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Opinião

Você busca uma fé cidadã?

Um equívoco de alguns religiosos é pensar que a busca do bem-estar social é algo de “esquerdista” ou de “comunista”.

Leandro Bueno

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Câmara dos Deputados votando a Reforma da Previdência. (Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados)

Ontem, assistindo a votação da PEC da Previdência, na Câmara dos Deputados, fiquei um tanto emocionado ao ver a Bancada Evangélica, tantas vezes criticada, invocando o livro de Isaías, no seu capítulo 1, para garantir que as viúvas não recebam menos que um salário mínimo de pensão, na hipótese de terem uma eventual renda.

Lembrei-me de como a Bíblia nos exorta reiteradamente que não oprimamos a viúva, o órfão, o estrangeiro e o pobre, não planejando no coração atitudes malignas contra o nosso irmão.

Neste sentido, é que nossa fé deve ser uma fé cidadã, ou seja, uma fé que traga as boas-novas não apenas para os interesses que digam respeito apenas ao grupo religioso, mas, a toda a sociedade.

Infelizmente, neste ponto, tenho visto 2 (dois) erros que permeiam a conduta de muitos irmãos.

O primeiro equívoco se dá quando, na política, achamos que ela existe apenas para satisfazer os interesses do grupo religioso. É como se para muitos cristãos, a igreja fosse um ambiente tão acolhedor e onde suas relações sociais se dão, que esquecessem que há um mundo inteiro lá fora, e onde devemos ser sal da Terra.

Assim, por exemplo, vemos muitos políticos cristãos que apresentam apenas projetos para conseguirem isenções fiscais para templos, buscam cargos públicos, para terem influência política, etc. Ou seja, muitas vezes agem movidos por um amor ao poder temporal, não se recordando da sua verdadeira missão.

Por sua vez, um 2º equívoco de alguns religiosos é de pensar que a busca do bem-estar social é algo de “esquerdista” ou de “comunista”. Ledo engano.

Creio que muito desta visão deturpada se dá no momento em que a esquerda, em geral, gosta de se colocar como porta-voz de minorias e grupos sociais, para lhe dar sustentação ao projeto de poder. O que vemos muitas vezes é a manipulação destes grupos vulneráveis para fins eleitoreiros.

Porém, a Bíblia ela não nos exorta a entrar neste joguinho político, até porque estamos de passagem por este mundo. Eu, mesmo, reconheço que estava entrando neste emaranhado de sentimentos ruins que esta briga gera, não trazendo nada de frutífero para minha vida.

Diferentemente, a Bíblia nos exorta a fazer diferença na vida das pessoas, trazendo justiça, de forma concreta e não apenas no discurso bonito.

Neste sentido, por exemplo, achei belíssima a atitude de algumas igrejas que acolheram em seus templos, moradores de rua neste frio imenso que estamos sentindo em algumas cidades, a ponto de já terem sido registradas mortes.

O que adianta simplesmente eu pregar para uma pessoa que Jesus salva, quando sou totalmente indiferente a fome que ela passa, o sofrimento que ela está enfrentando? Na realidade, nosso semelhante tem necessidades tanto espirituais, como materiais e não podemos fechar os olhos para essa realidade. A empatia tem que ser um norte na nossa vida.

Que Deus alargue nossa visão, e que possamos exercer cada dia mais e mais uma fé cidadã, que esteja baseada nos valores do Reino para todos. Amém.

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