Siga-nos!

Mundo Cristão

Transformar pastores em celebridades é um perigo

Teólogos discutem como isso afeta a Igreja

Avatar

em

Fiéis em adoração

Quando líderes evangélicos proeminentes “caem”, a Igreja acaba sentindo os efeitos, de uma maneira ou de outra. O fato de termos um número crescente de “pastores celebridades”, que possuem uma ampla esfera de influência é visto com preocupação por teólogos.

Via de regra, os escândalos envolvem questões financeiras ou de cunho sexual. Para Jimmy Evans, pastor sênior da Igreja Gateway, esses tipos de problemas surgem devido ao isolamento e a ausência de um sistema de “prestação de contas”.

“Somos todos seres humanos e acredito que os pastores que caem colocaram a si mesmo em uma posição de isolamento”, explicou. “Eu nunca conheci um pastor que não tivesse as mesmas tentações que todos os outros. A diferença é como lidamos com isso.” O isolamento, afirma Evans, é uma das maiores armas de Satanás.

Já o teólogo presbiteriano Scott Sauls, autor de um livro sobre as “vulnerabilidades do ministério”, acredita que os pastores deveriam rejeitar o rótulo de celebridades. “Quanto maior a sua igreja se torna, os amigos de verdade são trocados pelos fãs e admiradores”, avalia.

Com a popularização das mídias sociais, tratar pastores como celebridade é um fenômeno crescente. Alguns têm produzido material especialmente nesse sentido, trocando a pregação do Evangelho por frases de efeito e boas doses de autoajuda.

Os efeitos na igreja local

Para Ronnie Floyd, pastor da Igreja Cross, é importante lembrarmos que os seres humanos são feitos para adorar. Na cultura obcecada por sucesso em que vivemos, não é surpresa que a adoração seja frequentemente direcionada a um pastor influente ou um líder carismático.

“Há sempre o perigo de se idolatrar um pastor”, adverte. “Mas eles são homens. Quando não tomamos cuidado, podemos baixar a guarda. É por isso que Deus nos disse para ‘guardar o coração’”.

Scott Sauls diz que há vários elementos que colaboram para essa imagem. Jogos de luzes e grupos de louvor com superprodução ajudam a “criar um clima” para as mensagens desses “pastores celebridades”.

O aspecto midiático de grandes ministérios, aponta Sauls, muitas vezes tem efeitos na igreja local. Isso cria uma expectativa irreal em relação aos líderes de igrejas locais. “Os cristãos podem ficar insatisfeitos quando os ouvem pregando, pois lhes faltará o mesmo glamour”, destaca.

Contudo, lembra, não é esse o padrão que vemos nos Novo Testamento. “Quando Jesus esteve na Terra, ele não era chamativo. Ele veio como um homem muito simples. Deus escolheu as coisas loucas, as coisas fracas do mundo para levar o Reino.”

Publicidade