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Estudos Bíblicos

Três erros inadmissíveis no estudo e exposição da Bíblia

“Seja diligente nestas coisas; dedique-se inteiramente a elas, para que todos vejam o seu progresso” (1Tm 4.15)

Tiago Rosas

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Bíblia. (Photo by Aaron Burden on Unsplash)

Poderíamos listar 30 ou 300 erros ao invés de apenas três, mas não faltarão oportunidades para abordarmos outros equívocos comuns entre os que pregam ou ensinam a Palavra de Deus.

Nosso intuito não é promover a crítica pela crítica, mas oferecer orientações que corrijam comportamentos equivocados no púlpito ou nas salas de aula da Escola Dominical, e que ao mesmo tempo ajudem os expoentes cristãos a prosseguirem rumo à excelência da pregação ou ensino.

Primeiro erro: o abuso do achismo

É claro que no estudo particular da Bíblia nós vamos formando opiniões que se confirmarão ou não na medida em que aprofundamos e expandimos nossa investigação. Há inclusive textos difíceis e obscuros que abrem um leque de possibilidades interpretativas. Estou consciente disso.

Entretanto, o achismo que é um erro a se evitar é aquela prática cômoda e negligente de opinar sobre tudo e nunca buscar um embasamento bíblico e teológico sério, comprometido com as regras da Hermenêutica e da Exegese. É o abuso do “eu acho que…”, “eu penso que…” ou “minha opinião é que…”, sem um compromisso com o que o texto bíblico realmente diz, quer seja no texto ou no seu contexto.

Se a Bíblia oferece respostas, então não precisamos ficar opinando. Onde Deus se pronuncia, nossas opiniões tornam-se inúteis.

O estudante e expositor da Bíblia precisa “manejar bem a palavra da verdade” (2Tm 2.15), a fim de “responder com mansidão aos que pedirem a razão de sua fé” (1Pe 3.15). Se formos diligentes no estudo bíblico, e desenvolvermos afinidade com os bons livros de teologia bíblica, então naturalmente fortaleceremos nossas convicções e em nossa boca se ouvirá menos “eu acho que…” e muito mais “Está escrito…”,A Bíblia diz que…” ou “Assim diz o Senhor…”.

Como dizia Charles Spurgeon, a Bíblia, toda a Bíblia, nada além da Bíblia é a verdadeira religião da igreja de Cristo. Assim sendo, mais Bíblia e menos achologia!

Segundo erro: contentar-se na ignorância

O apóstolo Paulo reiteradas vezes doutrinou as igrejas contra a ignorância (1Co 12.1; 1Ts 4.13) e o apóstolo Pedro orientou para crescêssemos em graça e em conhecimento (2Pe 3.18). Todos sabemos que Paulo era um homem de alto cabedal teológico e cultural, ao passo em que Pedro, não obstante apóstolo do Senhor, era um homem sem instrução formal, um simples pescador da Galileia. Ambos, porém, eram contra a ignorância!

Na era da globalização, da massificação da informação e do acesso facilitado às instituições de ensino teológico formal, não há mais espaço para pregadores e ensinadores cristãos que exaltam a ignorância e menosprezam o dever de estudar teologia. Noutros tempos bastava citar “a letra mata” para afugentar muita gente do estudo formal da Bíblia; hoje, porém, todos sabem que a letra de que Paulo falava não é o estudo teológico formal, mas a letra da lei mosaica que ordenava sentença de morte aos transgressores (conf. 2Co 3); a Lei trouxe condenação, mas o Evangelho trouxe salvação! Inclusive salva-nos da ignorância, já que Deus quer que o homem salvo “chegue ao pleno conhecimento da verdade” (1Tm 2.4).

O ensinador da Palavra de Deus deve ser um incentivador da leitura e do estudo teológico, assim como Paulo estimulou o jovem obreiro Timóteo: “Persiste em ler…” (1Tm 4.13).

Terceiro erro: superficialidade travestida de espiritualidade

Alguns querem justificar sua antipatia pelo estudo bíblico e teológico usando de um falso discurso de espiritualidade: “Não preciso de teologia. Meu negócio é joelhogia!”. Dizem isso como se os joelhos substituíssem o cérebro, ou como se a teologia fosse em si mesma contrária às boas práticas devocionais. Ledo engano! Unção e instrução devem andar juntas no ministério de um bom expositor da Palavra de Deus!

Não é preciso cometer suicídio intelectual para poder servir a Deus, até porque é mandamento divino amar a Deus com o coração, mas também com todo o nosso entendimento (Mc 12.30). Deus nos deu cérebro e espera que façamos bom uso dele para servirmos mais e melhor ao nosso próximo e prestarmos adoração completa ao Senhor. “Tudo o que há em mim bendiga o seu santo nome” (Sl 103.1) – isso inclui nosso intelecto.

É de todos conhecida a história de um velho crente que foi indagado sobre o que era mais importante, se a oração ou a Palavra, ao que ele respondeu sabiamente com outra pergunta: o que é mais importante, a asa direita ou a asa esquerda de um pássaro? A resposta todo sabemos. O pregador e mestre sabe que deve haver um equilíbrio entre oração e estudo bíblico para que possa estar devidamente habilitado para transmitir todo o conselho do Senhor. Igual equilíbrio deve haver entre unção e instrução, santificação e erudição. Como dizia Antônio Gilberto, “o Espírito Santo tem uma afinidade especial com a mente treinada, quando santificada”.

Conclusão

Se ponderarmos estas coisas, formos humildes para corrigir eventuais equívocos em nossa postura e demonstrar interesse de acertar, então certamente o Espírito Santo, nosso grande Professor, nos suprirá de todo auxílio necessário. Afinal, Ele é quem tem maior interesse pelo nosso progresso espiritual e pela correta execução dos dons que nos entregou. “Seja diligente nestas coisas; dedique-se inteiramente a elas, para que todos vejam o seu progresso” (1Tm 4.15)

Casado, bacharel em teologia (Livre), evangelista da igreja Assembleia de Deus em Campina Grande-PB, administrador da página EBD Inteligente no Facebook e autor de dois livros: A Mensagem da cruz: o amor que nos redimiu da ira (2016) e Biblifique-se: formando uma geração da Palavra (2018).

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