Siga-nos!

Sociedade

Sobreviventes de Brumadinho acreditam que estão vivos por milagre

“A lama levantou a caminhonete”, contou um funcionário da Vale.

Avatar

em

A caminhonete aparece em meio ao mar de lama (Foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)

Dias depois da tragédia em Brumadinho (MG), sobreviventes contam sobre os horrores vividos nos minutos que seguiram ao rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, na última sexta-feira (25).

Elias de Jesus Nunes trabalha como operador da Vale e prestou depoimento na Delegacia Especializada em Investigação de Crimes Contra o Meio Ambiente (DEMA). “A gente ia fazer o serviço acompanhando os terceirizados. Mas antes mesmo de começar, eu ouvi um estrondo”, lembrou.

Pensei que fosse trem que tivesse descarrilado, mas quando cheguei para avistar, vi a lama. Eu e um colega meu tentamos fugir, mas não deu tempo. Corre pra lá, corre pra cá, a lama cercou e jogou a caminhonete pra cima”, continuou.

Abatido mas com a certeza de ter vivido um milagre, Elias conta que viu os vagões dos trens da Vale retorcidos, mas o carro onde estavam não sofreu danos. Da forma como a caminhonete foi levada pela lama, ele não duvida das mãos de Deus, que salvou ele e o colega Sebastião.

De acordo com o jornal Estadão, os dois ficaram ilhados e depois foram resgatados pelo helicóptero do Corpo de Bombeiros. A barragem não aparentava perigo algum segundo os funcionários. “Estava num lugar que era meu trajeto, onde passava todos os dias”, disse.

Nenhum alarme antes do rompimento

Do barulho do rompimento à chegada da lama foram cerca de seis minutos. “Quando ouvi o barulho, a barragem já tinha rompido”, recordou Elias. Outro sobrevivente, o operador de máquinas da Vale, William Isidoro de Jesus, também escapou dos rejeitos.

“Quando assustei, já tinha um monte de lama do meu lado. Deus me salvou. Por isso estou hoje aqui com vocês. Foi algo bem triste”, relatou. Ele afirmou que não soou nenhum alarme alertando do rompimento.

“Nos treinamentos, a orientação era que a sirene tocaria e a gente seguiria pelas rotas de fuga. Mas não teve aviso, não teve sirene. Estava na máquina trabalhando, quando vi a lama chegando perto de mim. Parecia cena de filme”, enfatizou.

O DEMA continua investigando para saber se houve crime e, se for o caso, a Polícia Civil poderá indiciar os responsáveis. “Estamos ouvindo as vítimas sobreviventes para entender a dinâmica dos fatos, saber onde estavam e o que estavam fazendo. Também vamos ouvir as famílias das vítimas falecidas”, informou o delegado Bruno Tasca Cabral.

William e Elias preferiram não falar sobre a responsabilidade da Vale em relação ao rompimento. Também não comentaram o anúncio da empresa repassar R$ 100 mil às famílias que tiveram parentes mortos pela lama de rejeitos.

Cris Beloni é jornalista, teóloga e pesquisadora apaixonada pela Bíblia. Desenvolveu um trabalho de Jornalismo Investigativo Bíblico e é autora do livro Derrubando Mitos.