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“Homens e mulheres morreram para minha geração chegar até aqui”, diz missionário

William Barth é assessor da ONG CACEMAR que atua na África.

Cássia de Oliveira

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William Barth
William Barth (Foto: Israel Floretin/CACEMAR)

Com 22 anos, William Barth, serve voluntariamente como assessor do CACEMAR (Centro de Acolhimento Casa Esperança e Missão Refúgio). A ONG atua em Burkina Faso, na África, desenvolvendo projetos humanitários com meninos escravizados pela cultura islâmica. William foi o idealizador do projeto de voluntariado jovem do CACEMAR, o “Let’s go to Africa”, que realiza expedições missionárias para Burkina Faso todo o ano.

O jovem missionário, que é estudante do 8° semestre de Direito na PUC, também serve como Diácono na sua igreja local, a Assembleia de Deus de Esteio (RS), e tem se destacado como pregador em eventos jovens.

Direto da África, onde está em expedição missionária durante este mês, William Barth conversou com o Gospel Prime sobre juventude cristã, trabalho missionário  e suas experiências no continente africano.

Leia a entrevista na íntegra:

Gospel Prime – Quando e como nasceu a chama missionária em seu coração?

William Barth – Acredito que não se torna possível precisar uma única data para o nascimento de um chamado, pois, para mim, ele é semelhante ao crescimento de uma árvore. Deus começa com a semente, após, as raízes vão se desenvolvendo no interior, onde ninguém está vendo. E, para mim, não foi diferente.

O tempo de missão com meus avós no interior do Estado foi fundamental. Mesmo eu sendo, ainda, uma criança, Deus já estava lançando a semente, nutrindo minhas pequenas raízes. E meus avós, os primeiros missionários que conheci, foram aqueles que cooperaram para isso.

Após isso, de todas as formas, dentro de casa, meus pais sempre liberaram palavras sobre meu futuro e o chamado que Deus despertaria em meu coração. A estimulação pelo contato direto com o Senhor vem do lar. Cultos caseiros sempre foram cultural em nossa família. Tanto é que eu e meus irmãos brincávamos de “cultinho”, na maior inocência. E claro, eu sempre queria pregar.

Penso que tudo que fazemos na rua, nos altares, ou até mesmo em nosso chamado, deve ser apenas um reflexo da nossa vida em família, da nossa mesa, em casa. Mas, chega um tempo em que Deus começa a bradar em nossas vidas fora de casa. Diversas vezes recebi palavras proféticas sobre ministério e futuro, mas, foi em 2013, em um Congresso de Jovens, em minha igreja local, que ocorreu um divisor de águas, e resume tudo que vivo hoje. Através da vida do Pastor Geziel Gomes, foi lançada uma palavra de ativação sobre meu chamado. Seis anos se passaram até que ela se cumprisse. Hoje, 2021, vivo o início dela, desde 2019. Então, foi um longo tempo de enraizamento no Senhor e preparação para poder entender e viver o chamado. Tempo de nutrição, desenvolvimento e crescimento.

Conte sobre a atuação da ONG CACEMAR na África. Como tem sido a experiência de trabalhar como assessor da ONG no Brasil?

A ONG CACEMAR existe há mais de 20 anos em atuação na África, no país de Burkina Faso, e surgiu com o desenvolvimento do trabalho da Missionária, e hoje Presidente, Carmem Rejane da Silva Kologo. A frente primordial de atuação se dá com o cuidado e amparo de meninos que, segundo a cultura local, são caracterizados como escravos dos tempos modernos.

Quando um menino alcança a idade média de cinco anos, seus pais, querendo educá-lo na religião Islâmica, e acreditando que assim herdarão o “céu”, doam o próprio filho para mestres do alcorão, sabendo que ficarão presos até os 17 anos ou até concluir o estudo corânico. Eles são tirados de casa mal sabendo escrever o próprio nome, muito menos pronunciá-lo. São levados para lugares denominados “escolas corânicas”, onde as condições são subumanas. Dormem no chão e são obrigados a decorar o livro sagrado do islã. Após, devem recitar aos seus professores, caso haja insucesso, apanham e são torturados. Isso tudo na parte da manhã, na tarde, são postos às ruas para mendigar. Também, com a obrigação de trazer valor específico, senão, voltam a ser torturados.

A atuação da ONG se dá neste tempo em que eles estão nas ruas. É o momento em que a Casa Esperança recebe-os, dando alimentação digna, amparo ambulatorial e primeiros socorros. Além do fornecimento de espaço para brincarem e se divertirem, oportunidade de serem crianças realmente. Esse é o primeiro meio de ministração do evangelho e mudança de vida, através de atos de amor e serviço.

Ainda, contamos com a segunda casa, a Refúgio, onde meninos que pedem acolhida para nós são recepcionados. Eles conheceram o trabalho primeiramente na Casa Esperança, e agora sabem que existe oportunidade de mudança de vida, e acabam procurando a missionária. Hoje, essa casa abriga meninos que tiveram suas vidas transformadas pelo evangelho. Eles estudam, alguns estão indo pra faculdade, e ainda frequentam a igreja local. Recebem moradia, alimentação, roupas, e claro, o cuidado e o carinho de um lar que perderam.

Acho que ter essa oportunidade de assessorar a direção da ONG é algo único em toda minha vida. Nem em meus melhores planos poderia arquitetar. É válido lembrar que tudo iniciou em uma conferência, através de um chimarrão, onde pude conhecer Jeferson Luiz e Kamila Bianchi, um casal que foi a ponte para meu chamado, após conheci a Missionária Rejane.

Para mim, é um desafio grandioso. Uma responsabilidade imensa, pois não se trata apenas de ser um assessor voluntário, é ser mordomo no reino de Deus. Servindo com tudo que tenho e administrando o que Ele tem para cumprimento de um propósito. Mas existe algo que me traz muita paz que aprendi com minha discipuladora, e principalmente me dá certeza do que faço: não busque arrombar portas que Deus quer abrir. É isso que vivo, ver essa porta sendo aberta dá paz em estar na centralidade da vontade do Criador.

O que mudou no William Barth depois de sua primeira viagem à África?

É impossível você servir alguém e não ser transformado. O ato de serviço que tive em 2019 mudou minha perspectiva de vida. Inicialmente e internamente, vi que deveria estar mais disposto ao trabalho do Senhor. Deixar Deus conduzir minha vida da maneira que ele quisesse. Deixar o chamado me dominar completamente, e principalmente, confiar naquilo que Jeremias, no capítulo 29, verso 11, fala: “O Senhor sabe os planos que tem para mim, e eles são bons”.

Também, a capacidade de experimentar o sobrenatural da parte de Deus deveria ser algo que todo Cristão deveria estar exposto. Foi o ano em que mais vi a mão de Deus agir. Desde minha saída do Brasil, até o momento em que estive aqui. Conheci um Deus fora dos padrões que eu queria colocar. Fora dos livros que tentam definir quem Ele é, e o que faz. Um Deus livre em seu poder e dinâmico em seu agir.

Acredito que minha visão de reino foi mudada completamente. Vi pessoas não terem um colchão para dormir, mas adorarem como se vivessem em mansões. Testemunhos de como simplesmente, em um ano, não precisaram ir ao médico, e isso era motivo de tamanha graça e devoção ao Senhor.

São tantos valores que revemos e revisitamos que, como diz meu Líder Jeferson, só vindo aqui pra saber explicar. Mas, o que mais fica marcado em minha vida é o que Davi fala em Salmos: “Mais vale um dia em teus átrios do que mil em qualquer outro lugar”. Então, para mim, o que mudou é que vale muito mais gastar tudo que tenho para Cristo e viver no centro de sua vontade, do que ganhar a vida lá fora, mas perdê-la aqui dentro.

Como tem sido a 2° Expedição do Projeto “Let ‘s go to África” em Burkina Faso?

É engraçado falarmos em segunda expedição quando algo que mal era a primeira estava se formando. O maior propósito destas viagens é potencializar a obra missionária, bem como conectar pessoas aos seus chamados, ativando-as.

E para nós, como coordenação, ver tantas pessoas com potencial imenso dedicando suas vidas em servir outras, é ver Cristo refletido. É ver no coletivo aquela cena da mulher que derramou um ano de salário aos pés de Jesus. Deu tudo ao Senhor.

Essa expedição tem tido o foco no protagonismo de projetos. Além de dar seguimento a tantos outros, temos visto novas iniciativas; desde o cuidado e atendimento de saúde às mulheres e viúvas da comunidade local, até projetos na área educacional, com ferramentas pedagógicas para o ensino de crianças em bairros carentes.

A equipe da Expedição de 2020 quase não embarcou para a África e você relatou terem vivido milagres naqueles dias. Como foi essa situação?

Foi um ano inteiro de programação até chegarmos ao momento do voo para nossa primeira escala na Europa. Entretanto, no Aeroporto de Guarulhos recebemos a informação de que toda a Europa havia fechado (em função da crise do coronavírus). Estávamos na fila com toda equipe quando o supervisor da companhia aérea Lufthansa nos comunicou. Fomos barrados e impedidos de embarcar.

Neste exato momento parecia que alguém havia tirado meu chão. Eu e os diretores entramos em oração prontamente, com toda a equipe. Não tínhamos outras alternativas, muito menos dinheiro para comprar outra passagem com rota diferente.

Perdemos o voo do dia 21 de dezembro e tentamos outras maneiras. Havia uma pressão terrível sobre nossos ombros, e a mente agitada tentando solucionar o problema. Pessoas de todos os lugares nos mandavam mensagens de apoio e oração. Posamos no local e a madrugada foi agitada e incansável.

Pastores, Deputados, amigos e familiares tentaram de tudo. Recebemos até a notícia que o Ministro das Relações Exteriores do Brasil já estava ciente da nossa situação, e parlamentares tentavam articulação com Itamaraty e o Consulado Belga (nossa escala principal, de mais tempo). Mas tudo sem sucesso.

Foi quando, no início da tarde do dia 22 de dezembro, graças a uma amiga que trabalha conosco desde 2019 na agência parceira da expedição, Juliana Inês Webber, que articulava nosso trânsito pela Europa, depois de muita conversa, o Cônsul Belga nos autorizou. Foram diversas restrições e dificuldades na conversa, mas que, por último, vimos Deus mudar o coração e a situação na qual estávamos.

Fomos autorizados a seguir viagem, mas apenas no dia 28 de dezembro, tivemos que ficar uma semana em São Paulo. Mesmo com essa mudança, percebemos que o Senhor estava agindo sobrenaturalmente. Fomos os únicos brasileiros a passarem pelo lockdown que estava ocorrendo na Europa.

E os milagres não paravam de acontecer. A segunda preocupação era onde ficaríamos por uma semana, e Deus não nos deixou sozinhos, mais uma vez. Recebemos a notícia que a Assembleia de Deus, Ministério Belém, sede em São Paulo (igreja do Presidente da CGADB) nos receberia sem nenhum custo. Bem como, a Deputada Marta Costa nos mandaria duas vans para nos buscar com toda nossa bagagem.

Como você responde àqueles que dizem que projetos como o “Let ‘s go to Africa” é apenas um passeio para jovens “ostentarem” no Instagram e que deveriam fazer obra social no Brasil ao invés de viajarem pro continente africano?

Primeiramente, acredito que eu não estou na posição de responder e justificar aquilo que faço, visto que tudo isso, todas as vidas transformadas, todos os chamados impactados, todos os jovens que tiveram a oportunidade de deixar o chamado de Cristo ser vivo em suas vidas, se justificam apenas no que Cristo diz sobre isso.

O que me deixa muito preocupado não são a quantidade de críticas, mas a quantidade de cristãos críticos à obra missionária, tendo em vista o que a Bíblia nos diz. Marcos 16:15 é o maior mandamento missional para a igreja, é o princípio do entendimento sobre missões. Jesus quando veio anunciar o evangelho mandou os discípulos para todo o mundo. Imagine se Paulo tivesse dado ouvidos às críticas como essas, será que muitos países teriam ouvido falar do evangelho? Ou imagine se Daniel Berg e Gunnar Vingren tivessem pensado assim antes de virem ao Brasil, para recebermos o evangelho? Ou se Billy Graham tivesse ficado apenas nos Estados Unidos… E tantos outros que poderiam ser citados que responderiam perfeitamente.

O problema não está em sair para fazer algo para o Senhor, o problema está contido na analfabetização bíblica de pessoas que não compreendem que cada um possui uma função distinta. Paulo diz expressamente que somos membros com funções distintas no corpo de Cristo (Rm 12:4-5).

A nossa obrigação é a evangelização mundial, não somente a local. Esse é nosso encargo. Essa é nossa missão. Mesmo que pedras sejam lançadas, entendemos que aqueles que se incomodam com a missão transcultural sendo feita, e usam como resposta a missão local, são esses vocacionados para fazê-la em sua região.

Nós da equipe de voluntariado entendemos que nenhum voluntário que não exerça o serviço à igreja local possa servir na missão transcultural. É um princípio de concordância. Como vou exercer algo fora, se primeiro não faço dentro? Aqueles que se preocupam grandiosamente com isso podem descansar e entender que Deus tem zelo com sua obra e não age em incongruências.

Além disso, o Deus que chama, vocaciona e envia para as missões, é o mesmo que faz retornar, caso a motivação do coração seja turva. Logo, nosso encargo como igreja crítica à obra de Cristo, é, além de tudo, apenas orar e interceder.

Nos últimos anos, você também tem se destacado como um jovem pregador para a juventude da região metropolitana de Porto Alegre. Quando você começou a pregar e como tem sido essa experiência?

Pregar o evangelho é algo que tem meu coração, principalmente servir à igreja no ministério da palavra. Essa chama iniciou quando eu ainda era criança, como respondi anteriormente, mas ministrei pela primeira vez quando tinha 12 anos.

Desde lá, o desejo pela ministração da palavra só aumentou. Entendo hoje como um ministério de proclamação. Anunciar vida, transformação e mudança. É um instrumento poderoso que Deus nos dá, e vejo isso como algo que possui meu coração de uma forma tremenda. Vidas que são transformadas por uma palavra. Destinos redirecionados. Local onde havia morte, ser tomado de vida. Não existe prazer maior do que ver Cristo sendo anunciado e mudando realidades.

Assim como alguns jovens da equipe do “Let ‘s go to Africa”, você irá pregar na igreja local em Burkina. Como está sua expectativa para essa experiência singular?

É a segunda vez que ministrarei aqui. E posso afirmar, a sensação é como se fosse a primeira. Além de ministrar para pessoas de uma cultura diferente, é um local diferente, e com tradução simultânea em outras duas línguas. Mas, o que me tranquiliza é saber que o evangelho é o mesmo.

O sentimento pela ministração aqui é como se eu voltasse aos meus 12 anos, e sentisse aquele frio na barriga. A responsabilidade em saber que uma palavra liberada pode transformar destinos. Ativar vidas. Mudar realidades.

Você acredita que um novo tempo de avivamento missionário chegou para a juventude brasileira, como foi profetizado no The Send Brasil no ano passado? 

Acho que diria que estamos vivendo um despertar na juventude jamais visto. Estive no The Send, foi um momento muito pontual onde proclamamos o nome de Jesus em unidade, mas, para além disso, acho que é o momento que Deus já havia determinado.

Pelos lugares que tenho passado e pessoas que tenho me conectado, percebo duas coisas: a primeira, é que o avanço do evangelho no Brasil está alavancado; a segunda, é que os brasileiros estão portando a chama missionária da última hora.

Minha geração só chegou até aqui porque homens e mulheres morreram e plantaram para este momento acontecer. Talvez eu não consiga precisar o que exatamente está acontecendo no meio jovem, mas, eu afirmo, Deus está movimentando estruturas espirituais. E digo: minha geração não está perdida, ela está sendo salva e entregando sua vida para ajudar a salvar outros. Tenho que acessamos um tempo estratégico da parte dos céus. O despertar começou, só não começa a viver e enxergar quem fica preso aos seus conceitos. Deus é Deus de coisas novas. Novidade de vida. Vinho novo. Tempo novo. Estamos progredindo e avançando.

Algumas pessoas afirmam que a juventude de hoje é alienada espiritualmente e que não almeja mais o campo missionário e o ministério. Você enxerga desse jeito?

Em todos os lugares sempre haverá uma parcela daqueles que estão extremamente alinhados e outra que nem tanto. Creio que, com essa crescente do evangelho no meio jovem, temos sim uma grande parcela que deseja o ministério e o campo missionário, entretanto, não é o desejo ou a falta dele que deveria nos preocupar, mas a desqualificação e o despreparo desses que anseiam ou que já estão indo, até mesmo a parcela que apenas quer ficar.

Paulo nos ensina que nem mesmo se um anjo dos céus descer pregando outro evangelho deveríamos acreditar. Infelizmente, a alienação surge, e sim ela existe; se dá pela falta de conhecimento bíblico, falta de devoção e tempo com o Senhor. Mas, eu, particularmente, não gosto de fornecer meu tempo e atenção somente àquilo que está dando errado, mas ser atencioso ao que está dando certo. Ou seja, tantos jovens que têm incendiado as universidades, setores da sociedade sendo dominados por filhos de Deus, o campo missionário recebendo novos missionários e, principalmente, nunca se falou tanto sobre a igreja perseguida quanto hoje, isso me dá esperança e alegria.

Como foi ser consagrado ao ministério de diaconato tão jovem? Você imagina isso para sua vida?

Acho que Deus não erra o tempo nem a estação em nossas vidas. Eclesiastes diz que “há tempo para todas as coisas (…)”, logo, acredito que foi no tempo que Deus havia determinado, e isso me traz um senso de responsabilidade grandioso.

Embora entenda que mesmo não precisando de um título declarado na frente de todos, precisamos servir inevitavelmente, vejo que o reconhecimento é válido, e me faz perceber que o esforço tem que ser dobrado. Seja meu serviço na igreja local, tanto quanto na obra missionária.

Nesse sentido, me surgem certezas, e uma delas está associada ao que ouvi certo dia: Não é o chamado que você tem, mas ele que tem você. Logo, percebi que minha vida será baseada no serviço ao Senhor. Se o próprio Cristo afirma que não veio para ser servido, mas para servir, quanto mais a mim.

Independente do cargo eclesiástico, posição social ou local em que estivermos, sempre devemos buscar servir ao Senhor e uns aos outros. Então, acredito que o que vivi e estou vivendo, é baseado no serviço e no trabalho. Como será o restante dos dias ou onde estarei, isso compete ao Senhor, pois a palavra diz que o dia de amanhã pertence a Ele. Agora, a certeza é única: Ele vai conduzindo pelas portas que irão sendo abertas.

Quais as suas referências em sua vida e ministério?

Minhas referências de vida são meus pais. Admiro grandemente o ardor pelo trabalho que minha mãe possui, o coração entregue ao serviço e cuidado. Gosto de comparar ela com a mãe de John Wesley, onde ele mesmo se referia que aprendeu mais sobre Cristianismo em seu colo do que com todos os teólogos da Inglaterra. Acho que minha mãe é semelhante. Vi o cuidado com o ensino de todos os meus irmãos, dentro de casa, no caminho do Senhor. Já meu pai, existe algo que carregarei como herança de aprendizado, é a fé que possui. O Vi, diversas vezes, em vendavais, mas permaneceu firme, inabalável. Acho que ele acessou uma certeza do que é confiança no Senhor e sabe que Cristo sempre lutará por nós. Ensinamentos que levarei para a vida e a construção de um lar.

Sobre meu ministério, especificamente, levarei além dos conselhos dos dois, a dedicação dos meus avós e, inicialmente, o aprendizado sobre como vale a pena gastar a vida aos pés de Cristo. Em referência fora do convívio familiar, existem três pessoas que já tive contato e acompanho que me ensinam intensamente. A primeira delas é a minha discipuladora, Viviane de Oliveira, a segunda Pr. Luiz Hermínio e a terceira Pr. Luciano Subirá. Pessoas que me ensinam e têm frutos. E contra frutos, não há argumentos.

Como você se vê no futuro? Pretende conciliar a carreira do Direito à obra missionária?

O direito para mim, hoje, é um instrumento que Deus me deu para anunciar seu nome. Torná-lo conhecido na universidade. Ele no futuro se tornará uma plataforma para eu acessar lugares e pessoas. Uma chave que abrirá portas para meu campo missionário nesse setor da sociedade.

Talvez, chegue um ponto em que Deus solicite exclusividade na obra missionária, mas, até lá, continuarei fazendo o que ele me mandou fazer. Estudar, trabalhar com o que tenho em minhas mãos e servir à igreja local.

No Brasil polarizado dos últimos anos, os Direitos Humanos tem sido visto com maus olhos por muitos cristãos. Como estudante de Direito e missionário, de que forma você interpreta essa questão? 

Infelizmente isso se deu pela questão do domínio político. O que me deixa intrigado é que nós cristãos somos culpados. A palavra de Deus declara expressamente que o reino de Deus é justiça, paz e alegria. Essa justiça nos fala de que todos têm seus direitos assegurados. E nós, ao não compreendemos isso, ao não interpretamos corretamente, ficamos silenciosos, deixando oposições dominarem essa esfera. O Dr. Marthin Luther King afirma que o que o preocupava não era o grito dos maus, mas o silêncio dos bons. Logo, entendo no mesmo sentido. Estamos calados. Temos que trazer o padrão dos céus para essa esfera também. E, principalmente, motivar cristãos para a atuação dentro da esfera legislativa.

Temos que dominar novamente a esfera dos direitos humanos. O direito das mulheres que apanham em casa e são estupradas. O direito das crianças que são abusadas e passam fome. Os direitos dos idosos que são descuidados. O direito de todos. Os direitos humanos falam sobre todo e qualquer ser humano que tem alguma violação, e possui a necessidade de ser reposicionado ao status quo. Não podemos tolerar a desigualdade que enfrentamos hoje. A igreja é o instrumento e mudança social perfeito nessa luta para buscar o nivelamento de igualdade.

Qual conselho você deixa para o jovem que almeja o campo missionário?

O mesmo conselho que ouvi anos atrás quando questionei um Pastor sobre o assunto: estude, se prepare, estude idiomas, pois Deus não chama ninguém parado, quanto mais sem ferramentas para trabalhar. Capacite-se. E, principalmente, sirva na igreja local, no que tiver disponível. Não busque algo fora se você não cultiva dentro.

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Jornalista formada pela UFRGS. Repórter da AD Guaíba, colunista do Blog Nam.orei e colaboradora do Blog Ultimato Jovem. Anunciando boas novas.

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