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Opinião

Como ser ético em uma sociedade tão rápida e individualista?

Devemos nos voltar para os evangelhos.

Nuno de Ornelas

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Homem sozinho ao celular
Homem sozinho ao celular. (Photo by Ali Yahya on Unsplash)

Vivemos em uma sociedade rápida e imediatista, onde não existe tempo para as relações humanas, mas, apenas para o aqui e o agora, o que reflete a cultura do fast-food, já que tudo tem que ser rápido e para ontem, como sinaliza o sociólogo Baumann:  “O velho limite sagrado entre o horário de trabalho e o tempo pessoal desapareceu. Estamos permanentemente disponíveis, sempre no posto de trabalho”.

Portanto, este é o reflexo de uma sociedade liquida, onde tudo tem que ser diluído com muita rapidez, o que explica, o porque muitas pessoas leem pouco, conversam pouco e não tem tempo para reflectir, mas, apenas para executar.

Sendo assim, em uma sociedade cada vez mais rápida, as pessoas acabam se esquecendo do necessário e só pensam no urgente, portanto, precisamos reorganizar nossa agenda e rever nossas prioridades, já que a vida passa muito rápido, e o tempo não volta mais, e dentro do contexto da sociedade atual, é importante repensarmos a importância de um proceder ético e comunitário, como sinaliza Paul Ricoeuer: “A ética é a intenção da vida boa para si e para o outro, em instituições justas”.

Portanto, este conceito de “viver bem consigo e com o outro”, evoca, ainda, a ideia de estima e solicitude que contribuem para estabelecer o respeito entre as pessoas.

Infelizmente, vivemos em uma sociedade cada vez mais individualista, onde as pessoas acabam se esquecendo do essencial e só pensam no mundo virtual e deste modo, acabamos tendo mais de “1000 amigos”, em uma rede social, mas, não sabemos, até que ponto aquelas “amizades” são saudáveis.

De acordo com o frei Leonardo Boff: “A sociedade contemporânea, chamada sociedade do conhecimento e da comunicação, está criando, contraditoriamente, cada vez mais incomunicação e solidão entre as pessoas. A Internet pode conectar-nos com milhões de pessoas sem precisarmos encontrar alguém. Pode-se comprar, pagar as contas, trabalhar, pedir comida, assistir a um filme sem falar com ninguém. Para viajar, conhecer países, visitar pinacotecas, não precisamos sair de casa. Tudo vem à nossa casa via online”.

Sendo que, vivemos o tempo da globalização, onde tudo acontece de modo muito rápido e intenso, onde ninguém tem tempo para ninguém, e diante deste quadro, precisamos fazer a seguinte pergunta: “Nossa atitude perante o próximo, tem sido marcado pela cooperação mutua ou pelo individualismo?”.

Enfim, para que possamos refletir a importância das relações humanas, devemos nos voltar para os evangelhos, onde podemos analisar as sábias palavras de: “O filho do homem, não veio para ser servido, mas, para servir” (Marcos 10:45).

Dentre muitos ensinamentos, Jesus nos deixou este importante conselho, já que diante de cada desafio, devemos imitar o exemplo de Cristo, através de nosso caráter e integridade pessoal, o que nos leva a refletir a importância de um comportamento ético e altruísta, como um modelo de vida que nos torna mais parecidos com Jesus, e nos conduz ao caminho da verdadeira espiritualidade, que irá se materializar por meio de um viver ético e cristão, centrado muito mais nos “nós” do que no “eu”, o que é resumido na oração do pai “nosso”, o que nos ensina o caminho da verdadeira espiritualidade, que se centra sempre no próximo, e nunca em nós mesmos.

Nuno de Ornelas natural de Lisboa (Portugal), é orador reconhecido nacional e internacionalmente, é ainda o fundador e pastor presidente da Comunidade Cristã de Lisboa, uma igreja relevante e de referência em Portugal e na Europa. É casado com Marta de Ornelas e pai de Maria de Ornelas.

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