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Igreja

Maior denominação dos EUA tem queda histórica no número de membros

“A Convenção Batista do Sul não é imune à crescente secularização entre os americanos”, diz pesquisador.

Filipe Samuel Nunes

em

Reunião de pastores da Convenção Batista do Sul (Baptist Press)

A adesão total à maior denominação protestante dos Estados Unidos caiu a uma taxa histórica entre 2018 e 2019, de acordo com um relatório anual divulgado esta semana. A Southern Baptist Convention [Convenção Batista do Sul] reportou que tinha 14,5 milhões de membros em 2019, uma queda de cerca de 287.655 em relação ao ano anterior.

A filiação caiu 2%, a maior queda em mais de 100 anos, de acordo com uma pesquisa da LifeWay Christian Resources, braço editorial e de pesquisa da denominação. O declínio reflete uma tendência dos americanos de deixar o cristianismo em um ritmo acelerado. De acordo com o Pew Research Center, 65% dos americanos se descrevem como cristãos, 12 pontos percentuais abaixo da última década.

Os Batistas do Sul caíram mais de 4 por cento, uma métrica fundamental para medir novos membros da fé. A média de cultos semanais e a frequência à escola dominical ou a pequenos grupos caiu menos de 1 por cento cada um. A doação caiu, e as receitas totais da denominação caíram 1,44 por cento para 11,6 bilhões de dólares.

“A Convenção Batista do Sul não é imune à crescente secularização entre os americanos que é vista em nossos filhos e vizinhos que não tem interesse em vir a Jesus”, disse Scott McConnell, diretor executivo da LifeWay Research, em um comunicado. A denominação está em constante declínio há quase 15 anos, quando atingiu seu auge em 2006, com 16,3 milhões de membros.

A convenção tem estado em tumulto nos últimos anos, passando a maior parte de sua reunião anual em 2019 tratando da questão do abuso sexual depois que o Houston Chronicle publicou relatórios sobre o assunto nas igrejas batistas.

A convenção também tem lidou com controvérsias sobre um convite para o vice-presidente dos Estados Unidos Mike Pence falar em sua reunião, enfrentou dificuldades em aprovar uma resolução para criticar “direita alternativa”, e realizou debates teológicos sobre o papel da soberania de Deus.

O atual presidente da denominação, J.D. Greear, um pastor de 47 anos da Carolina do Norte, trouxe um rosto mais jovem à convenção, acrescentando mais negros aos comitês que eram predominantemente brancos. Greear tem escrito frequentemente que está triste com a notícia de que a denominação esta em declínio.

“Muitos de nós se preocupam mais em saber se nosso lado está ganhando no ciclo de notícias do que com as almas de nossos vizinhos, semear divisão em questões secundárias mais do que apontar as pessoas para Jesus, e focar mais em preservar nossas tradições do que em alcançar nossos netos”, escreveu ele.

Os Batistas do Sul dão grande ênfase à inauguração de igrejas, e o número de igrejas cresceu ligeiramente durante o mesmo período, apesar do declinio de membros.

Atualmente, a convenção tem 47.530 igrejas no total, e 74 foram acrescentadas entre 2018 e 2019. A pesquisa divulgada esta semana foi compilada pela LifeWay Christian Resources com base em dados reportados pelas igrejas filiadas.

Ronnie Floyd, que lidera o comitê executivo dos Batistas dos Sul, disse em uma declaração que 75% das igrejas participam da pesquisa, e que “claramente é imperativo para o nosso futuro que o evangelismo continue sendo a prioridade das nossas igrejas e convenções”.

A convenção deveria realizar sua reunião anual na próxima semana em Orlando, mas foi cancelada devido ao coronavírus.

Formou-se em Teologia na Inglaterra, exerceu trabalho pastoral durante 25 anos em Portugal e vive há 12 anos no Brasil onde ensina Inglês como segunda língua.

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