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estudos bíblicos

Entre a Páscoa e o Pentecostes

em

O Pentecostes, a festa das primícias

No contexto judaico

No antigo calendário israelita estão relacionadas três importantes festas (Ex 23.14-17; 34.18-23): a primeira é a Páscoa, celebrada junto à dos Pães Asmos; a segunda é a Festa das Colheitas ou Semanas que, a partir do domínio grego, recebeu o nome de Pentecostes; finalmente, a festa dos Tabernáculos ou Cabanas. O povo de Deus é de fato um povo festivo!

A palavra Pentecostes é de origem grega (pentekoste), e significa “quinquagésimo”, referindo-se ao quinquagésimo dia depois da Páscoa, e marcava o final da colheita de cevada.

Segundo o Dicionário Bíblico Vida Nova, “Na época do NT, em harmonia com Dt 16.16, esperava-se que todos os homens israelitas fossem a Jerusalém três vezes por ano, para as festas da Páscoa, de Pentecostes e dos Tabernáculos (tendas). A população temporária de Jerusalém nessas épocas podia chegar a três milhões, de acordo com o historiador Josefo, embora estudiosos atuais reduzam isso a um número mais realista de 180 000” [5].

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Propósitos da festa

Pentecostes era a festa judaica na qual os judeus estavam obrigados a se dirigirem ao tabernáculo ou templo (Ex 34.22) para:

  1. Oferecer a Deus, através da mediação do sacerdote, os primeiros frutos da colheita e também sacrifícios de animais, reconhecendo assim o absoluto domínio do Senhor sobre todas as coisas e sua terna provisão;
  2. Posteriormente os judeus também passaram a usar esta festa como celebração do aniversário da entrega da Lei mosaica, que ocorreu no 50° dia depois da saída do povo hebreu do Egito.

As principais referências e detalhes da festa de Pentecostes na Bíblia são encontradas em Êxodo 23.16; 34.22; Levítico 23.15-21; Números 28.26-31; Deuteronômio 16.9-12 e 2Crônicas 8.13.

O dia de Pentecostes

No contexto cristão

O dia de Pentecostes tem um valor histórico e espiritual muito importante para os cristãos, pois foi o dia escolhido por Deus para derramar de modo inaugural o seu Espírito sobre os cristãos (At 2), dando início assim à Igreja do Senhor Jesus, como ele prometera (Mt 16.18; Conf. Jl 2.28,29 e At 1.8). Naquele dia, de modo inaugural e num culto solene, o Espírito Santo veio sobre os discípulos através de três manifestações:

AUDIÇÃO (ouviram um som)

“E de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados”. Um grande barulho precedeu o derramamento do Espírito sobre os 120 discípulos que estavam no cenáculo. Barulho como de um forte vento! Vento, aliás, que é uma das figuras do Espírito Santo na Bíblia. Como Ezequiel que ouviu o “ruído” do reavivamento de Israel, o vale de ossos secos (Ez 37.7), os discípulos ouviram o som do avivamento da Igreja!

VISÃO (viram línguas de fogo) – “E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles” (At 2.3). O estudante da Bíblia pode se perguntar: “como assim, viram línguas de fogo?”. A explicação não é difícil: como bem sugerido por I. Howard Marshal[6], naquela manhã no cenáculo, uma chama de fogo dividiu-se em várias línguas, de modo que cada uma delas pousou sobre uma das pessoas presentes. Hackett descreve assim essa experiência das línguas repartidas: “A aparição semelhante ao fogo apresentou-se primeiramente em um corpo único, e então repentinamente repartiu-se em todas as direções, para que uma porção pousasse sobre cada um dos presentes”[7]. Consegue imaginar essa cena? Uma grande chama de fogo ou talvez uma coluna de fogo como na peregrinação de Israel no deserto, pairando sobrenaturalmente naquele cenáculo? Para o teólogo G. K. Beale, ali ocorrera uma manifestação teofânica, quando o Espírito Santo veio pessoalmente em chamas de fogo [8]. Seja como for, uma única chama de fogo repartiu-se sobre a cabeça de todos os presentes, e cada um sobre quem pousava aquela chama passava a falar em outras línguas não aprendidas. A imagem é realmente palpitante!

ELOCUÇÃO (falaram novas línguas) – “E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem” (At 2.4). Noutras três situações em que o derramamento do Espírito foi explicitamente acompanhado do dom de línguas, os fenômenos de audição (som como de vento veemente) e de visão (línguas repartidas como que de fogo) não ocorreram, entretanto, o fenômeno da elocução propriamente, isto é, o falar em outras línguas ocorreu. Daí porque não cremos na necessidade de todo o conjunto de manifestações que ocorreu no dia de pentecostes dever se repetir hoje; mas cremos piamente que a promessa de Jesus – “falarão novas línguas” (Mc 16.17) -, cumpridas inicialmente em Pentecostes, repetida na casa de Cornélio em Cesaréia (At 10.44-46) e entre os crentes efésios (At 19.1-7), continua a se cumprir em nossos dias hoje! “Não proibais o falar em línguas”, é a exortação bíblica (1Co 14.39).

Derramamento do Espírito e colheita de almas

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Se o Pentecostes para os judeus representava a festa da entrega da Lei no Sinai e a gratidão pela colheita dos primeiros frutos da terra, para os cristãos esta festa se tornou simbólica por ser a doação do Espírito de Deus com seus maravilhosos dons em Jerusalém e também por ser a colheita dos primeiros frutos da igreja, onde cerca de três mil almas foram convertidas na pregação do apóstolo Pedro (At 2.41). O pentecostes cristão é carismático e evangelístico! Isto é, vive a experiência dos carismas (os dons espirituais) e o ímpeto pela salvação das almas!

Entretanto, a celebração da festa de Pentecostes propriamente, conforme regulamentação da Lei de Moisés, foi ordenada aos judeus, não aos cristãos, apesar que muitos cristãos (especialmente católicos) celebram esta festa, de modo adaptado. Evangélicos de modo geral não celebram o dia de Pentecostes, mas celebram o evento pentecostal, isto é o derramamento do maravilhoso Espírito de poder sobre a Igreja de Jesus Cristo, conforme Atos 2.

No contexto evangélico pentecostal

Em nenhum lugar do Novo Testamento se intitula algum cristão como “pentecostal”. Entretanto, a partir do início do século 20, após a explosão do avivamento espiritual na Rua Azusa (1906-1909), em Los Angeles, Estados Unidos, sob e liderança de William Joseph Seymour, este título tornou-se muito comum entre os cristãos evangélicos.

Historiadores pentecostais contam que este título “pentecostal” foi, na verdade, atribuído inicialmente por irmãos de outras denominações que não concordavam com o “movimento das línguas” e que queriam zombar dele. Os irmãos seguidores do avivamento Azusa, porém, diziam estarem vivendo legitimamente a mesma experiência que a igreja viveu no dia de Pentecostes, onde o Espírito foi derramado e 120 crentes falaram em outras línguas. Os adversários, não acreditando na “restauração” dos dons espirituais, passaram a taxa-los ofensivamente como “pentecostais”.

Todavia, o adjetivo foi recebido sem ressentimentos, e pegou! Daí passou-se a chamar “avivamento pentecostal” ou “movimento pentecostal” e “igrejas pentecostais” ou “cristãos pentecostais” – por acreditarem que a mesma experiência do Pentecostes, no que concerne ao derramamento do Espírito Santo com dons, é uma experiência repetível. Portanto, o título de “pentecostal” está mais ligado ao evento cristão registrado em Atos 2 do que aos festejos judaicos regulamentados na Lei mosaica.

Conclusão

Hoje, pentecostais já somam mais de 800 milhões no mundo todo em pouco mais de cem anos da ocorrência do avivamento pentecostal. Almejando que o maravilhoso Espírito Santo continue a ser derramado com seus preciosos e poderosos dons espirituais, conforme prometido por Deus através do profeta Joel (2.28-29), e como garantido por Deus através do apóstolo Pedro (At 2.39), como sendo uma promessa que se estende “a todos quantos o Senhor Deus chamar”, é que nós oramos e cantamos alegremente o coro do hino 24 da nossa Harpa Cristã:

Poder, poder, poder pentecostal.
Ó vem nos Inflamar,
Também nos renovar;
Ó vem, sim, vem, ó chama divinal,
Teus servos batizar.

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Referências

[1] Dicionário Bíblico Ilustrado, Vida Nova, p. 1137. Conferir ainda Dicionário Bíblico Wycliffe, CPAD, p. 1554
[2] Jacó Armínio. As Obras de Armínio, vol. 3, CPAD, p. 428
[3] João Calvino. Gálatas, FIEL, p. 145
[4] R.T. Kendall. The Nature of Saving Faith from William Perkins (d. 1602) to the Westminster Assembly (1643-9). Apud HELM, Paul. Calvin and the Calvinists, p. 32
[5] Derek Williams (editor geral). Dicionário Bíblico Vida Nova, 1 ed., Vida Nova, p. 275
[6] I. Howard Marshall. Atos – introdução e comentário, Vida Nova, p. 69
[7] H.B. Hackett. citado em Comentário Bíblico Beacon, vol. 7, CPAD, p. 216
[8] G. K. Beale. Manual do uso do Antigo Testamento no Novo Nestamento: exegese e interpretação, Vida Nova, p. 163
[9] Tiago Rosas. A mensagem da cruz: o amor que nos redimiu da ira, Leve, p. 157.

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Casado, bacharel em teologia (Livre), evangelista da igreja Assembleia de Deus em Campina Grande-PB, administrador da página EBD Inteligente no Facebook e autor de quatro livros.

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