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O evangelho todo

Uma parte do Evangelho jamais será o Evangelho

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Quando comunistas citam afirmações de Jesus que aparentemente se assemelham ao pensamento comunista, eles estão utilizando apenas um pedaço do Evangelho. Mas um pedaço do Evangelho não é o Evangelho, assim como um olho humano não é um ser humano. Quando os kardecistas pregam e praticam o amor ao próximo, chamando isso de Evangelho, isto não é verdade. Embora amor ao próximo faça parte do Evangelho, não é o Evangelho todo. E uma parte de alguma coisa jamais será essa coisa. Essa é uma verdade essencial.

Estamos cansados de ver ideologias e religiões se aproveitando das verdades reveladas do cristianismo, pegando a parte que lhes interessa e lançando tudo o mais na lata de lixo. Rotulam-se a si mesmas como cristãs, querem se identificar com o Evangelho sem jamais tê-lo experimentado plenamente. Crer em algo do Evangelho, ou experimentar algo do Evangelho, ou praticar algo do Evangelho, não é o mesmo que receber o Evangelho todo. E ninguém pode ser salvo senão pelo Evangelho total.

O Evangelho completo é composto de pelo menos três elementos: coisas à respeito das quais você crê; experiências que vive devido àquilo que você crê; atitudes que você demonstra como resultado do que crê e do que experimenta.

Algo que você crê

Em uma civilização constituída de um cristianismo cultural e depois fragmentada pelo pluralismo, não basta dizer que você crê em Deus. Essa palavra foi esvaziada de seu sentido original e é continuamente preenchida por conceitos sobre Deus que nada tem a ver com Ele. Crer em Jesus também não diz muito, uma vez que lhe são atribuídas características que nunca foram Dele. Os espíritas dizem que Ele foi um médium, esotéricos que Ele é um avatar e muitos que não passava de um simples homem. Ele não pode ser tudo isso ao mesmo tempo e ainda ser identificado com o Jesus das Escrituras.

O mesmo vale para os conceitos de salvação, de pecado ou mesmo de ser humano. Se a verdade tornou-se qualquer coisa que alguém acredita, então ela não é coisa alguma.

Deus não é qualquer coisa que se acredite ser Deus, Jesus não é qualquer personagem que seja chamado de Jesus e a salvação revelada tem contornos bem definidos. O Evangelho só produz salvação se for crido dentro dos critérios e definições que foi revelado e pregado (1 Coríntios 15.1, 2).

Deus não é um Deus qualquer. Ele é o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, o Deus que se revelou a Israel. Aquele que com este povo fez um pacto e o cumpriu ao longo do tempo e da história. O Deus que se revelou nas páginas das Escrituras e na pessoa de Seu Filho, Jesus Cristo. E este Jesus, o Verbo feito carne, morreu na cruz pelos nossos pecados, ressuscitou ao terceiro dia, subiu aos céus e está assentado à direita de Deus Pai, de onde virá julgar os vivos e os mortos. E todo aquele que assim crê, crê na Boa Nova de salvação.

Qualquer mensagem diferente dessa não será Evangelho mesmo que se dê a si o nome de Evangelho. Não será cristianismo mesmo que se denomine cristianismo. Nenhum Jesus, a não ser o acima descrito é de fato o Salvador e nenhum Deus será de fato Deus se não corresponder às verdades sobre Si que Ele mesmo revelou.

Uma fé em si mesma nada é. Só a fé em um conjunto correto de verdades reveladas pode ser chamada de Evangelho e pode salvar o que crê.

Algo que você experimenta

Essa fé produz experiências interiores e exteriores que a identificam. Sem essas experiências a fé não foi fé verdadeira ou não foi fé nas verdades reveladas do Evangelho. A fé nas coisas corretas sobre Deus, Jesus Cristo e a salvação, produz as experiências corretas do Evangelho.

“Importa-vos nascer de novo”, disse Jesus (João 3.7). Um novo nascimento que é uma experiência bíblica de se tornar uma nova criatura em Cristo Jesus (2 Coríntios 5.17). Quem não experimentou essa transformação interior então não experimentou o Evangelho, não sabe o que ele é.

Quando alguém de fato creu, torna-se uma habitação do Deus vivo (João 14.23) e o Espírito Santo vem habitar em sua vida (Efésios 1.13). Ele sai do domínio das forças satânicas e experimenta o domínio de Cristo sobre ele. (Colossenses 1.13).

Quem nada disso experimentou, não experimentou o Evangelho. E se não experimentou o Evangelho, pode ter nome de cristão, dizer-se cristão, morrer ou matar pelo cristianismo, sem, contudo saber o que é o Evangelho.

Sem experimentação, não existe Evangelho. O Evangelho todo não inclui apenas as coisas certas que alguém acredita, mas inclui igualmente as experiências certas para aquele que crê.

Algo que você pratica

O cristianismo tem sua ética, aliás, sua perfeita ética. Uma ética construída não apenas de atos exteriores vazios, mas de ações que precisam ser acompanhadas pelo sentimento que lhes corresponde. Quem não ama não conhece a Deus (1 João 4.8). E os objetos desse amor vão desde o Deus Pai até os nossos inimigos.

Alguém pode se dizer cristão e odiar, e roubar, e até matar. Pode até fazer isso e alegar obediência a Cristo. Todavia, jamais poderá provar que suas atitudes foram ensinadas por Cristo ou que de fato ele mandou fazer isto. Nem tudo que é feito em nome de Cristo é aprovado por Ele. A eternidade vai mostrar isso claramente. Os homens hoje podem dizer, fazer e justificar o que quiserem. Contudo, o futuro não lhes aprovará qualquer ação.

Só podem ser chamadas de Evangelho, aquelas atitudes por ele ensinadas e aprovadas. Fora isso, dê-lhe o nome que quiser, mas não será uma prática cristã. Alguém pode invocar mortos, e defender o marxismo e adorar imagens de escultura se dizendo cristão. Contudo, tais práticas jamais serão cristãs.

O que você crê, o que você experimenta e o que você pratica – os três juntos constituem o Evangelho todo. Não se pode separar os três lados de um triângulo ou abraçar somente um ou dois deles e dizer que possui um triângulo.  Assim como não existe meio triângulo, não existe meio Evangelho. Ou você creu nas coisas certas, experimentou as coisas certas, praticou as coisas certas, tudo ao mesmo tempo, ou se apossou apenas de um ponto do Evangelho. E isso jamais poderá salvá-lo.

Vivemos em uma época em que as pessoas usam alguns termos ou praticam alguns atos pertinentes ao Evangelho e acham que o tem todo. Ou pensam que apenas uma parte dele poderá salvá-las. Só o Evangelho inteiro salvará o homem. Do contrário, o que lhes restará será uma coisa qualquer que ele resolveu chamar de cristianismo na vã esperança de ser contado como cristão, porém, isso nunca acontecerá.

Não chame uma estrela de céu e nem um pouco de água salgada de mar. Não compre uma roda e diga que tem um carro. Não chame de Evangelho um pedaço dele. Só ele todo é o Evangelho, o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Romanos 1.16).

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