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opinião

Sou feliz com Jesus

Você acha que realmente desistir é uma opção? Não para um cristão.

Antônio Cabrera

em

The American Colony. (Foto: Abir Sultan / Flash90)

Você já deve ter ouvido falar de Horatio Spafford. Advogado de sucesso, em 1871 acontece a primeira tragédia de sua vida, com a morte do único filho homem.

Em 1873, como também era um investidor imobiliário, perde quase todo o seu patrimônio no Grande Incêndio de Chicago.

Mesmo assim, ele e a esposa Anna atuam para ajudar as famílias que ficaram desalojadas na cidade.

Mais tarde, abatidos, resolvem partir para uma viagem à Europa.

No ultimo minuto, por um imprevisto, apenas a esposa e as 4 filhas embarcam.

Durante a travessia do Atlântico, o navio colide com um veleiro e afunda, com a morte das 4 filhas.

Completamente desolado, Horatio vai ao encontro da esposa.

Na viagem, quando o capitão informa o local aproximado do trágico acidente, apesar da dor profunda, Horatio foi capaz de escrever um dos mais belos hinos do cristianismo e que desde então tem trazido conforto a tantos.

No original, o titulo foi “It is Well with my Soul” (Está tudo bem com a minha alma).

Conhecido como “Sou Feliz com Jesus”, esta melodia é o melhor exemplo da frase de Lutero de que “a música empresta asas à pregação do Evangelho”.

Sim, através do sofrimento da perda, Horatio conseguiu tocar o coração de tantos até os dias de hoje.

Muitos conhecem até aqui a história de Horatio, mas esta foto mostra o que foi a vida completa da família Spafford.

Depois desta brutal perda, eles tiveram mais um casal de filhos, mas em 1880 o menino falece por febre escarlatina.

Para aumentar a tragédia dos Spafford, a sua própria igreja em Chicago se volta contra eles, imaginando que tudo isto era resultado de um ato de Deus com um castigo por seus pecados.

Abalados com tudo, os Spafford deixam os EUA rumo a Jerusalém para fundar um grupo chamado American Colony com a missão de servir aos pobres naquela região de tanta miséria.

Mais tarde o Colony tornou-se o tema do livro “Jerusalém”, da escritora Selma Lagerlöf e agraciado com o Premio Nobel de Literatura.

Em 1914 estoura a Primeira Guerra Mundial e o Colony fica completamente desconectado do resto do mundo.

Não havia homens para lavrar os campos, além de um ataque vigoroso de gafanhotos, o que levou a população da região a perecer de fome.

Mesmo assim, a cozinha do Colony alimenta durante a guerra mais de duas mil pessoas diariamente e se torna o maior hospital recebendo feridos de ambos os lados do confronto.

Sim, um hospital no meio da guerra e atendendo soldados dos aliados e do antigo império Otomano.

Quando o chefe militar turco de Jerusalém oferece a sua rendição aos ingleses, ele estende um lençol das camas do hospital do Colôny como uma bandeira branca, que hoje está no Museu imperial da Guerra em Londres.

Já com os descendentes de Spafford, seguindo o exemplo dos pais, em 1947 e 1967 vem à tona os dois conflitos da guerra árabe israelense e o Colony continua com a missão de fazer o bem, com a bandeira da Cruz Vermelha sobre a sua cúpula.

Hoje, o Colony é um hotel ainda dos remanescentes dos Spaffords, mas não perdeu a sua missão: mantém ainda o antigo objetivo de Horatio com o Spafford Children’s Center para atender as crianças carentes de Jerusalém.

Horatio é um daqueles personagens únicos que ensina que as provações da vida não ocorrem para nos transformar em pessoas ressentidas ou amargas, ao contrário, nos tornam melhores.

Como ele mesmo escreveu:

“…Se dor a mais forte sofrer,
Oh, seja o que for, Tu me fazes saber
Que feliz com Jesus sempre sou!”

Sim. O lugar de fazer o bem é como o de Deus, em toda a parte. Seja em Chicago, seja no oceano ou seja em Jerusalém.

Que 2020 seja um ano que façamos o bem! Que em 2020 tudo esteja bem com a sua alma. Feliz 2020, com Jesus!

Ex-ministro da Agricultura, veterinário e empresário.

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