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opinião

Wiley e o ódio aos judeus que “não é tão grave assim”

As políticas identitárias têm ajudado a ressuscitar o anti-semitismo.

Filipe Samuel Nunes

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Wiley (Reprodução)

Pobre Wiley! Coitado! É muito triste! Este tem sido o tom geral da discussão sobre o veneno racista que o rapper Inglês Wiley, derramou no Twitter durante 48 horas. Na verdade, a reação tem sido quase simpática. Geralmente, o racismo é condenado em termos mais fortes,  como, repugnante, destrutivo, virulento, flagelo, etc. No entanto, o racismo anti-judaico de Wiley é tratado com maior indulgência, com um mero sorriso de empatia.

Muitos notaram a hipócrita duplicidade de padrões nos meios de comunicação social em relação ao racismo anti-judaico. Porque, sejamos sérios: Se você usar o prenome errado duma pessoa trans, você será expulso do Twitter e de outras plataformas mais rapidamente do que você consegue dizer a palavra misoginia.

Mas os tweets de Wiley dizendo que os judeus só olham para “ouro e dinheiro” e que “são pessoas horríveis e traiçoeiras”, “umas cobras”, que lhe “provocam nojo” permaneceram no Twitter por horas a fio.

Sim, os tweets racistas acabaram por ser finalmente removidos. Mas Wiley apenas levou um tapa simbólico ao ser banido por uns meros sete dias do Twitter e Instagram, o que sugere que na mente iluminada dos que dirigem o Vale do Silício, expressar profundo desprezo racial pelo povo judeu é um “crime” menor.

É curioso que certas feministas foram expulsas da plataforma para sempre por se referirem a pessoas com pênis como homens. Isto é uma loucura! Como é que chegamos ao ponto em que chamar um homem de homem é um crime pior do que chamar os judeus de cobras!? Alguém me explica! Isto é progresso social!?

Eu gostaria que os meus “amigos” da esquerda identitária e os cristãos progressistas, me explicassem este fenômeno. Só pode ser um fenômeno! É inegável que esta nova esquerda – obcecada pela identidade racial, dedicada à causa excêntrica dos transgêneros, sempre à caça de crimes de ódio envolvendo ‘islamofobia’, ‘transfobia’ e ‘homofobia’ vê o anti-semitismo como menos ruim do que outras formas de racismo. Torna-se cristalino que o “ódio ao Judeu” é visto como “o menor racismo”; ele simplesmente não leva as pessoas a agir da mesma forma que outros tipos de preconceito. Afinal, algumas vidas importam mais do que outras! Afinal, há uma agenda social!

Algumas pessoas têm reagido dizendo que o coitado do Wiley “não está bem”, ou então que é o seu direito à “liberdade de expressão”. E isso é patético. Porque se eu tiver a ousadia de chamar os muçulmanos de “terroristas” sou logo rotulado de islamofóbico, e não tenho o direito de exercer a minha liberdade de expressão. (Agora nem jihadistas se pode dizer! O termo politicamente correto é dizer que os terroristas são “pessoas abusando de suas motivações religiosas” ou “aderentes à ideologia de Osama bin Laden”) Outros dos chamados progressistas disseram que o rapper Wiley tem razão.

Veja o que Israel faz aos palestinos, dizem eles, engajando-se claramente na ideologia racista da culpa coletiva Judaica. (Note como nunca falam sobre o que os Turcos fazem aos Curdos, ou o que os Sauditas estão fazendo aos Iemenitas. É só Israel que é o alvo. Os Judeus são sempre os culpados).

Agora, vamos lá: Por que o anti-semitismo é tratado como mal menos grave em relação a outras formas de racismo? Por que ele é uma força crescente em alguns setores da esquerda? Por que é frequentemente saudado com as palavras “bem, vamos ver, ele até tem razão”, em vez das condenações severas que esperaríamos como resposta ao racismo?

É por causa da política de identidade. Simples assim? Sim!

O anti-semitismo é o ódio mais antigo. Ele explodiu nas sociedades inúmeras vezes ao longo dos milênios, muitas vezes com conseqüências assassinas sem precedentes. Por vezes muda de forma – passando de um ódio motivado pela religião para uma forma de racismo biológico, de uma perseguição de extrema-direita para um fenômeno vergonhosamente de esquerda – mas está sempre presente, de uma forma ou de outra. E hoje, uma das formas que ele assume é a categorização identitária.

As políticas identitárias têm ajudado a ressuscitar o anti-semitismo. Uma das piores coisas que a política de identidade faz é categorizar as pessoas de acordo com o facto de serem oprimidas ou privilegiadas. Ela cria hierarquias de vitimização. É uma causa declaradamente sectária e divisória, dada ao agrupamento de povos inteiros de acordo com o facto de serem vítimas históricas, ou beneficiados por privilégios.

Isto se transforma muito facilmente numa forma de categorização moral: o grupo das vítimas é bom, o grupo privilegiado é mau. Portanto, os negros merecem a nossa simpatia e o nosso apoio, enquanto os brancos – os mais privilegiados, aparentemente – merecem desprezo, e “reeducação”. É moda agora toda a gente reaprender a ter consciência da sua “fragilidade branca” e do seu “privilégio branco”.

O identitarismo é uma ideia tóxica e divisória. E tem-se mostrado particularmente danoso para o povo Judeu. Em que caixa desumana de identidade deve ele ser colocado? Na caixa “privilegiada”. Considere como os racistas progressistas brincam com os termos como “privilégio branco” e “privilégio judeu”. Os judeus são bem sucedidos, certo? Eles não estão lutando. Portanto, eles são “privilegiados”. E “privilegiado”’ é ruim! É imoral! Os “privilegiados” são os novos opressores e devem ser condenados. Lembram-se do Holocausto…?!

É hora de olhar friamente para os fatos: a nova política de identidade, esta racialização de todas as facetas da vida, a obsessão míope sobre a cor da pele e o “privilégio” e a herança, deram um novo fôlego ao verdadeiro racismo. E ao racismo velho contra o povo de Deus: os Judeus. Estas políticas de identidade são uma porta aberta para o ódio aos Judeus. O cristão deve rejeitá-las.

Formou-se em Teologia na Inglaterra, exerceu trabalho pastoral durante 25 anos em Portugal e vive há 12 anos no Brasil onde ensina Inglês como segunda língua.

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