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Sociedade

Sobrevivente de Brumadinho: “Tem uma mensagem de Deus muito forte”

Guarita fica intacta em meio à destruição e funcionário da Vale consegue fugir

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Cláudio Pereira dos Santos
Cláudio Pereira dos Santos. (Foto: Reprodução / G1)

Cláudio Pereira dos Santos, 34, é auxiliar administrativo da Vale e contou como sobreviveu ao desastre após o rompimento da barragem que já deixou 99 mortos e 259 desaparecidos.

O escritório onde Cláudio trabalhava ficou intacto. “A lama não continuou, se tivesse continuado teria matado nós”, contou enquanto mostrava um vídeo gravado por um vigilante.

Todo o local foi destruído “somente a portaria ficou em pé”, ressaltou. Ele lembra que estava no banheiro quando ouviu o barulho que descreve “como um caminhão com pneu estourado”.

Logo após ouviu a colega de trabalho gritando seu nome, a recepcionista Rosana. “Vi pessoas caindo na lama. Todo mundo gritando […] foi desesperador”, disse. O funcionário pulou pela janela e correu para se salvar.

“Tinha a sensação que a lama iria me pegar. No meu psicológico, tive medo de demorar a morrer. Se eu morresse rápido não teria problema, mas eu tive medo de ficar agonizando na lama”, revelou.

Verdadeiro milagre

“Mesmo que eu tivesse desmaiado com o susto, acredito que sobreviveria por milagre”, reforçou ao se referir ao seu local de trabalho que curiosamente não foi atingido.

Além disso, conta que deveria estar no refeitório na hora da tragédia, o que seria fatal. “Eu ia almoçar 12h30 e fui 11h porque me deu uma fome muito grande”.

Momento da fuga

Como já tinha morado na parte alta do Córrego do Feijão, ele sabia para onde ir. “Veio na minha cabeça um sítio onde a gente morou: ‘vai pra essa casa’. Foi onde eu entrei na mata à direita junto com umas quatro pessoas. A gente ia se salvar ali, era o ponto mais alto”, comentou.

Cláudio ligou para o irmão Ronaldo e avisou onde estava. Também o alertou que se a segunda barragem estourasse e o atingisse, seu corpo estaria naquela região. O irmão também se salvou porque saiu da mina 20 minutos antes do rompimento.

Apesar do risco de morte iminente, Cláudio disse ao G1 que sentiu uma “paz espiritual” durante a fuga. “Quando eu corria ali, eu senti uma paz espiritual muito grande, como se eu fosse morrer, mas eu estava bem com Deus”.

Mensagem de Deus para o mundo

Da sexta-feira do acidente até domingo, Cláudio que é evangélico, disse que estava tão abalado que nem tinha forças para orar.

“A minha única oração era: obrigado, Senhor, por eu ter sobrevivido”.

No final do domingo, ele esteve reunido com a família e todos oraram juntos. “Quando a gente fez a oração, a mesma mensagem que eu havia recebido antes dessa tragédia, foi a mesma mensagem que veio”, ressaltou.

“Uma parente cantou um louvor para mim, aquele que fala ‘mil cairão ao teu lado, dez mil a tua direita, mas tu não serás atingido porque eu sou o teu Deus’”, recordou.

“Eu creio que tem um espiritual muito forte em cima disso tudo, uma mensagem de Deus muito forte, não só para os brasileiros, não só para os sobreviventes, mas para o mundo. É tempo de colocarmos nossa vida verdadeiramente diante de Deus”, concluiu.

Cris Beloni é jornalista, teóloga e pesquisadora apaixonada pela Bíblia. Desenvolveu um trabalho de Jornalismo Investigativo Bíblico e é autora do livro Derrubando Mitos.