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Estudos Bíblicos

Yom Kipur – O dia do perdão

Mas aos dez dias desse sétimo mês será o dia da expiação; tereis santa convocação, e afligireis as vossas almas; e oferecereis oferta queimada ao SENHOR. Levítico 23:27

Alexandre Dutra

em

Yom Kipur

O Yom Kipur, o Dia do Perdão, foi estabelecido, por Deus, nas Sagradas Escrituras, como o dia em que o homem deveria comparecer diante do Eterno para fazer expiação pelos seus pecados. Expiar: remir (pagar) os seus pecados, através da fé no sangue substituto dos animais.

Para compreendermos melhor a importância desta festa, tanto para os judeus, como também, para nós, cristãos, é necessário pensarmos a respeito da forma como ela era realizada nos tempos bíblicos, como é comemorada nos dias de hoje, pelos judeus, e sua relação profética com o Messias, Jesus.

O Yom Kipur é a mais importante das festas dadas por Deus à Israel. Ocorre sempre no dia 10 de Tishri (sétimo mês do calendário judaico e corresponde aos meses de setembro/outubro do nosso calendário), este ano corresponde ao dia 29 de setembro. Um dia solene de descanso, ou seja, se tornava um shabat, o povo devia afligir a alma através do jejum (Lv 16:29-31; Sl 35:13).

A alma não afligida devia ser eliminada da comunidade (Lv 23:29).

Os Preparativos envolvia a expiação pelo pecado do próprio sumo-sacerdote e sua família. Com as vestes sacerdotais e um cordão amarrado na cintura, o sumo-sacerdote sacrificava ao Senhor em seu próprio favor e, depois de ter sido aceito por Ele, iniciava-se o momento de expiação a favor do povo por meio de dois bodes e um carneiro (Lv 16:5-8). O bode, sobre o qual caia a sorte pelo Senhor, era oferecido para expiação pelo pecado, o outro seria o bode emissário enviado ao deserto, azazel, (Lv 16:9,10,20-22).

Ao falarmos sobre o Yom Kipur nos dias de hoje, é preciso lembrar que Israel está, desde o ano 70 d.C., sem o seu Templo Sagrado, o único lugar, no qual Deus permitia a  realização dos sacrifícios. Não se faz mais o sacrifício de sangue pelos pecados do povo de Israel (Dt 12:11; Os 3:4-5). Os judeus da atualidade consideram o Yom Kipur como um dia temível, um dia de decisão entre a morte e a vida eterna. Por isto os judeus afligem sua alma com jejum total de vinte e cinco horas (Lv 23:32). Os meninos a partir dos 13 anos e meninas a partir dos 12, as crianças menores ficam sem guloseimas.

O quê é proibido no Yom Kipur? Comer e beber, calçar sapatos de couro, lavar-se,  usar perfume ou maquiagem, passar óleo ou creme e ter relações sexuais. Deve se usar uma roupa especial, os homens devem vestir: o kitel (robby branco), o talit, manto de oração (Nm 15:22-31).

De uma solenidade nunca igualada nas outras cerimônias judaicas é a noite de Cól Nidrê, com que inicia-se a celebração, com destaque da anulação de todos os votos insensatos feitos durante o ano. Das preces recitadas se destaca Al Hêt, onde se faz confissão coletiva de todas as categorias de pecados. Hatimá Tová é o selo favorável, que se espera ter alcançado. No ofício religioso se realiza a oração memorial de Yizcór em memória dos mártires do judaísmo.

A última parte do cerimonial de Yom Kipur chama-se Neilá, ou seja, encerramento, ao som do Shofar, que, num toque longo e único, recorda o Yiovél, o ano do Jubileu. A legislação hebraica reconhecia antigamente o ano de YOVÉL (Jubileu), que se repetia a cada cinquenta anos. Sendo, como é, “O Sábado dos Sábados”, Yom Kipur se despede também com uma Havdalá, cerimônia com que se finaliza a celebração do sábado.

Mas, sem o templo, como fica a expiação? Os rabinos ensinam que o arrependimento, as orações feitas à noite (slihoth – perdões), as ofertas de caridade,  os jejuns, e até a própria morte, na melhor das hipóteses, expiaria o pecado da pessoa. Contudo, sabemos que sem derramamento de sangue não há perdão de pecados (Lv 17:11; Hb 9:22).

Podemos identificar, de muitas maneiras, o Messias Jesus, na festa bíblica do Yom Kipur. A começar pelo fato de que tudo era executado pelo sumo-sacerdote  (Jesus é sumo-sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, ordem superior a de Arão – Sl 110:4 comp. Hb 7:13-17). O bode sacrificado e o bode emissário representam aquele aspecto da morte do Messias que vindica a santidade e a justiça de Deus  (Hb 10:10).

O sumo-sacerdote entrando no Santo dos Santos é um tipo de Cristo entrando no santuário celestial (Hb 9:11,12,24). Jesus Cristo como sumo-sacerdote também é a oferta para a expiação do pecado (Hb 7:27; 9:28). Quem tem o Messias tem o verdadeiro Kipur (perdão). Após a “angústia de Jacó” haverá redenção para Israel (Zc 12:10).

Aquele que tem o perdão do Filho de Deus, pode perdoar: “Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo” (Ef 4:32). O perdão é a maior demonstração de amor: “Por isso te digo que os seus muitos pecados lhe são perdoados, porque muito amou; mas aquele a quem pouco é perdoado pouco ama” (Lc 7:47).

O dia do Yom Kipur foi realizado na cruz do Calvário e através do sacrifício vicário do Senhor Jesus Cristo e o selo favorável (hatimá tová) é sem dúvida o selo do Espírito Santo na vida do salvo (2 Co 1:22). Concluo com as palavras do salmista que diz: “Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto” (Sl 32:1).

Pastor Batista, Diretor dos Amigos de Sião, Mestre em Letras - Estudos Judaicos (USP).