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Opinião

Socialismo evangélico: quando a ideologia sobrepõe-se à teologia

A cegueira do militante do “evangelho” progressista Ronilso Pacheco.

Alex Esteves

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Pedaços de papel bíblico. (Foto: Brotherhood)

Deparei, nas redes sociais, com um excelente texto em que Gustavo Arnoni comenta detalhadamente um artigo publicado pelo esquerdista Ronilso Pacheco no site The Intercept Brasil – aquele mesmo site cujo dono, Glenn Greenwald, foi denunciado pelo Ministério Público Federal por supostamente contribuir para a intercept-ação criminosa de mensagens repassadas por aplicativo.

Em sua cuidadosa análise, Arnoni, ao apontar erros fatuais, demonstra como a ideologia socialista atrapalha a visão do militante do “evangelho” progressista Ronilso Pacheco, que enxerga certo “grupo calvinista” como um verdadeiro perigo agindo silenciosamente dentro do governo Bolsonaro.

Ao tempo em que remeto o leitor às certeiras observações registradas por Gustavo Arnoni, convido-o a pensar sobre um ponto que me interessa especialmente, que é o grande problema que Ronilso Pacheco e o Socialismo Evangélico têm com a ênfase na cosmovisão cristã, notadamente com a reivindicação que se faz no sentido de que a cosmovisão cristã deve redimir a cultura.

Além de revelar completo desconhecimento (ou completa desconsideração) quanto ao que é proposto pela perspectiva da cosmovisão cristã, ao dizer que se trata de tentativa de imposição de hegemonia do Cristianismo sobre a cultura, Pacheco deixa de definir o que entende por Calvinismo, e emprega esta expressão ou o rótulo “calvinistas” para designar uma postura política deletéria, num espírito que me faz recordar aquela imagem dos livros de história na qual o calvinista é o sujeito cuja teologia se resume a uma justificativa esperta para o acúmulo de capitais, algo que passou aos estudos sociais como “ética protestante”.

Como pentecostal interessado nas coisas do nosso segmento, e conhecedor de nossa maneira de pensar, sei que uma crítica aos calvinistas pode surtir um efeito de atração sobre muitos corações de pentecostais anticalvinistas ou que estejam, pelo menos, buscando reforçar sua identidade confessional, doutrinária e teológica contra o avanço dos reformados sobre igrejas pentecostais.

A simples leitura do artigo já me trouxe a certeza de que alguns pentecostais se sentiriam representados ali, sem perceber que caminham para a armadilha liberal-esquerdista.

Será altamente recomendável tomar cuidado, pois, se analisarmos bem, veremos que a crítica de Ronilso Pacheco, vista em seus reais fundamentos e propósitos, não é disparada somente contra o Calvinismo, mas contra a própria Fé Cristã.

Antes de continuar, sei que algum interlocutor mais “apressado” poderá dizer que estou confundindo Calvinismo com Cristianismo, o que, na verdade, seria impossível para mim, porque, se o fizesse, eu mesmo não seria cristão, já que não sou calvinista.

Ocorre que uma das características que tenho percebido na esquerda evangélica brasileira é a “denúncia” do Calvinismo como um monstro hermenêutico, teológico e cultural a ser derrubado porque supostamente elitista, imperialista, etnocêntrico, capitalista, racionalista, dogmático, biblicista, opressor e fundamentalista, enquanto pentecostais, “neopentecostais” (uso o termo a contragosto) e carismáticos representariam um Cristianismo mais aberto, mentalmente liberal, contestador, experiencial, performático, afetivo, intuitivo, oral, feminino, negro, pobre, periférico, migrante, narrativo e não desejoso de se impor sobre o outro – daí surge a ramificação liberal-esquerdista no meio pentecostal, que se abebera de fontes ideológicas progressistas e pós-modernistas para atrair o público pentecostal a um Cristianismo socialista, existencialista, desconstrucionista, desarraigado e, enfim, descrente.

Veja, porém, que o que a esquerda evangélica deplora no Calvinismo não são tanto os contornos específicos de sua soteriologia, pneumatologia e escatologia, mas, sim, aquela seção da Teologia Reformada com a qual o Pentecostalismo concorda, como parte que é do Cristianismo Histórico e Ortodoxo: refiro-me ao entendimento de que a Bíblia deve ser lida em termos proposicionais, para salvação do que vier a crer em Jesus Cristo; o Evangelho oferece uma “metanarrativa” para a Criação, Queda e Redenção que não é compatível com o Socialismo; o problema fundamental do mundo é o pecado, e não a apropriação privada dos meios de produção, tampouco a opressão de minorias; o método indicado para a leitura e interpretação da Bíblia é o histórico-gramatical ou outro que a enxergue como Palavra divinamente inspirada, infalível, inerrante, autoritativa, absoluta, suficiente e eterna, e não o histórico-crítico ou as técnicas pós-modernas, como a desconstrução e a hermenêutica centrada na “resposta do leitor”.

Estou certo de que a esquerda evangélica buscará, cada vez mais, contrapor pentecostais e calvinistas, não por interesse apologético (eles odeiam apologética!), mas porque, de algum modo, “o chefe” mandou.

“Evangélicos do PT” querem nos ensinar a ler a Bíblia, e já se organizam para requentar a Teologia da Libertação com foco nos pentecostais e “neopentecostais”; eles ecoam aquela frase do Sr. Gilberto Carvalho, que em 2012 alertou o séquito de Lula sobre a importância de disputar os evangélicos com os pastores.

O objetivo da esquerda petista-psolista continua o mesmo, sempre eleitoreiro; mas as estratégias passaram a incluir um incremento “teológico”, nem que para isso precise recorrer a uma figura como o Sr. Ronilso Pacheco, que há não muito tempo escreveu um texto com o título “Não há poder no sangue de Jesus”, frase herética que encima um texto igualmente herético, baseado na teologia socialista.

Ministro do Evangelho (ofício de evangelista), da Assembleia de Deus em Salvador/BA. Co-pastor da sede da Assembleia de Deus em Salvador. Foi membro do Conselho de Educação e Cultura da Convenção Fraternal dos Ministros das Igrejas Evangélicas Assembleia de Deus no Estado da Bahia, antes de se filiar à CEADEB (Convenção Estadual das Assembleias de Deus na Bahia). Bacharel em Direito.

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