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opinião

Uma esquerda religiosa e sem esperança

Quando alguém questiona algum dos disparates, é considerado um fanático de mente fechada.

Filipe Samuel Nunes

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Protestos Antifascistas nos Estados Unidos (Julian Wan / Unsplash)

As pilhagens e o gosto pela violência que atravessa os Estados Unidos têm surpreendido o mundo. Alguns argumentarão que o problema racial é atribuível a coisas como casas caras ou que a crise econômica deixou as pessoas sem recursos e por isso recorrem à violência. Outros dirão que a direita incentiva esse comportamento.

Outros ainda dirão que o clima crispado entre brancos e negros encoraja este tipo de comportamento. Todos esses fatores contribuem para o problema, sem dúvida. Mas nenhum desses fatores dá uma explicção coerente.

A América do Norte está se secularizando. A esquerda, em particular, tem se esforçado para tirar Deus da praça pública e da vida pessoal. Mas isso não significa que a religião tenha ido embora. Os humanos estão ligados pela crença, e são criaturas sociais com necessidade de comunidade.

Por causa disso, a religião nunca morrerá, mas novas religiões vão aparecer. A religião esquerdista é uma mistureba do misticismo da Nova Era que não está muito distante do evangelho da prosperidade e dos brotos de auto-ajuda misturados com o absolutismo que está próximo do puritano.

A ideia de que o que se pensa e que suas experiências de vida refletem o que sua energia lhes traz, leva à idéia de que as pessoas sofrem porque trouxeram as más vibrações para si mesmas. Atingido pelo câncer? Não é genética ou ambiente. É a energia adiada que atrai a energia do câncer. Enquanto algumas pessoas podem sofrer por causa de más decisões, nem todas as pessoas sofrem. O que acontece com elas?

Paradoxalmente, esta crença está misturada com uma visão de que grande parte da sociedade está desamparada devido ao seu acidente de nascimento ou racismo estrutural ou sexismo ou o patriarcado. Toda uma série de fatores conspiram, para manter algumas pessoas na mó de baixo. É assim que as coisas são. É uma estranha combinação de um eu onipotente como deus que é impotente em relação às todo-poderosas estruturas sócio-econômicas. Uma religião com um deus, uma ideologia conflituosa, uma miríade de regras e imperativos morais, e um apocalipse.

Sem Deus e a estrutura de uma religião centrada em Deus, uma pessoa cria seus próprios princípios religiosos. Os princípios estão de acordo com a própria autoridade de um indivíduo.

Um grupo de pessoas que pensam da mesma maneira são chamadas de “iluminadas”; juntas, elas têm poder. Juntos eles tomam o poder. Eles são a máfia. A raiva deles é rápida. O seu julgamento é absoluto. Qualquer pessoa fora do templo dos iluminados é cancelado. Um acólito da Nova Religião diz isso muitas vezes: “Todos acreditam nisto.”

Talvez se chegue a um consenso de que o aquecimento global é causado pelo homem, por exemplo. Aqueles que resistem a esta doutrina, ou mesmo partes da doutrina, são considerados hereges. Eles são evitados. Se são verdadeiros cientistas do clima, são marcados e ostracizados. Alguns têm suas carreiras queimadas na fogueira. Os novos religiosos vivem e morrem como uma máfia impiedosa.

A interseccionalidade e o racismo e o sexismo inerentes ao patriarcado servem de pilar de crença. A esquerda que há anos acusa qualquer um que discorde deles como racistas, estão se destruindo uns aos outros com acusações de racismo e sexismo. Por quê? Porque alguns discordam dos novos ideólogos socialistas. Claramente, a discordância não é sobre o mérito das idéias. É obviamente porque a esquerda mais antiga é racista, sexista, tiranos patriarcais que insistem em silenciar as mulheres de cor.

O aborto é o principal sacramento dos novos religiosos. Curiosamente, alguém tem que morrer, para que alguém possa viver. Um sacrifício de sangue é feito para satisfazer o deus. A vida de um bebê é drenada. Dividida. A natureza, cristais, árvores, o oceano, são dignos de adoração. Intuição, sentimentos e verdade subjetiva (“a minha verdade”) são elevados acima da ciência, da verdade objetiva e do bom senso.

Quando alguém questiona algum dos disparates, é considerado um fanático de mente fechada. Conversa encerrada. Se alguém violar algum dos princípios, esqueça. A máfia destrói o indivíduo infeliz. Os novos religiosos são impiedosos. As regras mudam diariamente. Estar na frente das novas regras caóticas é quase impossível.

Há um terreno seguro. Todas as formas de comportamento sexual e uso de drogas são boas e devem ser encorajadas, a menos que se seja heterossexual. Os homens heterossexuais são violadores de fato. Caso contrário, todas as apostas estão canceladas. Isso se chama libertação. Ninguém pode julgar outro pela sua orientação. Afinal de contas, ele nasceu assim. Poliamor? Está bem. Pãezinhos alimentados por drogas que se transformam em orgias? Por que não? Sexo dopado na rua para comprar heroína? Quem sou eu para julgar?

Tudo isso está em contraste com o cristianismo. Cristãos são retrógrados que têm regras arcaicas e estúpidas, certo? A história central do cristianismo é a redenção do pecado através do sacrifício salvífico de Jesus Cristo. “Miseráveis como eu” aceitam a graça de Cristo e se arrependem. Eles mudam. Tornam-se uma nova criação, algo melhor, algo menos egoísta, algo mais amoroso.

Com o poder do Espírito Santo, os crentes se transformam, talvez lentamente, certamente imperfeitamente, falhando em todo o caminho e lutando, mas com segurança, eles se transformam. Ao contrário da Nova Religião, cujas regras mudam em tempo real, as leis do Cristianismo são simples e sobreviveram a milhares de anos. As leis são simples, mas imutáveis. Não assassinem. Não roube. Não cobice. Não dê falso testemunho (não acuse uma pessoa inocente.) Honre seus pais. Ponha Deus em primeiro lugar. Não adore ídolos.

Lembre-se do dia de sábado. Não tome o nome de Deus em vão. Não cometa adultério ou faça sexo fora do casamento. Ame a Deus e ame o seu próximo. O perdão é necessário. O reconhecimento da própria fraqueza alimenta a compaixão pelos outros. A compaixão estimula os cristãos a servir ao próximo. Eles são mandatados a fazê-lo.

O que um Novo Religioso é motivado a fazer?

Um dos problemas que os motins suscitam é que para livrar as ruas desses crimes, a esquerda teria que julgar o pilhante e o amotinador, como uma coisa ruim. Isso significa que eles teriam que dizer que esta violência desnecessária, pilhar, matar donos de lojas, incendiar carros, e defecar nas ruas é ruim. Só querer que isso pare, significaria julgar que é uma coisa ruim que não deveria acontecer. Há um problema de vontade política porque há um problema filosófico e religioso. Os Novos Religiosos se encurralam. O uso de violência é correto (desde que se destrua o capitalismo). Pilhar e espancar donos de lojas está bem. Tudo é permitido os pobres não se podem ajudar a si mesmos. O mundo está estruturado de forma injusta.

Mas essas mesmas pessoas não querem essas pessoas perto delas. Elas se preocupam com os valores patrimoniais e com a segurança e higiene pessoal para si mesmas. Também se preocupam com palhinhas e sacolas plásticas. Essas coisas são más e prejudicam as criaturas do oceano. Pessoas que são degradadas e violentas e são menos preocupantes. É um problema do Estado. Mas realmente não é um problema. Essas pessoas estão escolhendo o estilo de vida que funciona melhor para elas. Quem sou eu para julgar?

Como pode haver redenção e mudança se não há pecado? Como pode haver graça, se não há julgamento? É uma impressionante falta de compaixão que permite que esta violência floresça. Neste redemoinho tóxico, milhares de pessoas estão perdidas e esquecidas. Elas estão sozinhas. Elas desistem. Eles sabem que ninguém se preocupa com elas. Tanto os pilhantes como a elite de nariz empinado, desistiram. Longe da utopia que o Novo Esquerdismo promoteu, esta ideologia resultou em niilismo sem esperança.

Formou-se em Teologia na Inglaterra, exerceu trabalho pastoral durante 25 anos em Portugal e vive há 12 anos no Brasil onde ensina Inglês como segunda língua.

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