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Cultura

Só o evangelho muda a cultura humana

O crente não é uma pessoa alienada, que vive uma cultura totalmente separada da secular.

Tiago Rosas

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Pessoas andando na rua. (Foto: Ryoji Iwata / Unsplash)

Uma cultura dominada pela iniquidade

A cultura original

Quando criado por Deus no Éden, o homem recebeu o que chamamos de “mandato cultural”, isto é, a ordem de Deus para produzir cultura, começando pelo cultivo da terra e pela nomeação dos animais recém-criados (Gn 1.28; 2.15,19).

Portanto, fazer cultura é um chamado natural do ser humano. Criar e aperfeiçoar ferramentas de trabalho, remodelar a natureza, sem destruí-la, criar filhos e educa-los, estabelecer formas de organização e interação social e até mesmo formas de expressar nossa adoração a Deus, etc., são habilidades próprias da humanidade, e Deus realmente deseja que, conforme sua imagem e semelhança em nós gravadas, cumpramos esse chamado.

Deus é criador e nos fez seres criativos, e sua vontade é que, como deveria ter sido no princípio, o amemos com todo o nosso coração, alma, entendimento e forças (Mc 12.30), devotando-lhe o melhor das nossas realizações. “Tudo o que há em mim, bendiga o seu santo nome” (Sl 103.1).

A cultura do homicídio

Desde que Adão e Eva comeram o fruto de que Deus lhes havia proibido, a humanidade se viu infestada pelo pior de todos os vírus: o vírus do pecado. Não só Adão e Eva se viram contaminados por este vírus, mas todos os seus filhos, isto é, toda a humanidade – com exceção do homem perfeito, gerado sobrenaturalmente por obra do Espírito Santo, a saber Jesus – se viu contaminada por tão terrível mal.

Ainda que Caim, filho de Adão, tenha sido o primeiro homicida na história, foi somente nos dias de Lameque, descendente de Caim, que o homicídio foi não só banalizado como ainda declamado em forma de poesia. Com o auxílio de uma Bíblia com a Nova Versão Internacional (NVI), o leitor poderá notar facilmente que os versículos 23 e 24 do quarto capítulo de Gênesis estão organizados visualmente em forma de versos, pois, segundo os melhores comentaristas bíblicos, o texto original hebraico destes versículos é poético, quando Lameque fala às suas mulheres sobre o duplo homicídio por ele cometido. A que nível de depravação chegou a humanidade naqueles dias, a ponto de cantar seus próprios atos violentos!

A vida tem sido banalizada no mundo e por que não dizer em nosso próprio país? Homens impiedosos, sentindo-se donos de suas namoradas ou esposas, saem a mata-las com requintes de crueldade, e muitas vezes demonstram uma surpreendente frieza quando pegos pela polícia. Mas o que dizer das mulheres que saem gritando pelas ruas o direito de abortarem, exigindo que leis sejam criadas para dar-lhes a garantia de impunidade diante do assassinato de seus próprios filhos? “Meu corpo, minhas regras” – não é esta a cultura feminista abortista que predomina no mundo?

A cultura do erotismo

Não é sem razão que com muita frequência a Bíblia condene os pecados ligados à sexualidade. É que em todas as eras a humanidade sempre foi libertina e imoral, constituindo para si um panteão de deuses do sexo: homossexualidade, adultério, fornicação, incesto, bestialismo, lascívia… Se tem dúvida que todas essas perversões da sexualidade humana sempre estiveram presentes na história, provocando a ira de Deus e acarretando juízos severos sobre gerações ímpias, então medite no capítulo 18 de Levítico. Ali, Deus proíbe ao seu povo que siga a mesma cultura que predominava entre os cananeus (um texto muito atual, diga-se de passagem).

Já percebeu como música, dança, artes, filmes, e até propagandas de coisas “tão inocentes” (como barbeador masculino ou perfume feminino) giram em torno do sexo? Se você ligar a Tv num programa qualquer de moda feminina, será uma raridade não ouvir uma mulher dizer “eu gosto de me sentir sexy com esta roupa”. É a cultura da sensualidade que predomina em nosso tempo, e ouso dizer que acima de todas as outras culturas!

Agora, o que é mais triste: esta cultura tem invadido muitas igrejas, e arrastado especialmente o público feminino, que, muito mais que os homens, tem tendência para a vaidade com o corpo. Quantas moças ou mesmo senhoras, algumas até em posição de lideranças na igreja, vão ao culto trajando vestes ora tão curtas, ora tão decotadas, ora tão justas que expõem as curvas do corpo e as marcas de suas vestimentas íntimas, vulgarizando o templo do Senhor que é seu próprio corpo e ainda induzindo homens à alimentarem os mais sujos pensamentos? Estas mulheres não têm nenhum interesse em imitar as santas mulheres de Deus do passado, como Sara, Ana, Débora, Ester, Maria, Priscila, Febe, mas estão interessadas mesmo é em acompanhar a moda e as dicas de beleza das ímpias do nosso tempo, atrizes de novela e artistas da música. Trocaram a santidade pela vulgaridade! Sobre estas, disse o apóstolo Paulo: “Mas a que vive para os prazeres, ainda que esteja viva, está morta” (1Tm 5.6).

A cultura do consumo irrefreado

O consumismo é um deus que tem criado muitos filhos pródigos pelo mundo. Como na parábola contada por Jesus (Lc 15.11ss), não são poucos os que hoje têm desperdiçado todos os seus bens em coisas supérfluas, apenas para aparentar um modo de vida luxuoso, com vistas a impressionar outras pessoas e satisfazer o próprio ego. Não percebem a miséria sobrevindo e, então, de repente são tragados pelo endividamento e pelas privações que se seguem.

Vivemos tempos de ostentação, o que inclusive é fomentado pelas redes sociais. Alguém posta uma foto legal, nalgum momento de lazer com os amigos, e logo a inveja é despertada noutra pessoa que, para não ficar por baixo, colocará a “faca na goela” para comprar um celular da última geração e um ingresso para um dia de lazer; fotografias vêm e vão, mas a fatura do cartão de crédito que é bom, poucos pagam! A foto montada, cheia de risos, muitas vezes esconde a tristeza de um coração vazio, de um nome sujo e de uma família atolada em dívidas e ameaçada de despejo da casa alugada! Bem disse Tiago, “Cobiçais, e nada tendes” (Tg 4.2).

Os aplicativos de entrega de refeições também têm, com suas promoções e cupons de desconto, despertado a glutonaria de muita gente que, mesmo já tendo ultrapassado seu limite de gastos mensal, não vê problema em estourar o orçamento só para comprar aquela pizza-família acompanhada de um refrigerante “grátis” de dois litros. A irresponsabilidade no uso do cartão de crédito tem sido um mal de muitas famílias.

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Casado, bacharel em teologia (Livre), evangelista da igreja Assembleia de Deus em Campina Grande-PB, administrador da página EBD Inteligente no Facebook e autor de quatro livros.

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