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Opinião

A teologia do sentimentalismo

“Me tornei seu inimigo porque te disse a verdade?” Gálatas 4:16

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Muito se fala e há muita crítica no meio gospel a respeito das heresias da Teologia da Prosperidade e também sobre a Teologia da Missão Integral que usa o evangelho como ferramenta de implantação de uma cosmovisão socialista. Mas hoje quero falar sobre uma variante destas deturpações, uma heresia que eu chamei de ‘Teologia do Sentimentalismo’ e que nada mais é do que outra releitura humanista do cristianismo.

Já não bastasse o constante ataque à virilidade nas igrejas que tem criado uma geração de cristãos frouxos e passivos que chegam a pedir desculpas por estarem falando a verdade, agora a moda é premiar todo e qualquer sentimentalismo barato criando uma visão de mundo em tons pastéis que nada faz além de colocar os fiéis numa realidade paralela aonde o lobo e o cordeiro são amiguinhos e vão juntos ao mercado comprar comida gourmet vegana.

Na Teologia da Prosperidade há uma redução de Deus colocando-O num papel de mero resolvedor de problemas financeiros do ‘fiel’. Já na Teologia do Sentimentalismo, Deus é reduzido a um resolvedor de problemas emocionais, alguém que te diz que você é o máximo, é lindo(a) e confiante, e que se as pessoas não reconhecem isso elas são feias e bobonas.
E nessa trama de filme de adolescente insegura, está surgindo uma pregação aonde não existe inferno, não existe consequência de pecado, aonde não se pode dizer ao mais escancarado pecador que se ele não abandonar sua vida de pecados ele está a caminho da condenação eterna porque talvez você pode ‘ferir os sentimentos dele’.

No mundo purpurinado da Teologia do Sentimentalismo, a pessoa pode viver uma vida de devassidão 24h por dia e no domingo à noite receber sua dose semanal de “Não aceita ninguém te dizer que você é feio tá bom? Você é lindo demais e qualquer um que porventura aludir que talvez você esteja errado é um legalista, intolerante, inquisidor.

Você é perfeito! Agora pode ir para casa e tentar ser bonzinho e se por acaso você não conseguir ser o melhor filhinho de mamãe essa semana, domingo que vem eu vou continuar a te tratar como a alma mais pura e virgem do mundo.” . E nesse ambiente sentimentalista insano qualquer um que tentar viver uma vida de santidade é taxado como fanático, legalista, quadrado e, ou acaba por se dobrar ao modo de vida do grupo para parecer descolado (“Porque amavam mais a glória dos homens do que a glória de Deus.” Jo 12:43) ou a viver isolado porque não suporta mais tentar conversar com os membros da igreja e ser inundado por uma enxurrada de bobagem emocionalista.

Às vezes fico pensando como os adeptos da Teologia do Sentimentalismo reagiriam se conhecessem os personagens bíblicos no seu contexto original. Qual seria a reação deles ao verem ao vivo Jesus expulsando os mercadores do templo, chamando algumas pessoas de ‘víboras’ e ‘raposas’, ao verem Paulo aconselhando os membros da igreja para ‘entregarem ao diabo’ um ‘irmão’ que havia fornicado e repreendendo-os por ainda tolerarem isso no meio deles (não é possível ver isso ao vivo mas é possível ler o relato de tal fato em 1 Co 5).

João, conhecido como o ‘discípulo amado’, começa a sua segunda carta com um belo texto sobre como devemos amar uns aos outros, mas já no versículo 10 orienta que os falsos cristãos que não preseveravam na doutrina de Cristo e eram enganadores pregando uma falsa doutrina não fossem recebidos na casa de ninguém da congregação, João vai ainda mais além e orienta que os membros nem sequer saudassem os enganadores. Na cabeça dos sentimentais fica a pululando a aparente contradição ‘como pode João falar do amor verdadeiro e depois dar uma orientação dessas?’.

Eu não consigo entender esse “amor” que prefere arriscar deixar o pecador sofrer eternamente do que confrontá-lo no seu erro correndo o risco de, no máximo, deixá-lo ofendidinho por algum tempo. Para mim isso não passa de uma atitude extremamente egoísta de um cristão que prefere deixar seu semelhante atolado num lamaçal de pecado do que perder o seu glorioso selo de ‘politicamente correto’ que garante curtidas no Instagram e rostinho felizes no facebook.

Eu não consigo entender um meio cristão aonde a sua opinião a respeito de Bolsonaro pode causar mais escândalo e ostracismo do que a prática deliberada de fornicação entre os membros, aonde curtir qualquer vídeo do Malafaia causa mais alvoroço do que flagrar dois membros se emaranhando no fundo da igreja.

“Seja, este tal, entregue a Satanás para destruição da carne, para que o espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus. Não é boa a vossa jactância. Não sabeis que um pouco de fermento faz levedar toda a massa?”
1 Coríntios 5:5,6

A repreensão e correção eclesiástica tem o papel de salvação tanto para o pecador quanto para aqueles que são influenciados por ele. Salvação para o pecador porque uma das funções da igreja é ser a luz do mundo, é mostrar para aqueles que estão nas trevas que este caminho de engano resulta em condenação.
E a repreensão também traz salvação para a congregação porque uma pessoa que vive no erro influencia os seus irmãos a irem por um mau caminho. Em todo o meu convívio nas igrejas pelas quais passei pude verificar na realidade dos fatos que, sem exceções, quem poupa o lobo sacrifica as ovelhas.

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