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Sociedade

Sociedade Brasileira de Genética emite nota contra Silas Malafaia

Ainda repercute o debate sobre as “bases genéticas da orientação sexual”

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Logo após a entrevista do pastor Silas Malafaia ao programa ‘De Frente com Gabi’, foi retomada uma polêmica sobre algumas de suas declarações.

Um “vídeo-resposta” do biólogo Eli Vieira foi postado no Youtube rebatendo algumas das afirmações de Malafaia sobre a homossexualidade ser ou não uma escolha. A tentativa de Vieira em desqualificar as afirmações científicas apresentadas pelo pastor no programa rendeu manifestações de apoio de muitos grupos LGBT e Silas decidiu “dar o troco”, rebatendo os argumentos em outro vídeo onde cita vários estudiosos do assunto que discordam de Vieira.

Além disso, no site Verdade Gospel, ligado ao ministério de Malafaia, recentemente foi postado outro vídeo que pretendia “desmascarar” Eli Vieira, chamado de “pseudo geneticista”.

Trata-se quase de uma refutação ponto a ponto, mostrando como ocorreu a manipulação dos dados e das pesquisas mencionadas por ele tentando justificar que algumas pessoas nascem homossexuais.

Nos últimos dias, o pastor Malafaia usou sua conta no Twitter para reforçar várias vezes a importância de as pessoas interessadas nessa discussão assistissem o vídeo produzido pelo Verdade Gospel, que basicamente usa um narrador para contrapor as afirmações de Vieira.

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Surpreendentemente, ontem (7) a Sociedade Brasileira de Genética emitiu um comunicado oficial endossando as informações de Eli Vieira e rebatendo Silas Malafaia dentro dessa discussão sobre o que seriam “as bases genéticas da orientação sexual”.

Qualificando a argumentação de Malafaia como “dogmática e impositiva”, a nota da Sociedade tenta separar a questão ética da científica, e afirma: “como cientistas, desejamos um mundo mais igualitário, em que as pessoas não sejam julgadas pela sua orientação sexual ou identidade de gênero, mas apenas pela firmeza de seu caráter”.

Mesmo que o assunto esteja longe de ter um ponto final, chama atenção o fato de os representantes da Sociedade Brasileira de Genética terem demorado tanto tempo para emitir uma opinião oficial e, curiosamente, não terem uma opinião independente, ou seja, basearam-se nas declarações de um estudante de genética que estuda fora do Brasil e cujas opiniões parecem pautar uma instituição que reúne muitas pessoas certamente mais qualificadas no âmbito científico.

A nota da Sociedade Brasileira de Genética diz:

A orientação sexual humana é uma característica multifatorial, influenciada tanto pelos genes como também pelo ambiente. Há fortes evidências de que o substrato neurobiológico para a orientação sexual já está presente nos primeiros anos de vida. Não há evidência de nenhuma variável ambiental controlável capaz de modificar de maneira permanente a orientação sexual de um indivíduo.

Assim, essa faceta do comportamento humano é resultado de uma interação complexa entre genes e ambiente, em que nenhum dos dois tem efeito determinante por si só. Alegar que a genética nada tem a contribuir na compreensão da origem deste comportamento é ignorar meio século de avanços na nossa área.

Entendemos, também, que os fatos acerca dessa questão são desvinculados do debate ético sobre os direitos das pessoas que manifestam orientações sexuais e identidades de gênero”.

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