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opinião

A paciência do setor produtivo brasileiro

Senador propõe o aumento da espoliação sobre um setor até agora pujante, impondo mais impostos

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Estrutura para exploração de petróleo. (Foto: Reprodução)

“A paciência pode ser, infelizmente, outro nome para a continuação da injustiça”. – Amartya Sen

O que mais me impressiona no Brasil é a paciência do setor produtivo. A paciência é uma virtude, mas não pode ser eterna.

Talvez seja por isto que Roberto Campos já apontava que “uma tragédia como a brasileira não é obra do acaso, mas sim de um esforço determinado de décadas”. Sim, décadas.

Em um 28 de agosto, há 160 anos, em um país que fez a opção por um governo limitado e estimulo ao setor privado, Edwin Drake mudou radicalmente a forma que a humanidade iria viver a partir desta data.

Graças ao seu espirito empreendedor, e com “a pele no jogo”, pois tinha recebido 200 dólares em ações de uma nova empresa encarregada de descobrir uma maneira de extrair petróleo.

Mesmo sem conhecimento geológico, Drake tomou emprestada uma ideia da mineração de sal, construindo uma alta estrutura de madeira para prender a maquina de perfuração.

E neste dia jorrou o primeiro óleo de um poço no planeta. Foi o nascimento da indústria do petróleo.

Ontem, décadas depois, em um mesmo 28 de Agosto, o senador Tasso Jereissati leu e entregou na Comissão de Constituição e Justiça o seu relatório da reforma da Previdência.

Mas de forma contraria a um dos setores mais inovadores da nossa economia, a sua proposta coloca um novo imposto nas exportações agrícolas.

Episódio como este permite concluir que o principal problema do Brasil é a fraqueza da sociedade civil, principalmente daqueles que trabalham e produzem.

Este 28 de Agosto pode ser lembrado de algumas maneiras. Um é a comemoração de como Drake entrou nos livros da história.

Seu pioneirismo tirou o mundo das trevas e permite que hoje você tome um avião a viaje a qualquer canto do planeta.

Foi uma das maiores descobertas a favor do meio ambiente, pois o querosene foi o responsável por evitar o abate de baleias e pinguins ou a queima de florestas.

Em outro 28 de Agosto um senador propõe o aumento da espoliação sobre um setor até agora pujante, impondo mais impostos. É abusar da paciência e ultrapassar os limites da responsabilidade.

É, sem dúvida, a nossa eterna vocação para o atraso.

Ex-ministro da Agricultura, veterinário e empresário.

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