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Opinião

Silvio Santos, crianças desfilando de maiô e a decadência da TV brasileira

Não podemos aceitar a exposição de crianças nesse nível.

Maycson Rodrigues

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Miss Infantil do SBT. (Foto: Reprodução / SBT)

Não importa a figura pública nem o seu nível de representatividade na sociedade ou carisma junto ao público. O que está errado está errado e o que está certo está certo. Não se negocia valores em hipótese alguma.

O apresentador de TV mais que renomado e tido como o maior da história do Brasil já está bem velhinho e me parece que está também caducando, perdendo o senso de limites.

Talvez ele ainda pense que produz entretenimento para um público consumidor dos anos 80… não sei. O que sei é que fica completamente feio ter de assistir o maior animador de auditórios que conheci se prestar a realizar um concurso que trata crianças como pessoas adultas.

Não se pode distinguir a má influência de um Youtuber desbocado de um entretenimento que põe crianças de maiô em rede nacional. Ambos são deploravelmente dignos de repúdio e crítica frontal e contundente.

A pergunta que alguns podem fazer é: “vale tudo pela audiência?” Eu penso que obviamente não vale, e ainda acrescento que certas programações deveriam sofrer algum tipo de “sanção democrática”, que pode significar um boicote generalizado do público, numa demonstração de total reprovação da qualidade de tal conteúdo.

O próprio Silvio Santos é marcado por incentivar ou mesmo idealizar programas infantis como “Bom dia & Cia”, que inclusive há décadas faz sucesso na TV, ou até novelas de crianças como “Carrossel” e “Chiquititas”. Ou seja, não há a menor necessidade de se buscar a audiência prevaricando tanto a imagem da criança – como foi feito neste concurso abjeto.

Além disso, devemos não só repudiar como também denunciar e nos contrapor veementemente a toda e qualquer promoção de erotização infantil ou mesmo a mera sinalização da mídia para adentrar este campo. Os cristãos não deveriam silenciar numa situação como essa e mais: deveriam exigir que o Ministério Público atuasse na investigação e na possível punição dos envolvidos, dentro do rigor da lei.

É simplesmente lastimável ter de assistir um apresentador tão querido e importante se prestando a um papel tão ridículo, jogando num nível tão baixo o jogo da competitividade em torno da audiência.

Trata-se de uma desconexão com a realidade de mundo que vivemos de uma exploração sensual velada que pode até alcançar o computador ou o celular de um pedófilo, fora a abordagem descabida de que a criança precisa já se expor tão cedo para ganhar dinheiro ou ter visibilidade comercial.

Espero que tal quadro seja extinto imediatamente. Espero também que o público cristão tenha o bom senso de não dar audiência para este tipo de programação, caso ainda esteja sendo exibida na TV.

E ainda anseio que a moralidade cristã, dentro dos parâmetros do evangelho, continue governando a nossa cosmovisão independentemente de qualquer adesão ou preferência ideológica ou político-partidária que tenhamos; pois o valor humano, obtido na relação viva e real com a Escritura, é inerente ao caráter e a verdade jamais pode ser negociada com ninguém.

Casado com Ana Talita, seminarista e colunista no site Gospel Prime. É pregador do evangelho, palestrante para família e casais, compositor, escritor, músico, serve no ministério dos adolescentes e dos homens da Betânia Igreja Batista (Sulacap - RJ) e no ministério paraeclesiástico chamado Entre Jovens. Em 2016, publicou um livro intitulado “Aos maridos: princípios do casamento para quem deseja ouvir”.

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