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opinião

“A religião do bolsonarismo”: Uma resposta a Yago Martins

Fugiu de ser uma literatura teológica para ser um livro de militância política.

Michael Caceres

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Yago Martins - A religião do bolsonarismo
Yago Martins - A religião do bolsonarismo (Foto: Reprodução/Internet)

Não, não existe a tal “religião do bolsonarismo”, como diz Yago Martins em seu novo livro. Aliás, o livro não tem nada de “ensaio teológico”, é ataque bruto e altamente ofensivo contra os cristãos que manifestaram apoio ao presidente Jair Bolsonaro. Já aos que afirmam que sou partidário, defensor do atual presidente, informo que nada sabem sobre a visão cristã na qual me oriento. Dito isso, vamos ao que interessa: os evangélicos têm o direito de apoiar ou criticar o atual presidente.

Falo caros leitores, sobre um texto publicado por Yago Martins na Amazon e que classifica gestos de apoio, orações e palavras proféticas — o que traz sim certo exagero! — como ato de “devoção de uma ”. Martins talvez não tenha experiência política suficiente para interpretar esses atos sob uma ótica de puro “crentês”, como o de chamar qualquer um de “profeta”, ou o uso do “varão” para se referir a um homem de Deus, etc. Quando digo que ele talvez não tenha experiência política, não estou tentando desqualificá-lo, pelo contrário, estou evidenciando algo que ele mesmo admitiu recentemente em um podcast sobre “idolatria política”.

O problema no texto publicado por Yago Martins já começa pela capa, pois ele usa um termo pejorativo contra quem apoia o presidente Jair Bolsonaro, que é o rótulo de “bolsonarista”. Pior ainda quando tenta associá-los ao culto de uma divindade, como se manifestações de apoio significasse automaticamente o ingresso em uma seita destrutiva. Tudo fica ainda pior quando ele decide citar nominalmente os pastores.

Deixe-me pontuar que haveria sim certo valor na obra de Martins se ele não tivesse partido para a ofensa e o ataque pessoal. Fugiu de ser uma literatura teológica para ser um livro de militância política, recheado de provocações e agressões. Pode ser apenas estilo de linguagem, não sei dizer, mas tive a impressão de que seu objetivo seria forçar os eleitores de Bolsonaro a abandonarem o debate público, apesar de afirmar que não tem a intenção de convencer qualquer leitor a mudar de voto.

Isso fica evidenciado quando escreve: “Esta obra tem objetivos humildes: alertar os cristãos sobre o perigo teológico do apoio incondicional a uma figura política, escancarar as profanações espirituais do bolsonarimo e deixar um registro literário do projeto de poder bolsonarista”.

Antes que prossiga, os leitores — católicos, evangélicos, agnósticos, ateus etc. — conhecem a minha opinião: não acho que os políticos devam se valer da religião para angariar apoio eleitoral. Ideias, valores, projetos de governo, respeito à Constituição, isso sim é importante para o futuro de uma nação. Mas também não acredito que o político deva se fantasiar de um personagem, abandonar sua originalidade ou se esconder atrás de uma personalidade construída por marqueteiros.

Ofensas

No entanto, o autor vocifera contra o atual presidente da República como sendo uma figura do “anticristo”, uma encarnação do mal. “Ele assumiu uma postura de anticristo”, escreve literalmente. Chega a afirmar que “Bolsonaro não é cristão”, e pontua: “Bolsonaro não ama a Cristo”. Me pergunto qual o nível de intimidade que Yago Martins tem com o presidente para afirmar que ele “não ama a Cristo”?

Pois é… Mas Yago Martins consegue ir além,  sente-se ofendido pela comoção em torno do então candidato Jair Messias Bolsonaro quando este foi alvo de uma facada. Isso mesmo! No livro, ele demonstra incômodo por alguns eleitores terem visto o livramento como uma intervenção divina.

“Fortaleceram-se cada vez mais narrativas religiosas que elevaram Bolsonaro a um tipo de Cristo”, escreveu ele, citando algumas imagens compartilhadas nas redes sociais com certo apelo religioso. Por vezes, parece um ateu ou alguém de esquerda, incomodado com demonstrações de fé em questões políticas.

O problema é que não é o caso, ele quer mesmo nos convencer de que em qualquer cenário político, mesmo com riscos iminentes a nossa liberdade religiosa, Bolsonaro não é uma boa opção para os cristãos. Pelo menos, foi essa a única explicação lógica para tantos ataques pessoais que profere.

Mas voltemos ao livro. Em certa altura, ele fica incomodado por Bolsonaro ter sido apresentado, já depois de eleito, na igreja do pastor Silas Malafaia. O problema é que confunde alhos com bugalhos. Leva a sério retórica e figura de linguagem. Acredita mesmo que o tal “bolsonarismo” pode ser religioso. Ignora que o próprio Malafaia já fez cobranças ao governo, críticas ao presidente e não se acanha em expor suas insatisfações.

Tem um trecho no livro, em especial, que lembrou muito o espanto da jornalista Miriam Leitão diante da oração de posse feita por Magno Malta ao presidente Jair Bolsonaro. Sim, Yago Martins faz uma análise crítica da oração pelo presidente, enquanto constrói sua própria tese da “crença bolsonarista”, em uma obsessão quase que religiosa por desconstruir o político Jair Bolsonaro. Menciona até as vezes que Bolsonaro aceitou a Jesus em eventos públicos, citando inclusive o The Send.

Em outro trecho, analisa a fala de ministros evangélicos e de ministros diante dos evangélicos. Explico: No discurso de posse do atual advogado-geral da União, ministro André Mendonça, no comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública, ele trata Bolsonaro como “um profeta do combate à criminalidade”, o que parece condenável para Yago, mesmo tratando-se de um pastor acostumado a falar ao público evangélico e que acaba repetindo alguns jargões.

O ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, usou a história bíblica de Davi e Golias para representar o cenário do governo em um evento promovido pela Bancada Evangélica em Manaus, no Amazonas. Na ocasião, ele comparou Bolsonaro ao personagem bíblico que derrotou o gigante. Puro cacoete político. Todos os políticos fazem isso diante dos evangélicos, citando passagens bíblicas muitas vezes descontextualizadas.

“Eu não sou o rei Davi que está enfrentando Golias. O presidente Bolsonaro é o rei Davi que está enfrentando Golias. Eu sou a pedra que o rei Davi pegou do chão, colocou na funda e jogou para derrubar Golias. E a pedra não pensa, ela voa”, disse o ministro.

A retórica exagerada é vista por Yago Martins como uma devoção cega, uma submissão que, nas palavras dele: “é própria apenas do que entregamos a Deus”. Sugere que há na fala uma subserviência, um ato de completa rendição aos apelos de militância política de Bolsonaro.

Um discurso do ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, em uma formatura do Instituto Rio Branco, em 2019, em que de forma infeliz compara Bolsonaro a Jesus, usando o texto de Salmos 118:22, também é tomado ao pé da letra por Yago, que diz: “Na teologia política do governo, no entanto, Bolsonaro é esta pedra angular. Ele foi rejeitado pela mídia, mas se tornou o fundamento sobre o qual o novo Brasil se sustenta”.

O slogan “Brasil acima de tudo. Deus acima de todos”, também é criticado por Yago, que afirma que o uso pode significar infringir o 3º mandamento, usando o nome de Deus em vão. Desconsiderando tratar-se de um jargão das Forças Armadas. Qualquer militar ou ex-militar sabe que o uso deste slogan correspondeu ao convívio de Bolsonaro na caserna, em sua formação militar.

Como dito anteriormente, a obra teria seu valor teológico se não partisse para a ofensiva, para o ataque gratuito. Aprendi algo importante em meu ministério como pregador: jamais use a Palavra de Deus para ofender nominalmente pessoas, mesmo que considere tais pessoas “falsos profetas”. Não cite o nome de ninguém quando o objetivo for transmitir um ensinamento bíblico. Você pode em um debate, em tom respeitoso, fazer menções bíblicas.

Não quero que Yago se ofenda com a minha avaliação do livro, pois não é essa a minha intenção, mas tive a clara percepção de que ele faz malabarismos teológicos para adaptar a interpretação a sua visão. Parece tentar desconstruir alguns líderes evangélicos. Tive a sensação de estar tentando arrancar joio, mas colocando fogo no trigo.

Eu poderia usar os mesmos textos, mesmos argumentos e mesmas ideias para afirmar que existe uma “seita do Yago”, basta ver o nível de ataques pessoais de seus admiradores em meu tuite comentando a percepção que tive sobre o livro. Alguns chegam a afirmar que não sou cristão, vejam só! Obviamente que não farei isso. Nem estou dizendo que o atual governo não deve ser criticado. Eu mesmo o crítico, ainda que torça, fervorosamente, para que tudo ocorra bem —  “fervorosamente” é apenas provocação (risos).

Contextualização

Logo, acredito sim que se for necessário a igreja deve retirar seu apoio ao atual governo. Isso já aconteceu anteriormente, quando lideranças evangélicas decidiram abandonar Dilma Rousseff. Antes tarde do que nunca! Na época, eu já criticava o PT há tempos, já havia constatado o “modus operandi” deste partido criminoso. Algo que nem se compara ao atual governo. Pessoas foram mortas por ameaçarem o projeto de poder de Lula.

Lideranças evangélicas eram ameaçadas. O Partido dos Trabalhadores ensaiava uma “disputa ideológica” com os pastores pela influência da Igreja. Fazia acordos com ditadores facínoras e aiatolás atômicos. Recebia terroristas com honras de Estado. Financiava grupos terroristas armados com o dinheiro público, ao mesmo tempo que negava tal ato e classificava como “fake news” denúncias de tais atos.

Que existe sim uma idolatria política exacerbada neste país, isso existe sim. Aí dizer que os eleitores de Bolsonaro cultuam o atual presidente… Faça-me rir! O que há no Brasil é uma necessidade de liderança, ao ponto de frequentemente construirmos “heróis”, como já foi Lula e como no caso do ex-juiz Sérgio Moro, cuja saída do governo critiquei por considerar injusta. Mas admito que era prerrogativa do presidente fazer as mudanças que queria.

À parte isso, Yago Martins deveria se inteirar dos bastidores, pois os cristãos não consideram Bolsonaro uma figura messiânica, nem o colocariam no trono de Cristo. Não existe tal aceitação a “sacralização” de Bolsonaro, nem uma visão utópica de que possa “livrar do mal total”, como sugere. Existem exageros no trato, mas isso é uma questão ética que deve ser abordada com respeito, sem ofensas. Mesmo as orações públicas, os batismos, as palavras proféticas, as participações em eventos religiosos são, em muitos casos, parte do jogo político.

Em conclusão, a contextualização do cenário atual justifica certo exagero na militância em favor do governo. Já que temos diante de nós a destruição de valores fundamentais da sociedade, incluindo um desrespeito enorme a nossa Carta Magna. Estamos vendo um criminoso condenado sendo “livrado” da prisão, mesmo depois de ter assaltado os cofres públicos e com a possibilidade de concorrer nas próximas eleições. Esse cenário, somado ao que já vivemos até aqui com os governos petistas, causa animosidade e reforça a necessidade de apoio ao atual governo. Isso significa ignorar erros? Significa seguir até o fim apoiando Bolsonaro? De forma alguma. Contudo, considero inapropriado rotular irmãos de idólatras.

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