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Estudos Bíblicos

Um fim ao mercantilismo religioso

Meu desejo mais profundo é que neste 2017, estejam nossas igrejas dando um verdadeiro BASTA a mercantilização da fé, a uma fé vazia e triunfalista.

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Mais ou menos, uns 5 anos atrás, eu estive em Israel, e me levaram ao Yardenit, que é o local onde trazem os religiosos para se batizar no Rio Jordão. É um local belíssimo, bucólico e com água bem clarinha.

Porém, o meu guia que era judeu ortodoxo, e não acreditava no Cristianismo, me disse que, apesar de passarem a ideia equivocada para muitos religiosos que ali se batizou Jesus, aquilo não procedia, e que o local correto era em um local do Rio Jordão barrento, na Jordânia.

Pois, semana passada, tive a oportunidade de conhecer Betânia Além do Jordão, que é o local onde João Batista, que morava nas cercanias de Jericó, batizou Jesus, havendo ali igrejas antiquíssimas onde os peregrinos cristãos iam como adoração ao local onde começou o Cristianismo e o impressionante que ali fica na região mais baixa da Terra. No meu GPS, marcavam – 389 metros abaixo do nível do mar.

E por que estou falando disso aqui? É que refletindo sobre isso, vejo como muitas vezes a fé está sendo mercantilizada a todo custo. Vendem um local do batismo de Jesus quando sabem que ali o Mestre não foi batizado. Tanto em Israel como na Jordânia, vi lojas vendendo “água santa” do Jordão e pó da “Terra Santa” em pequenos frascos.

A passagem bíblica narrada nos quatro evangelhos canônicos do Novo Testamento, onde Jesus expulsa os vendilhões do templo, acusando-os de tornar o local sagrado numa cova de ladrões através de suas atividades comerciais, parece que foi esquecido por muitos. Estão aparentemente mais preocupados em fazer um escambo com Deus, do tipo: eu dou meu dízimo e ofertas a Deus, mas, o Senhor “TEM” que me abençoar em dose dupla.

O que parece esdrúxulo é que aquilo que citei acima nos dois países do Oriente Médio não é em nada diferente de muitas igrejas aqui em nosso país, onde se vende o lenço, o sal grosso, a camisa, a vassoura, a moedinha do apóstolo. E se você questionar este ungido por apregoar tais práticas, ai de você….

Por outro lado, indo totalmente contrário a essa mentalidade mercantilista da fé, o que me chama mais atenção mesmo é ver locais e situações que mostram como Jesus andou pelo “lado B” da sociedade em seu tempo.

Ele não pregava em palácios construídos pelas mãos humanas, mas via-se Ele no meio dos “desajustados” da sociedade, os excluídos socialmente. Aqueles que ninguém queria por perto ou que eram tratados como seres inferiores, como era o caso das mulheres na cultura vigente, e apesar disso tudo, elas tiveram papel fundamental no ministério de Jesus.

O Cristianismo começa no lugar mais fundo da terra no meio a um rio barrento. Como entender um Deus todo-poderoso e criador do Universo que se faz homem e desce a tal nível para nos trazer esperança. Que amor é este? Não consigo entender na minha pequenez e insignificância.

Possivelmente, na ótica humana, Jesus foi um “fracassado”. Andou para cima e pra baixo, pregando o amor entre os homens e os valores do Reino de Deus e foi morto como um criminoso comum, junto a outros 2, sendo que nem a eles Ele rejeitou. Que amor inconcebível de se descrever.

Falando isso tudo, o meu desejo mais profundo é que neste 2017, estejam nossas igrejas dando um verdadeiro BASTA a mercantilização da fé, a uma fé vazia e triunfalista. Chega de buscarmos “indulgências”, como ocorria na Idade Média e que saibamos que Deus espera de nós misericórdia para com o próximo, e não sacrifícios vãos. Hoje, infelizmente, em algumas igrejas, sacrifício se resume a dar dinheiro para o dízimo, sob a ameaça aterrorizante de que os gafanhotos irão corroer as finanças do fiel.

Somente com uma visão espiritual, que se revele no amor aos demais, é que teremos a Igreja como algo relevante no mundo atual. Creio que uma das principais preocupações de qualquer comunidade que está inserida em um determinado bairro, região, é esta igreja se perguntar a todo dia se está fazendo



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