxe uma chave no momento em que responde ao escriba, nos fazendo compreender que não praticando este princípio, estamos longe do Reino de Deus.

O sábio Salomão escreveu: “Quando você doa a um pobre, está emprestando a Deus.” Todo judeu tem a consciência que Deus paga todos os fundos de caridade rsrs…– juntamente com belos dividendos.

Mas para o mundo judaico as Festas bíblicas, são tempos chaves para comparecer diante de Deus, e neste período há julgamento de cada ação, por isso sempre é possível evitar a má sorte através de Teshuvá, Tefilá e Tsedacá (arrependimento, prece e atos de bondade)

Cada festa desde a páscoa, quando se inicia o ano religioso e mais as outras 6 festas instituídas pelo Senhor no Sinai e as históricas como: Purim e Hanukkah, sempre são acompanhadas de instruções de Tsedacá.

Quando doamos algo a um necessitado, não damos algo que nos pertence, mas sim algo que é de Deus, e Ele nos confiou; somos os “agentes” d’Ele. Portanto, não se trata de um ato de graça devido à nossa bondade, mas de um dever e de uma dívida. É como se alguém nos desse uma soma em dinheiro, dizendo: “Tome uma parte para você e distribua o resto entre os pobres.”

Podemos analisar assim a diferença entre caridade e tsedacá: quem faz caridade é elogiado, pois fez mais do que a obrigação; quem pratica tsedacá está apenas cumprindo a sua obrigação, e a omissão em realizar tsedacá é considerada uma grave transgressão nos princípios do Eterno. “Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado”. ( Tiago 4:17)

Portanto, faça tsedacá! Ajude pessoas e irmãos necessitados, provendo alimento, roupas e demais bens indispensáveis à uma existência digna. Mas acima de tudo, busque manifestar o amor que nos aproxima do Reino de Justiça não somente neste período, mas sempre que possível.

“Um novo mandamento lhes dou: Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros. Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros.” (João 13:34)

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Alexandre Kaman é pastor, escritor, ministro de adoração e palestrante. Cursou a Escola Ministerial do Projeto Vida Nova de Irajá e o Instituto Metodista de Formação Missionária. Além de Bacharelado em Teologia e Pós-graduado em História de Israel. Lider da Escola Mavid (Manifestando a Vida de Deus), dedicado ao propósito da Restauração.

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