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Yom Yerushalayim – Dia de Jerusalém

Celebração pela tomada e reunificação de Jerusalém, após a famosa Guerra dos Seis Dias.

Alexandre Dutra

em

Muro das Lamentações (Sander Crombach / Unsplash)

O Dia de Jerusalém (em hebraico: ירושלים יום – Yom Yerushalayim) é um feriado nacional israelense no qual se comemora a reunificação de Jerusalém e o estabelecimento do controle israelense sobre a chamada Cidade Velha de Jerusalém (parte oriental), em 2 de junho de 1967 (calendário ocidental/gregoriano).

É celebrado em Israel, pelo calendário judaico, no dia 28 de Yiar (que cairá em 22/05/2020), e marca as comemorações pela tomada e reunificação de Jerusalém, após a famosa Guerra dos Seis Dias.

Jerusalém foi uma cidade dividida desde a Guerra da Independência, de 1948, até 1967. A parte ocidental estava nas mãos dos israelenses e a parte oriental estava sob controle do reino da Jordânia.

Jerusalém na Bíblia

A cidade de Jerusalém aparece pela primeira vez na Bíblia associada com um grande personagem chamado Melquisedeque, cujo nome em hebraico significa “rei de justiça”, a quem o pai da , Abrão, pagou dízimos e por quem este foi abençoado (Gn.14:18-20).

Na época, Jerusalém chamava-se Salém (hb. Shalem) que quer dizer paz, enquanto Jerusalém (hb. Yerushalayim) significa “cidade da paz”.

Na época da conquista de Josué, Jerusalém, a cidade dos jebuseus, permaneceu independente, apenas sujeita a tributos:

“Não puderam, porém, os filhos de Judá expulsar os jebuseus que habitavam em Jerusalém; assim habitaram os jebuseus com os filhos de Judá em Jerusalém, até ao dia de hoje” (Js 15:63)

Na monarquia, no entanto, Jerusalém foi alvo da conquista de Davi, o rei de Israel. Jerusalém era impenetrável, pois, protegida pelas montanhas, se tornava uma fortaleza cunhada pela própria natureza. Só havia um ponto fraco ao norte, remediado por meio da construção de uma grande e forte muralha, de forma que os jebuseus estavam seguros de sua invulnerabilidade a ponto de cunharem a seguinte frase de zombaria ao rei Davi: “Não entrarás aqui, pois os cegos e os coxos te repelirão, querendo dizer: Não entrará Davi aqui” (2 Sm 5:6b).

Porém, a capacidade humana sempre nos surpreende. O general dos exércitos de Davi, o grande guerreiro Joabe, encontrou um outro ponto fraco na fortaleza dos jebuseus, o canal da água que havia sido construída pelos cananeus. Através desse canal, os soldados de Davi, liderados por Joabe, entraram e conquistaram Jerusalém (2 Sm.5:4-9).

Jerusalém tornou-se a capital do Reino unificado de Davi e permaneceu a capital do povo judeu até a sua destruição por Roma no ano 70 d.C.

Biblicamente, Jerusalém pertence a Israel desde a conquista do Rei Davi, por volta do ano mil a.C. (2 Sm 5:4-9), e apesar do cativeiro babilônico (586 a.C.) e a destruição pelos romanos (70 d.C.), a cidade sempre permaneceu como centro da vida política, religiosa e cultural do povo judeu – como inspirado e eternizado no Salmo 137:5-6: “Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalém, esqueça-se a minha direita da sua destreza. Se me não lembrar de ti, apegue-se-me a língua ao meu paladar; se não preferir Jerusalém à minha maior alegria” – e jamais foi capital de qualquer reino dominante da região (Romano 63 a.C. – 313 d.C.; Bizantino 313-636 d.C.; Árabe 636-1099 d.C.; Cruzados 1099-1291 d.C.; Mameluco 1291-1516 d.C.; Otomano 1517-1917 d.C.; e Britânico 1917-1948 d.C.).

A Guerra dos Seis Dias

Politicamente, em 1947, quando a Assembleia Geral da ONU decidiu pelo plano de partilha da Palestina entre um Estado árabe e outro judeu, Jerusalém foi designada como “corpus separatum” (corpo separado), sob controle internacional.

No dia 14 de maio de 1948 houve a declaração da Independência do Estado de Israel. O plano, porém, não chegou a ser implementado, pois os árabes rejeitaram a decisão soberana da ONU e no dia seguinte (15/05/1948), iniciou-se a guerra da Independência, na qual cinco nações árabes (Egito, Jordânia, Síria, Líbano e Iraque) atacaram o recém formado Estado Judeu com o claro objetivo de “afogar os judeus no mar”.

Ao final do conflito, Jerusalém foi dividida, com a parte ocidental sob controle de Israel e a parte oriental controlada pela Jordânia.

De 1949 a 1967, isto é, por dezoito anos, Jerusalém oriental esteve sob domínio jordaniano e nunca foi declarada capital de qualquer que seja o povo, sendo que os lugares sagrados para os judeus foram proibidos de serem visitados.

Isto até que, em 1967, uma nova aliança entre Egito, Síria e Jordânia foi estabelecida e as emissoras de rádio árabe transmitiam programas em hebraico que anunciavam à população israelense que seu fim estava próximo.

A guerra dos Seis Dias foi o conflito entre os dias 5 e 10 de junho de 1967, que envolveu o estado de Israel e as seguintes nações árabes: Síria, Egito, Jordânia e Iraque apoiados pelo Kuwait, Arábia Saudita, Argélia e Sudão.

Contexto histórico

Depois da última guerra em 1956, vencida por Israel, os países árabes derrotados aprofundaram ainda mais a tensão com o governo sionista. Até que, em 18 de maio de 1967, o presidente e ditador do Egito, Gamal Abdel Nasser, exigiu a retirada das Forças de Paz da ONU que faziam a separação física entre as tropas egípcias e as tropas israelenses na fronteira do Sinai.

Em seguida, o general Nasser, em 22 de maio, bloqueou o estreito de Tiran, única ligação de Israel com o Mar Vermelho, para os navios israelenses e para todos os navios que fossem ou viessem de Israel, numa tentativa clara de causar uma asfixia econômica ao país dos judeus.

Em resposta às ações do governo egípcio, o exército israelense foi mobilizado para suas fronteiras. O Egito, Síria e Jordânia declararam estado de emergência e na sequência (30/05/1967) formaram o Pacto de Defesa Árabe.

Com as movimentações de tropas dos vizinhos e as insinuações de guerra por parte da impressa árabe por meio de jornais e rádios, temendo uma invasão árabe coordenada, Israel invoca o direito de defesa. Já no dia 4 de junho de 1967, Israel estava cercado por forças inimigas, superiores numérica e militarmente ameaçando a sobrevivência do estado judeu.

Seis Dias (literais) de Guerra

Ao invocar o direito inerente de legítima defesa, antes da invasão árabe começar, às 8:45 do dia 5 de junho, Israel realizou um ataque aéreo preventivo para furar o bloqueio militar do adversário. No primeiro dia da guerra, a força aérea israelense em aproximadamente três horas destrói a maioria dos aviões da força aérea egípcia sem os caças inimigos saírem do solo.

No segundo dia (6 de junho), Israel desmantela a marinha do Egito. Convencido por Nasser, o rei Hussein, da Jordânia, ataca Israel a partir de Jerusalém, com morteiros e artilharia. A superioridade aérea de Israel se mostra mais uma vez eficaz e retalha os ataques proferidos pelo exército jordaniano.

A Síria entra definitivamente no conflito, atacando os kibutzim no norte de Israel a partir das Colinas do Golã. Com suas baterias antiaéreas destruídas, Jordânia e Síria veem as tropas israelenses em seus territórios. Consequentemente, as aldeias do norte de Israel foram libertadas após dezenove anos de bombardeios sírios. Concomitantemente, Israel encaminha suas forças terrestres em investida contra a Faixa de Gaza e a península do Sinai.

No terceiro dia de luta (7 de junho), todo o Sinai já estava sob o controle de Israel, as forças jordanianas foram empurradas para a Cisjordânia, atravessando o rio Jordão.

No quarto dia (8 de junho), sob a liderança do general Ariel Sharon, o exército de Israel havia empurrado os egípcios para o canal de Suez, na sequencia passaram a controlar toda a Península do Sinai, ocupando também a Cisjordânia, libertando e reunificando a Jerusalém oriental (ocupada desde 1949 pela Jordânia), onde encontra-se o Muro das Lamentações, e no final do dia estavam em disputa pelas Colinas do Golã na Síria.

Durante o conflito, a Organização das Nações Unidas interveio na tentativa de um cessar fogo, convocando as partes envolvidas para negociações, numa clara tentativa de evitar a entrada dos EUA e da URSS no conflito.

Sabendo do pouco tempo que lhes restava, devido aos apelos da ONU, o Tzahal (Forças de Defesa de Israel – FDI), como são conhecidas as forças armadas de Israel em hebraico, buscou consolidar uma vitória rápida e satisfatória quanto aos domínios dos territórios limítrofes, na tentativa de poder negociar um futuro acordo de paz. O que acabou acontecendo com a Jordânia e o Egito no futuro pós guerras.

Continuando, no quinto dia (9 de junho), a disputa sobre às posições sírias nas colinas do Golã estava acirrada, devido às bem entrincheiradas forças sírias e ao terreno acidentado. Todavia, enquanto a infantaria israelense atacava as posições sírias, uma brigada blindada foi enviada para as linhas da frente e finalmente ganhou o controle das colinas.

No sexto e último dia da guerra (10 de junho), a Síria retirou-se da ofensiva e foi assinado o armistício. Israel saiu vitorioso da guerra; triplicou seu território, conquistando as Colinas do Golã, a leste do rio Jordão, da Síria, a Cisjordânia e Jerusalém oriental, da Jordânia, a Faixa de Gaza e toda a península do Sinai, do Egito; e desbloqueou o estreito de Tiran na entrada do Golfo de Acaba, garantindo assim sua segurança estratégica.

No fim do conflito, as forças militares de Israel estavam a 25 quilômetros do Cairo, capital do Egito; a dez quilômetros de Amam, capital da Jordânia e à quarenta quilômetros de Damasco, capital da Síria. E, sobretudo, Jerusalém, que depois de dois mil anos voltou a ter totalmente o controle de um estado judeu.

Resolução 242 das Nações Unidas

Em seguida, a ONU adotou a “Resolução 242”, de 22 de novembro de 1967, que clama por “uma paz justa e permanente entre Israel e os Estados Árabes” e a “retirada das forças de Israel de territórios ocupados para fronteiras seguras e reconhecidas de acordo com os termos do tratado de paz”.

Como se sabe, Israel não cumpriu a resolução, alegando que só negociaria a desocupação dos territórios se os estados árabes reconhecessem o estado de Israel, apesar de já dividir controles com esses países vizinhos.

Os líderes árabes, por sua vez, criticaram a Resolução 242 como uma lista de desejos internacionais. Contraditoriamente, no entanto, eles próprios, quando foi conveniente, usaram a Resolução 242 como “arma legal” contra o Estado de Israel.

Profeticamente, Jerusalém, a “cidade do grande Rei” (Mt 5:35), apesar de ser governada e administrada por Israel desde 1967, continua em disputa política e religiosa no cenário internacional, sendo “um copo de tremor para todos os povos em redor” e “uma pedra pesada para todos os povos” (Zc 12:2-3) – e assim continuará até o retorno glorioso de Jesus, o Messias, quando em Jerusalém se dirá: “Baruch habá b’shem Adonai” – Bendito o que vem em nome do Senhor (Mt 23:39).

Pastor Batista, Diretor dos Amigos de Sião, Mestre em Letras - Estudos Judaicos (USP).

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