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O destino da cidade em suas mãos

Se há alguém que deva se importar com uma eleição, por um dever de consciência e cidadania, é o que se diz seguidor de Jesus Cristo.

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Nas eleições municipais de 1959, em São Paulo, o rinoceronte Cacareco recebeu uma votação maciça, ou quase 100 mil votos, como resultado do protesto dos eleitores paulistas contra o baixo nível dos candidatos e também contra a Câmara Municipal.

No Rio de Janeiro, nas eleições de 1988, o macaco Tião teve sua candidatura lançada por uma revista, como forma de protesto, e acabou recebendo mais de 400 mil votos, ficando em terceiro lugar entre os 12 candidatos. Acabou sendo incluído no “Guinnes Book” na categoria de “chimpanzé mais votado do mundo”.

No tempo das cédulas de votação, tais protestos foram possíveis e tiveram sua graça, despertando a atenção para a baixo nível dos candidatos e a desilusão popular com a política. Mas não passaram disso, além de adiarem os problemas e postergarem o melhor destino para suas cidades.

Agora, quando chega a hora de decidir o destino da sua cidade pelos próximos quatro anos, neste domingo, dia 2 de outubro, através do voto nas eleições municipais, neste movimento crucial da democracia, convém decidir corretamente. Desse modo, cada eleitor certamente terá de pensar sobre o voto que vai dar, sobre qual candidato escolher, pois o voto que depositar nas urnas, ao fim e ao cabo, vai ajudar a dirigir não só a sua cidade, mas também sua própria vida.

Faça um crivo. Você está frustrado com sua escolha nas eleições passadas, se sentindo enganado ou abandonado? Ainda se lembra em quem votou? Você é daquelas pessoas que não se importa porque acha eleição uma coisa chatíssima? Ou você se considera uma pessoa responsável que aproveita a oportunidade de uma eleição como forma de ajudar a mudar ou melhorar a sua própria cidade?

Faça outro crivo. Os candidatos não despertam o seu interesse, não têm propostas coerentes, parecem fora da realidade? Você desconfia que eles só aparecem na hora de pedir voto? Quando eleitos, não comparecem para prestar contas, ou fingem que não é com eles? São acusados de corrupção, ou condenados como corruptos, ou desleais? Fuja destes!

Todavia, se o candidato presta contas com seu eleitorado, se demonstra competência com a coisa pública, se é honesto, então procure levar em conta o que diz, considere também em dar ao mesmo o seu voto. Não ria! Eu posso testemunhar que há candidatos assim. Pelo menos na Missão de Cidadania da

Assembleia de Deus em Belém, posso afirmar que nossos candidatos tratam direto com a nossa comunidade e por esta são fiscalizados, reunindo-se pelo menos uma vez por mês para prestarem contas, ouvirem sugestões e reivindicações dos seus eleitores, que os fiscalizam para que sempre ajam com probidade e pratiquem a política com responsabilidade.

Tenha por certo que a maneira como cada eleitor trata o seu voto é que fornece uma pista segura para sabermos se alguém tem consciência política e exerce plenamente o seu direito de cidadão, ou simplesmente despreza sua oportunidade de produzir mudança. Sem esquecer que a estatura de cada eleitor é medida pela valorização que dá ao seu voto, pelo modo como expressa a sua vontade política nas urnas. Portanto, não use a desculpa do “voto em branco” ou “nulo”, pois isso equivale a votar em um rinoceronte; não se omita, não deixe de votar, pois isso é equivalente a apostar seu voto em um macaco.

Dirijo-me agora especialmente a cada cristão, cujo entendimento e responsabilidade como cidadão lhes diz que pode e tem de fazer algo a partir do seu próprio voto. Ao cristão que sabe que a sua participação pelo voto é que forma o tecido da democracia. Ao cristão que sabe que votar, trabalhar por justiça e equidade são também atos de alta espiritualidade, assim como ir ao templo cultuar a Deus, orar e jejuar, ofertar e dar o dízimo. Dirijo-me ao cristão que sabe que votar é também uma maneira cívica de amar a sua cidade.

E reitero que, de fato, se há alguém que deva se importar com uma eleição, por um dever de consciência e cidadania, é o que se diz seguidor de Jesus Cristo.

Votar é uma parcela importante de sua responsabilidade social, tem a ver com a sua prática da justiça e o seu exercício da misericórdia. Sendo cidadão do Céu, sabe que seu destino é ir morar com o Senhor Jesus, mas não deixa em hipótese alguma de fazer o “dever de casa” e votar pelo bem de sua cidade terrena. O cristão responsável sabe que, em um regime democrático, onde as autoridades políticas são eleitas pelo voto popular, ele também é responsável por aqueles que ajuda a eleger.

O cristão cidadão sabe que não é só o voto que conta. Ele também ora e suplica a Deus pela sua cidade e pelas autoridades constituídas. Intercede diante de Deus para que sejam eleitas pessoas de bem e honestas, compromissadas com o bem da sociedade e dispostas a viver honesta e justamente. E se coloca como parte da resposta de oração, em votando com coerência e responsabilidade.

Assim, insto para que cada cristão faça valer a sua cidadania nestas eleições. Por amor à sua cidade, sem Cacareco ou Tião, vote com a consciência limpa e ajude a eleger as autoridades que nos governarão e representarão os diversos segmentos sociais a que pertencemos, nos próximos quatro anos.

Casado com Rebekah Joyce e pai de três filhos. Formado em teologia, filosofia, pedagogia e direito. É presidente da Assembleia de Deus em Belém do Pará desde 1997 e fundador e presidente da Convenção da Assembleia de Deus no Brasil (CADB).

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