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“Vivemos na era do pós-moderno e da pós-verdade”, adverte o teólogo

Rodrigo Silva faz uma atribuição entre os termos pós-verdade e fake news, ilustrando os perigos dessa época

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No programa Evidências da TV Novo Tempo, o arqueólogo e pesquisador Rodrigo Silva falou sobre a pós-verdade e o quanto esse termo ganhou popularidade em nosso tempo.

Respondendo às perguntas “porque a pós-verdade chama mais atenção das pessoas do que a verdade?” e “porque as fake news fazem tanto sucesso hoje em dia?”, explicou que existe um fenômeno bem mais antigo por trás disso: a mentira branca. É o caso dos discursos políticos.

“Na política, as mentiras ou as ‘meia verdades’ sempre foram recursos manejados com desenvoltura pelos candidatos a cargos públicos”, explicou. “Estamos vendo a mentira branca, fake news ou pós-verdade não apenas nos governos, mas dentro das universidades”, continuou.

Para o especialista, há estratégias de manipulação e técnicas para suavizar emocionalmente as “mensagens” com o propósito de causar uma espécie de curto-circuito no senso crítico e analítico dos cidadãos. Que fenômeno é esse?

A resposta certeira está na Bíblia, segundo Rodrigo, no livro de 2 Timóteo 4.3-4 “Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, sentindo coceira nos ouvidos, segundo os seus próprios desejos juntarão mestres para si mesmos. Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos”.

Pós-verdade

O termo pós-verdade tornou-se até elegante e de cunho filosófico para cutucar a mentira, através de um “jeitinho de falar difícil”, como exemplifica o professor. A finalidade discursos com esse aspecto é de maquiar um fato que poderia ser dito de maneira franca, clara e direta.

Inverter o sentido das coisas e tornar a mentira em verdade tem sido uma forma arrasadora de atingir a sociedade. “O povo dá mais atenção ao sensacionalismo bem elaborado do que aos fatos em si”, ponderou.

Isso tem afetado até mesmo a vida dos cristãos, através das pregações. “Por isso precisamos entender a história toda. A vida não é um retrato, é um filme, e esse filme tem uma sequência que precisa ser vista, analisada e percebida”, sublinhou. “Inclusive, essa é a forma bíblica de ver os acontecimentos e que nos ensina a ver os fatos não como isolados, mas como elementos em cadeia que afetam o nosso futuro”, resumiu.

Humanismo secular

Sendo provavelmente um ateu, Friedrich Nietzsche avaliou os resultados da pós-verdade dentro do contexto religioso. “Ele relatou quando a sociedade retirou Deus do cenário da vida humana. Foi quando ele anunciou a ‘morte de Deus’, mas na época, a humanidade não percebeu a consequência desse pensamento”, disse.

A consequência é que até os dias de hoje, a dor de supostamente ter matado Deus “filosoficamente” foi grande demais para que a humanidade pudesse suportar. “E com o nascimento da modernidade, a religião deixou de dominar. Os preceitos religiosos deixaram de ser relevantes para o cidadão comum”, explicou.

Então veio o niilismo, doutrina filosófica reconhecida como uma visão cética e radical que desvaloriza o sentido das coisas, aniquilando valores e convicções. A palavra niilismo vem do latim “nihil” e quer dizer “nada”. Ou seja, para um niilista não existe verdade absoluta e tudo é relativo.

“As pessoas se iludem achando que não existe nada superior a elas mesmas, já que acreditam ser fruto da evolução das espécies ou acham que viemos de uma bactéria primordial através de simples primatas”, lembrou.

Pós-verdade ligada à pós-modernidade

Rodrigo alerta para a pós-verdade mascarada e que é exposta na mídia, diariamente. “Em filmes, novelas, músicas, minisséries e desenhos infantis encontramos muitas ideologias que não são denunciadas porque parecem bonitinhas”, apontou.

“Não sejamos ingênuos, dizem que há preconceito contra certos grupos sociais, mas eles promovem a vitimização contra as minorias. Eles não querem apenas o direito de existir, mas querem dominar. Não querem ser respeitados, eles querem fazer discípulos”, advertiu.

“Esses lobos travestidos de cordeiros estão usando a mídia para dizer que as verdades bíblicas estão ultrapassadas”, acrescentou. O arqueólogo acredita que é necessário refletir seriamente sobre o tempo em que vivemos. “O anticristo usar essa mesma máquina política e midiática para impor o seu sistema às massas. Está no Apocalipse”, asseverou.

“Estamos na era pós-cristã, num mundo pós-moderno sob o efeito da pós-verdade. Vivemos um tempo em que se fala muito em liberalismo, banalização da vida, incentivo ao aborto, crime, violência, corrupção, promiscuidade sexual”, assinalou.

Essa ideia de que “não importa no que você acredita desde que seja sincero” é muito perigosa se levada ao extremo, como tem muita gente fazendo por aí. “Vivemos num censo de moralidade que não é mais aquele que um dia possuímos. Meu alerta é esse: cuidado redobrado!”, conclui.

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