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Internacional

Trump pode “destruir” ONU e UE, reclama Angela Merkel

Postura do presidente americano é a antítese do globalismo

em

cúpula do G7

A chanceler alemã, Angela Merkel sempre defendeu que o multilateralismo era a solução para muitos dos problemas do mundo. O termo é usado por ela como um sinônimo de globalismo, ideal atacado por Donald Trump desde sua campanha à presidência.

Ao longo do último mês, a primeira-ministra alemã enviou, através de discursos, várias mensagens ao mandatário americano, alertando contra a “destruição” da Organização das Nações Unidas (ONU). “Acredito que destruir algo sem desenvolver algo novo é extremamente perigoso”, disse ela em um evento político na Baviera.

Merkel tem se consolidado como a mais forte representante de uma agenda globalista na Europa, que inclui a política de “fronteiras abertas” para migrantes e acordos amplos de livre comércio entre as nações.

As ações recentes do governo americano, que o colocaram em rota de colisão com a China estão sendo criticadas mundialmente por serem um prenúncio de uma guerra tributária que pode atingir a muitos países do mundo.

No final de setembro, durante a assembleia geral da ONU, Trump disse que ele e seu governo “rejeitam a ideologia do globalismo e defenderá a doutrina do patriotismo”. Segundo destacou, a “governança global” é uma forma de “coerção e dominação” contra a qual “as nações responsáveis ​​devem se defender”.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, também fez críticas à postura de Trump, destacando que “hoje em dia a ordem mundial é cada vez mais caótica”.

Derrotada nas urnas este mês em seu país, Merkel sinaliza que encerrará sua vida política. Ela responsabiliza os posicionamentos de Trump pelo enfraquecimento da União Europeia (UE) e o crescimento do sentimento de “nacionalismo” em vários países do continente, como Hungria, Polônia e Itália, que estão se posicionando contra as políticas globalistas até então normativas, defendidas, sobretudo, pela Alemanha e a França.

Cortes de verbas

Alheio aos críticos, Washington vem anunciando uma série de medidas consideradas “drásticas” que acabaram enfraquecendo a atuação da ONU e entidades associadas, uma vez que parou com o repasse de milhões de dólares em “ajuda”.

No final do ano passado, foi anunciada a decisão do governo dos Estados Unidos em congelar 65 dos US$ 125 milhões que seriam destinados à Agência da ONU para os Refugiados da Palestina (UNRWA). Trump alegava que os líderes palestinos não são transparentes na maneira como usam o dinheiro e questionou se ele não seria usado para patrocinar o terrorismo.

Em meados de 2018, a Casa Branca anunciou sua saída do Conselho de Direitos Humanos da ONU, alegando “hipocrisia” uma vez que fazem parte do órgão países como Afeganistão, Congo, Nigéria, Paquistão, China e Arábia Saudita, que sabidamente estão envolvidos em violações de direitos humanos e nunca são sancionados por causa disso.

No final do ano, os Estados Unidos irão se retirar da UNESCO, já tendo deixado de contribuir financeiramente com o órgão. Ao fazer o anúncio, citou como justificativa a “necessidade de reformas fundamentais na organização e o contínuo viés anti-Israel”.

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