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Política

Analistas políticos agora reclamam de “propaganda religiosa” em discursos de Bolsonaro

“Parece que estamos em um Estado teocrático militar”, diz filósofo

em

TV Uol

A oração feita por Jair Bolsonaro (PSL) em rede nacional de televisão pouco antes de seu primeiro discurso como presidente eleito, não incomodou apenas os jornalistas da Globo News. Mirian Leitão e Merval Pereira disseram que a religiosidade aparente do capitão reformado “causou preocupação”.

O portal UOL, que faz parte do grupo Folha de São Paulo, também se mostrou incomodado com a postura de Bolsonaro, que durante toda sua campanha sempre apareceu ao lado de pastores e falando sobre os valores cristãos que defende.

O site de notícias é um dos mais acessados do país. Na análise realizada pela equipe do portal, o filósofo Vladimir Safatle e o jornalista Josias de Sousa também classificaram de forma negativa o momento de oração liderado pelo senador Magno Malta seguido pelo discurso com referências bíblicas.

Para o filósofo da USP – que faz parte de um movimento naquela universidade que pretende ser “resistência” ao futuro governo – “parece que estamos em um Estado teocrático militar. O sujeito começa falando sobre Deus, termina falando sobre Deus, desrespeitando brutalmente todas aquelas pessoas que entendem que o Brasil é um país laico”.

Para Safatle, “não é possível um presidente aparecer como uma pessoa que faz propaganda de uma posição religiosa”. Ele parece ecoar assim as acusações infundadas de Fernando Haddad, candidato do PT derrotado neste domingo, que o peselista iria “impor o protestantismo” como a oficial do Brasil.

Contudo, ele ignora o fato que Bolsonaro estava na sua casa e tem o direito constitucional à liberdade religiosa. Ele não fez nenhum tipo de anúncio que fira, de fato, o conceito de Estado laico, o qual preconiza que o governo não pode se meter na Igreja e vice-versa.

A fala do filósofo foi apoiada por Josias, que parece não querer ver o presidente fazendo orações em público. “Depois vem esse culto evangélico entremeando a aparição na internet e a manifestação com a leitura de um discurso. Uma oração que ele podia fazer em privado. Com todo respeito à religião do novo Presidente, não precisava expor isso em rede nacional.”