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devocional

Chamada à cura

Em tempo de medicina incipiente e de cuidados de saúde inexistentes os milagres de cura de Jesus eram profundamente necessários. Mas ainda hoje Jesus nos chama à cura. Inspiremo-nos, portanto, no caso do cego Bartimeu (Lucas 18:35-43).

José Brissos-Lino

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Jesus e o cego Bartimeu. (Foto: Reprodução / Rede Record)

Na realidade devíamos dizer chamada à saúde. Antes de mais porque o conceito de Salvação inclui a dimensão da saúde.

A palavra salvação (do grego, soteria) transmite a ideia de cura, redenção, remédio e resgate; (do latim, salvare) refere-se a “salvar”, e também a “salus”, que significa ajuda ou saúde. O cristão normalmente evita estilos de vida que atentem contra a saúde (drogas, tabaco, álcool em excesso, etc).

O temor do Senhor faz bem à saúde. Provérbios 3:7,8: “Não sejas sábio a teus próprios olhos; teme ao Senhor e aparta-te do mal. Isto será saúde para o teu âmago, e medula para os teus ossos.”

Mas o estilo de vida também (16:24): “As palavras suaves são favos de mel, doces para a alma, e saúde para os ossos.”

Depois porque há promessas de Deus no sentido da preservação da saúde aos seus filhos. No deserto: “E disse: Se ouvires atento a voz do Senhor teu Deus, e fizeres o que é reto diante de seus olhos, e inclinares os teus ouvidos aos seus mandamentos, e guardares todos os seus estatutos, nenhuma das enfermidades porei sobre ti, que pus sobre o Egito; porque eu sou o Senhor que te sara” (Êxodo 15:26).

O desejo de Deus é que “nos vá bem”: “Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa; Para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra” (Efésios 6:2,3); “Amado, desejo que te vá bem em todas as coisas, e que tenhas saúde, assim como bem vai a tua alma” (3 João 1:2).

O filme dos acontecimentos:

  1. Jesus não mandou chamar os cegos para os curar. Simplesmente ia seguindo o seu caminho: “E aconteceu que chegando ele perto de Jericó, estava um cego assentado junto do caminho, mendigando” (18). Bartimeu também estava na sua vida do dia-a-dia (a mendigar).
  2. Bartimeu quis saber o que se passava: “E, ouvindo passar a multidão, perguntou que era aquilo. E disseram-lhe que Jesus Nazareno passava” (36-37).
  3. Bartimeu clamou a Jesus, numa atitude de fé: “Então clamou, dizendo: Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia de mim” (38).
  4. Bartimeu foi perseverante e enfrentou a oposição: “E os que iam passando repreendiam-no para que se calasse; mas ele clamava ainda mais: Filho de Davi, tem misericórdia de mim!” (39).
  5. Jesus ouviu o clamor de Bartimeu: “Então Jesus, parando, mandou que lho trouxessem” (40a).
  6. Jesus chamou-o a confessar a sua fé: “e, chegando ele, perguntou-lhe, Dizendo: Que queres que te faça? E ele disse: Senhor, que eu veja” (40b-41).
  7. Jesus honrou a fé daquele homem e curou-o no mesmo instante: “E Jesus lhe disse: Vê; a tua fé te salvou. E logo viu” (42-43a). Os considerados pobres, por vezes são os mais ricos em fé, e os considerados cegos, por vezes são os que vêm mais longe…
  8. Bartimeu tornou-se um discípulo de Jesus e um verdadeiro adorador: “e seguia-o, glorificando a Deus” (43a).
  9. O testemunho de Bartimeu redundou em louvor para Deus por parte de toda a gente: “E todo o povo, vendo isto, dava louvores a Deus” (43b).

Antes de nos chamar à cura Deus chama-nos à saúde. Mas temos que fazer a nossa parte: “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus(1 Coríntios 6:19,20).

Nasceu em Lisboa (1954), é casado, tem dois filhos e um neto. Doutorado em Psicologia, Especialista em Ética e em Ciência das Religiões, é director do Mestrado em Ciência das Religiões na Universidade Lusófona, em Lisboa, coordenador do Instituto de Cristianismo Contemporâneo e investigador.

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