Siga-nos!

Estudos Bíblicos

A tribalização da igreja

Essa fragmentação é prejudicial à edificação coletiva e à saúde espiritual do rebanho.

Alex Esteves

em

Tribo africana. (Photo by Piotr Usewicz on Unsplash)
Publicidade

“Tribalização da Igreja” é a expressão que vou empregar aqui para me referir a um fenômeno antigo, mas incrementado na pós-modernidade, que consiste na fragmentação da comunidade local em grupos não apenas diferentes entre si em questões acidentais (idade, sexo, maturidade cristã), mas em áreas substanciais como doutrina, liturgia, cosmovisão e estilo de vida.

A divisão (não confessada) de uma igreja em tribos é uma forma de se manter a união, mas sem unidade: o pessoal da escola dominical não é o mesmo que participa dos cultos “de maravilha”, que não é o mesmo que evangeliza nas ruas, que não é o mesmo que canta no coral, que não é o mesmo que põe o joelho no chão pra orar, que não é o mesmo que gosta de estridentes solos de guitarra, que não é o mesmo que segue influenciadores digitais com ideias inovadoras e erradas sobre Deus, a Bíblia e o mundo.

Leia mais...

Continua depois da Publicidade

Na pós-modernidade, tudo isso se potencializa, porque o Homem pós-moderno tem dificuldade extrema com pertencimento, enraizamento, submissão, sistematização, pensamento global, institucionalidade, tradição, verticalização nas relações sociais. O Homem pós-moderno quer se “empoderar”, quer ser mimado, quer se sentir bem e confortável, chora facilmente, vive de ressentimentos e adota doutrinas fúteis como quem troca de camisa.

Enquanto o pastor de uma igreja “tribalizada” prega e ensina por pouco tempo durante a semana, suas ovelhas estão sob o pastoreio constante de múltiplas vozes, numa pluralidade confusa, que enseja a criação de diversas identidades para uma só congregação.

É saudável termos a mente aberta e colhermos o que é bom de diferentes fontes, além de que ninguém é obrigado a “pensar igual”, mas eu não posso concordar com um estado de coisas em que se mantém uma unidade aparente, quando, na essência, cada um “puxa a brasa para sua sardinha”, vivendo um evangelho conforme suas preferências pessoais, sem adesão a um propósito que transcenda sua individualidade ou seu gueto.

De todas as tribos o Senhor Jesus Cristo constituiu Sua Igreja, o que é o oposto de a Igreja de Cristo se transformar em várias tribos. Essa fragmentação é prejudicial à edificação coletiva e à saúde espiritual do rebanho.

Continua depois da Publicidade

Para que fique mais claro: eu sei perfeitamente há diferentes dons, e é claro que, por exemplo, um irmão pode ser vocacionado a ensinar teologia ao passo que outro está mais direcionado a pregar a multidões, ou uma irmã está mais ligada ao ministério da intercessão – chamemos assim – ao passo que outra atua em missões. No entanto, a (maravilhosa) variedade de dons espirituais não tem nenhuma relação com a fragmentação das relações eclesiásticas, a ponto de, na mesma igreja, a doutrina pregada pela manhã ser absurdamente contrariada à tarde ou à noite, como se fôssemos um monstro de várias cabeças.

Se cremos, de fato, na verdade absoluta, por que ocorre (em algum lugar do planeta) de transitarmos em pensamentos distintos sobre questões fundamentais da fé? Estamos efetivamente prontos a obedecer às Escrituras ou queremos atuar como políticos que dividem entre si o poder por meio de um pacto de coexistência pacífica, sem compromisso com a revelação divina?

Publicidade

Ministro do Evangelho (ofício de evangelista), da Assembleia de Deus em Salvador/BA. Foi membro do Conselho de Educação e Cultura da Convenção Fraternal dos Ministros das Igrejas Evangélicas Assembleia de Deus no Estado da Bahia, antes de se filiar à CEADEB (Convenção Estadual das Assembleias de Deus na Bahia). Bacharel em Direito.