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devocional

O cântico de volta à presença de Deus

Sem a Arca o povo do Senhor sentia que tinha ficado longe da presença de Deus.

José Brissos-Lino

em

Arca da Aliança. (Reprodução/History Channel)

O episódio da recuperação da Arca da Aliança leva-nos ao cântico de volta à presença de Deus. “E levaram a arca de Deus, da casa de Abinadabe, sobre um carro novo; e Uzá e Aiô guiavam o carro. E Davi e todo o Israel, alegraram-se perante Deus com todas as suas forças; com cânticos, e com harpas, e com saltérios, e com tamborins, e com címbalos, e com trombetas” (1 Crónicas 13:7,8).

Deus instruiu Moisés sobre a construção da Arca. Ela continha as tábuas da lei, que representavam a vontade de Deus, a vara de Aarão que havia florescido, representativa do poder divino, e um vaso com uma amostra do maná, que significava a provisão de Deus. Assim, a Arca da Aliança representava a aliança de Iavé com o povo de Israel, mas também a Sua presença no meio do seu povo.
Deste modo, compreendemos que a presença de Deus atesta-se por estas 3 coisas: a Sua vontade soberana, o Seu poder ilimitado e a Sua provisão suficiente.

Nas guerras da conquista de Canaã por vezes a Arca ia à frente dos soldados e garantia vitória. Mais tarde, Josué construiu uma tenda permanente em Siló, para proteger a Arca, quando ainda Israel não tinha terminado a conquista do território.

Nos últimos tempos dos Juízes de Israel, a Arca era guardada pelo sacerdote Eli, e seus filhos. Mas eles revelavam comportamentos ilícitos. A Bíblia diz que “não conheciam o Senhor” (1 Samuel 2:12), são descritos como “filhos de Belial”, “corruptos” ou “canalhas”. Nessa altura os filisteus invadiram a Palestina, e os israelitas foram buscar a Arca a Siló para vencer os invasores, mas não funcionou, foram derrotados, e a Arca capturada. Os filhos de Eli tinham provocado a ira do Senhor e maldição sobre a sua família. Talvez por isso ambos morreram no mesmo dia, quando Israel foi derrotado pelos filisteus. E quando Eli recebeu a notícia também morreu.

Então, os filisteus levaram a Arca como despojo de guerra, para o templo de Dagom, em Asdode, e começaram a suceder coisas estranhas: por duas vezes, a cabeça da estátua de Dagom apareceu cortada. Em seguida, moléstias (hemorróidas, especificamente, além de um surto de ratos) teriam assolado a população de Asdode, inclusive príncipes e sacerdotes filisteus, o que fez com que a arca fosse transportada para Ecrom, outra cidade filisteia. Porém, a população local reagiu negativamente à sua presença, e enviou a Arca de volta ao território de Israel numa carroça. A Arca tinha estado fora de Israel durante sete longos meses.

No início de seu reinado, Davi ordenou que a Arca fosse trazida para Jerusalém, onde ficaria guardada numa tenda. Mais tarde, Davi tomou consciência de que a Arca da Aliança, símbolo da presença de Deus na Terra, estava numa tenda, enquanto ele vivia num palácio. Então começou a planear a edificação de um Templo, que veio a ser construído pelo seu filho Salomão.

Algumas conclusões:

Longe da presença de Deus

Sem a Arca o povo do Senhor sentia que tinha ficado longe da presença de Deus. Já não tinham Moisés, nem Josué, nem os profetas e ainda não tinham um templo (centro de adoração). É como se estivessem no exílio. Mas o mais grave é quando as pessoas se afastam da presença de Deus na sua vida e não dão conta disso.

Desmoralizados

Perante a derrota sofrida com os filisteus, sete meses antes, os israelitas sentiam-se profundamente desmoralizados e ainda mais pela captura daquele grande símbolo da presença do Senhor. O recurso à Arca como talismã não funcionou. Quando estamos mal não podemos olhar para um culto ou uma oração como panaceia para todos os males.

Consequências pesadas

O pecado dos filhos de Eli, o sumo-sacerdote, teve consequências muito graves para todo o povo de Israel. O que se requer dos líderes espirituais não é que sejam muito dotados, talentosos ou ungidos, mas que sejam fiéis e íntegros. O panorama atual não é bonito…

Incompreensão

O regresso da Arca a Israel era motivo de júbilo, mas nem todos compreenderam. Mical, a mulher do rei David, desprezou o marido pela sua alegria. Não esperemos que toda a gente compreenda a alegria dos remidos na presença do Senhor.

Podemos imaginar que este cântico de volta à presença de Deus poderia ser o cântico do filho pródigo na festa do regresso a casa, ou do seu pai: “E Davi e todo o Israel, alegraram-se perante Deus com todas as suas forças; com cânticos, e com harpas, e com saltérios, e com tamborins, e com címbalos, e com trombetas.” Diz o salmista: “Mas alegrem-se os justos, e se regozijem na presença de Deus, e folguem de alegria. Cantai a Deus, cantai louvores ao seu nome; louvai aquele que vai montado sobre os céus, pois o seu nome é Senhor, e exultai diante dele” (Salmos 68:3,4).

Nasceu em Lisboa (1954), é casado, tem dois filhos e um neto. Doutorado em Psicologia, Especialista em Ética e em Ciência das Religiões, é director do Mestrado em Ciência das Religiões na Universidade Lusófona, em Lisboa, coordenador do Instituto de Cristianismo Contemporâneo e investigador.

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